Antigamente era assim… (União de Almeirim) por Augusto Gil

Sem dúvida que com esta crónica irei alertar os nossos Almeirinenses mais novos e de outros tempos a recordarem os que vieram de fora e aqui ganharam raízes e edificaram muitos patrimónios nesta terra e levaram o nome do UFCA-Almeirim a muitos lugares do Mundo e até Almeirim, penso eu! Estão aqui a dizer que até pagavam para jogar futebol…

Consta-se que desde 1910 havia equipas em Almeirim, mas pelos vistos só o União vingou. Já em 1938 a Jornal Ilustrado a “Hora”, realçava a tenacidade do empenho do então Presidente José Augusto de Barros pelo União. Não irei falar em muitos nomes dos fundadores do Clube. Basta recordar um – João Trindade Rodrigues, barbeiro de profissão, que elaborou os Estatutos em 24 de Junho de 1934 e somente em 1941 foram aprovados (até disseram que por ele ter aquela profissão que quem tivesse “pêlo na venta”, ele rapava-o). Em breve irão ficar a saber todo o potencial de informação histórica. Só quero que os Almeirinenses não os esqueçam tão cedo. Por isso mesmo em casa ou nos cafés, porque não recordá-los?

Na Rua de Alpiarça e lá bem ao fundo do lado direito a caminho de Alpiarça foi ali o Campo do Sobral. Era relvado, com abrolhos, urtigas, saramagos e até labaças! Até me lembro que debaixo de dois sobreiros era o balneário em madeira dentro da vinha do Dr. Isabelinha gentilmente oferecido por ele. Antes de este ser construído os jogadores vestiam-se ali na Sede do União, no Largo João de Deus ….e depois iam para o campo do Sobral a pé e após o jogo voltavam para o famoso duche de água fria e para comer umas sandochas. Não falando das botas de travessas. Os pregos no final do jogo entravam pelas “Solas” dos pés acima. Hoje, botas de travessas? Qualquer cepo jogador de bola tem botas tipo “Avenidas”, qual Travessas! Quando os jogos começavam ambas equipas riam- -se e até os árbitros. Mais tarde é que começava as caneladas e isto porquê? A erva era tão alta e as urtigas faziam comichão e picavam as pernas, depois de tudo já pisado, era a “arrebanhar mato”. Os simpatizantes armados com os tradicionais cajados faziam aquilo que a televisão hoje faz, criticar ou comentar. Já bem conhecidas ficaram algumas “bocas” para a posteridade daquele tempo tais como: – “Oh s’ôr Arbtre, teins os olhes adonde?”, “ Ingoles o apite qu’é nan dada”, “Ganha-me tine, sanão nim sabes o que t’acontece, filhe dum xibe”, “Ficas sim o apite e sim mões p’ró agarrar”, “Pudamus-te c´arreçadoira” “Oh cão, vais ver!”. Era mesmo ali que se resolvia tudo no final do jogo. De cachaporra na mão. Se o União perdia, era um ver se t’avias…. Falar de nomes de Jogadores da época….seria injusto por agora…por isso convido o leitor a visitar a Sede do União e ver o mini Museu….

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