Antigamente era assim… Por Augusto Gil

Quem vive em ambiente de aldeia, sabe bem que as galinhas são quase omnipresentes. Qualquer família, no logradouro da casa, junto ao quintal, horta ou jardim, tem o seu galinheiro e nele galos e galinhas. A sua deliciosa carne e os não menos apetecíveis ovos são um dos motivos que leva a que as galinhas sejam possivelmente dos animais mais abundantes num contexto doméstico. cachos de uvas e melão que até ao Natal tinham que aguentar e muitas outras.
Para todas as maleitas a minha mãe tinha remédio. Era uma espécie de ervanária do lugar claro com a ajuda das bruxas das minhas vizinhas. Como se isso não bastasse, era muito procurada a “talhar” (reza que supostamente curava) alguns males, como o tesoure-lho ou trasorelho (papeira), as bexigas, o sarampo, as aftas, a boqueira (que o melhor remédio
era o nosso xi-xi), o bichoco (borbulhas), e até os treçolhos nos olhos que a minha mãe apanhava uma mosca esborrachava e coloca-me no olho e ali estava de papo pró ar durante meia hora e outras maleitas incluindo o “mau-olhado”. Tantas vezes assisti (e fui alvo) dessas rezas, desses “talhamentos”, mas era demasiado pequeno para me interessar pela sua recolha. Apesar de tudo, alguém na família conseguiu preservar algumas rezas. Por exemplo, contra o “mau-olhado”, que tanto se aplicava a pessoas como a animais, sobretudo aos nossos coelhos, galinhas e até ao gato o Tareco que de vez em quando lá parecia desafinado dos “indestines”.
Colocava-se a mão direita, empunhando um terço benzido, contra a testa da pessoa ou do animal e rezava-se: “Esse ar que te deu, quem to daria, leva lá esta reza para que amanhã seja melhor o teu dia.
Por um lado a educação acrescida naquele tempo, tal como hoje o medo da criança sair á rua e ser levada pela mãe, pai, avó e demais família, hoje brinco como qualquer ancião que vemos e acrescento…naquele tempo até a morte não existia.
Bastava somente uma vez o pai ou a mãe dizer que havia algo ou alguém que nos podia fazer mal e zás mesmo pequenos tínhamos a noção da responsabilidade….
Hoje? Nem sabem abotoar ou desabotoar os botões da braguilha com 10 anos, incrível…O homem do saco, o Papão, ou o homem das Borbulhas, foram suculentos remédios para os mais atrevidos que éramos para não andar em maltesaria e fazer desgraças….

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