“Não tenho problemas de estar entre mulheres”

Ao contrário do que muitos pensam, a Zumba foi fundada por um homem: o colombiano Beto Perez. Em Almeirim, Gonçalo Botas intrometeu-se entre dezenas de mulheres e explica aos leitores de O Almeirinense as razões como se apaixonou por esta atividade.

Como e porquê decidiu experimentar a zumba?
Eu iniciei as aulas de Zumba em janeiro de 2014 no Espaço Mexa Essas Pernas com a instrutora Joana Pernas. As razões que me levaram a tomar esta iniciativa foram a dança e a música, o exercício físico e melhoria da saúde em contacto com outras pessoas, o apoio da instrutora e o fato de se poder iniciar de imediato. Eu não sabia exatamente o que era a Zumba, tendo apenas uma ideia geral. Beto Perez em 2001 teve origem a empresa Zumba Fitness. Para além dos benefícios para a saúde, dos quais destaco os cardiovasculares,
a verdade é que os exercícios aumentam o nosso metabolismo queimando calorias durante horas depois do exercício. O efeito residual do exercício, e não o próprio exercício, é o maior responsável
pela queima de calorias. É uma modalidade de alta intensidade mas cada um empenha-se e esforça-se ao nível que se sentir à vontade.. Eu dediquei-me a melhorar continuamente e revejo me na Zumb enquanto atividade desportiva que potencia as nossas capacidades.

A integração foi fácil?
A minha integração foi facilitada pela minha motivação de aprender a dançar melhor, pelo apoio da instrutora e das colegas, pois fui encontrando pessoas que já conhecia e outras que fui conhecendo e com quem fui estabelecendo relações mais próximas. Ainda a referir que é uma atividade física divertida, já que dançando e fazendo os movimentos nem nos apercebemos que estamos a fazer exercício.
E na primeira exibição pública, sentiu o “peso” de ser o único homem?
Senti alguma confiança e descontração, por estar entre colegas da aula, e ansiedade moderada só no momento de subir ao palco, pois foi no cineteatro de Almeirim, na gala de abertura do FIFCA, e tinha noção da importância do evento. Após a primeira exibição senti apoio de quem viu e mais alguma confiança pois fui cumprimentado pelo apresentador da gala e aplaudido por um rapaz que disse eu era um privilegiado por estar entre tantas mulheres bonitas. As pessoas ficam surpreendidas por ver um homem e até podem ficar com ar desconfiado, ou fazer comentários entre si (com toda a certeza não só elogios ou palavras de incentivo). Nada disso me inibe. Em qualquer situação de destaque na sociedade existem críticas positivas e negativas. Estou seguro que quero continuar neste caminho tanto pelo
bem estar físico como pelo psicológico.
Mas há ainda um caminho a percorrer para quebrar alguns preconceitos?
Existem mais homens em aulas de Zumba mas por enquanto não a nível de exibições públicas, refiro-me aquelas em que não há participação do público. Há um caminho a percorrer nesse sentido e eu não tenho problemas nem pretensões ao estar “sozinho entre mulheres”.

O porquê da zumba e não outro desporto?
Sempre gostei muito de mexer as pernas e nisso a Zumba não falha. Melhorei a minha capacidade de me expressar através da dança pois a zumba tem influência de vários estilos de dança, apesar de ter mais
ênfase nos ritmos latinos. Sinto que estou a melhorar as minhas capacidades de forma geral e a minha saúde, pois apesar ter asma, enquanto doença crónica, consigo realizar Zumba sem limitações.

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