Congresso da NERSANT lança novo Plano Estratégico do Ribatejo para o Portugal 2020

Sec. Estado Pedro Lomba promete democratizar o acesso à informação sobre fundos comunitários

Arrancou hoje o Congresso da NERSANT “Melhor Território, Mais Competitividade”, em Tomar. O evento é o culminar de um conjunto de reuniões levadas a cabo pela associação junto das empresas, entidades e Concelhos da Região do Ribatejo para obter contributos e necessidades empresariais com o objetivo de lançar o novo Plano Estratégico para o período de fundos estruturais Portugal 2020.

“Este Congresso marca o início de um novo ciclo, com a apresentação do novo Plano Estratégico de Inovação e Competitividade para a Região e das novas prioridades para as empresas. Ciclo esse claramente focado na geração de conhecimento, na transferência de conhecimento, na aplicação do conhecimento nas empresas e numa maior visibilidade e posicionamento internacional da Região e do seu tecido empresarial”, adiantou Salomé Rafael, Presidente da NERSANT, na sua intervenção inicial, onde aproveitou para fazer um resumo do trabalho elaborado no último quadro comunitário, período no qual a NERSANT cumpriu 90% do plano a que se comprometeu.

Por seu turno, Pedro Lomba, Secretário de Estado Adjunto do Ministro Adjunto do Desenvolvimento Regional, afirmou que o Governo vai “democratizar o acesso à informação sobre fundos comunitários”. Reconhecendo “o trajeto dinâmico e inteligente do tecido empresarial da Região do Ribatejo”, afirmou que “a correção das assimetrias regionais, a valorização do território e a coesão nacional correspondem a opções fundamentais do Portugal 2020”, revelando que este instrumento “privilegiará as regiões mais desfavorecidas do país visto que receberão 93% do financiamento disponível” e que “as PME estarão na primeira fila dos destinatários do Portugal 2020”. Para terminar, o governante afirmou que o país “não pode desperdiçar a oportunidade do Portugal 2020. Será uma condição fundamental para um novo patamar de desenvolvimento, prosperidade, competitividade e coesão territorial”.

Anabela Freitas, Presidente da Câmara Municipal de Tomar, referindo-se ao programa Portugal 2020, afirmou que “é fundamental uma coresponsabilização dos atores públicos e privados e o estabelecimento de relações mais dinâmicas entre empresas e centros de saber”.

A sessão prosseguiu com a moderação de António de Andrade Tavares, Presidente da Assembleia Geral da Nersant, que aproveitou para deixar ao Governo uma mensagem no sentido de “não serem criados entraves às empresas” e que “os empresários portugueses possam ter as mesmas condições que as empresas com quem competem”.

Joaquim Oliveira Martins, da OCDE, salientou que “as regiões mais pequenas têm um papel preponderante para o crescimento e as cidades têm um papel muito importante em termos de mecânica da produtividade. As cidades com mais população têm mais produtividade”. O responsável afirmou ainda que “a OCDE entende que não se pode fazer política regional numa ótica de compensar regiões desfavorecidas”, porque “cria dependência e não desenvolvimento”. “Tem que se identificar o capital territorial e criar vantagens absolutas, que ali existem e não existem noutros sítios”, prosseguiu.

Por seu turno, Rui Monteiro, da CCDR-Norte, afirmou que “as regiões são capazes de se afirmar diferenciando-se no mercado internacional”, através da “construção das vantagens competitivas”.

Piedade Valente, do COMPETE, alertou para o facto de “o tecido empresarial português ainda ter um elevado número de empresas de pequena dimensão” e que “a esta situação está associada uma fraca propensão para modelos colaborativos entre os vários atores”. “Temos dificuldade na matéria do trabalho em rede. Temos também alguma dificuldade no investimento em fatores de inovação para além do equipamento produtivo, que nos permita produzir com maior competitividade. Todos os outros fatores de inovação estão um pouco esquecidos”, prosseguiu, afirmando ainda que espera “ter os novos programas do quadro Portugal 2020 a funcionar durante o segundo semestre, para Setembro ou Outubro”.

Já Augusto Medina, da SPI, salientou que “a região do Ribatejo desenvolveu uma iniciativa de clusterização muito relevante. O AgroCluster é um exemplo daquilo que deve ser feito”. Afirmou ainda que a “a NERSANT é, porventura, uma das únicas senão a única organização com uma atuação abrangente sobre o território. Tem exercido ações em vários dos domínios que vão ser prioritários nos próximos anos”. Fazendo nota que no novo quadro “é preciso sofisticar algumas dessas apostas”, ressalvou que “a NERSANT tem a vantagem de ter uma boa capacidade de gestão de projetos”.

Para terminar, Luís Mira Amaral esclareceu que “não basta políticas públicas. As PME têm que pegar no conhecimento dos centros de saber para criarem novos produtos e se diferenciarem da concorrência. Há aqui na região do Ribatejo um embrião para termos um centro de inovação”. Referindo-se especificamente ao financiamento, afirmou que “não há problemas de crédito” mas sim “um problema de liquidez e um problema de risco de crédito. Espero que com o suavizar do programa de austeridade haja mais mercado e que haja mais linhas de crédito”. No que se refere aos transportes, realçou que “exportar por via rodoviária está condenado. O país tem que apostar na ferrovia e nos portos”.

O Congresso “Melhor Território, Mais Competitividade” decorre até amanhã no Hotel dos Templários, em Tomar. É um projeto da NERSANT, cofinanciado pelo Compete, União Europeia, Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional.

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