Comandante “renova contrato” com Almeirinenses (ENTREVISTA)

Apesar dos 31 anos, o Sargento Pereira assume-se já como um líder. Em entrevista O Almeirinense, o Comandante do Posto da GNR de Almeirim divide os bons resultados com os militares que o acompanham e confirma que vai continuar por mais alguns anos na cidade.

 

Que balanço faz desde que dirige o Posto de Almeirim?
É um balanço positivo. Temos conseguido reduzir a criminalidade e estamos a transmitir à população de Almeirim uma imagem de segurança e confiança.

Antes, Almeirim não era seguro e agora é?
Antes as pessoas chegavam a ter medo de andar na rua, hoje já não é assim. Já se consegue ver pessoas durante a noite a passear nas ruas de Almeirim, o que é bom sinal.

A propósito dessa melhoria, têm existido muitos elogios ao comandante. Elogios esses que surgem de vários quadrantes. Como reage a esses comentários? E reconhece que o mérito é também alargado aos militares?
O Comandante do Posto não é comandante do Posto sem a equipa que tem por baixo. É como a pirâmide, eu posso estar em cima, mas é a base que segura a pirâmide. Efetivamente os militares que tenho aqui no posto são bons militares. Dão tudo o que têm e o que não têm.

Alguns já cá estavam. Precisaram de ser motivados?
Precisaram. Precisaram de ser motivados e consegui isso e muitas vezes a função do comandante de posto também é essa, é conseguir motivar o efetivo que tem. É trabalhar com o que temos e conseguir resultados, que é o mais importante.

E a si, quem o motiva?
A mim motiva-me o empenho dos militares que estão no posto e as pessoas que estão acima na herarquia. O Sr.º Capitão Póvoa (Comandante do Destacamento de Santarém) e o Sr.º Coronel Paulino (Comandante
do Comando Territorial de Santarém) têm sido excecionais no apoio do posto de Almeirim.

Lá fora há a imagem do Comandante ser uma pessoa dura e muito exigente. É assim mesmo?
Tenho que ser.

Ainda recentemente noticiamos detenções por agressões, droga e assaltos. Têm existido um combate sério nestas áreas?
Tem. Felizmente já há pouco no concelho e tudo o que há, a GNR quer resolvê-los rapidamente. Tem sido assim: Quando há uma ocorrência todo o efetivo que aqui está, sai para a rua juntando-se às patrulhas que JÁ estão na rua. Toda a gente se empenha para AJUDAR.

É esse também um dos seus grandes atributos? O envolvimento do posto?
É o dever de disponibilidade e de camaradagem. Estamos sempre prontos para o serviço, seja a que horas for. Às duas da tarde, quatro da manhã … não importa. Sempre prontos para trabalhar.

Sobre os meios. Precisava de mais meios técnicos e humanos?
Todos os Postos precisam .O Comando Territorial de Santarém tem sempre Almeirim em conta para resolver esse problema. E ainda bem…

Mesmo assim os resultados têm aparecido?
Sim e vão continuar aparecer.

E viaturas também precisa?
O posto de Almeirim tem quatro viaturas, são mais que suficientes.

Nesta altura estão também a fazer policiamento de bicicleta. É para manter ou só no verão?
Será só nesta altura. Esse policiamento podia ser feito ano todo, mas com mau tempo também não é aconselhável. O ditado de chuva não molha militar é antigo e eu não acredito. (sorrisos). As patrulhas de
bicicleta dão outra imagem e numa cidade como Almeirim permite também mais rapidez na resposta a algumas solicitações.

Embora essa diminuição a área geográfica é grande?
Isso é verdade e é preciso as pessoas perceberem que nós não temos conhecimento de tudo. A maior parte das vezes, as pessoas que estão mais isoladas não avisam a guarda. Um conselho que eu dou é avisar sempre as autoridades. Desde um indivi-duo que tenha dito ser da segurança social, ou da EDP para contar a luz … desde que não seja a pessoa que lá vai regularmente, devem e desconfiem sempre. Principalmente as que estão mais isoladas.

Essas preocupações aumentam agora no verão?
Sim, nós temos também o programa da Chave Direta, em que as pessoas quando vão de férias podem vir aqui ao posto e preencher um formulário e durante o dia e a noite, asseguramos, que passamos várias vezes na residência a verificar se está tudo em condições.

O trânsito na cidade é um assunto sempre muito falado. Ora porque a GNR multa muito, ora porque não age. Como lida e explica isto?
O trânsito em Almeirim já foi mais complicado, agora nem por isso. As pessoas já começaram a entender que se os sinais existem e são para respeitar. Aqui já chegou a ser caótico, estacionando em tudo que era lado. Era em sentido contrário, em cima das passadeiras, em cima dos passeios ou à frente de garagens. Tivemos uma fase, lançando várias patrulhas, em locais estratégicos autuando e continuamos a fazê-lo. Quando está em infração tem de ser autuado e não é como se diz que ….. o Presidente da Câmara que manda multar em algumas zonas… É totalmente falso…. Quando as pessoas são autuadas, os autos são enviados para o IMTT e ANSR. O Presidente da Câmara o que faz é mandar colocar ou retirar sinais.
O Presidente da Câmara não diz autuem aqui ou alí. Eu sei que há um boato a dizer que seria o Presidente da Câmara que mandava autuar. Não é assim nem será, isso garanto.
Temos tido muitas reuniões, ao nível de trânsito e segurança, mas sempre que as pessoas são autuadas é porque estão em infração. Eu vi reclamações aqui no posto, de pessoas que estavam mal estacionadas,
vieram cá reclamar e continuam a estacionar mal. Há pessoas que não querem aprender. Mas nós vamos lá …

É com persistência?
É, é. Tínhamos o exemplo na Praça Lourenço de Carvalho. Posso dizer que houve pessoas a serem autuadas cinco e seis vezes e continuaram a colocar lá o carro. Como nós sabemos que a zona é importante para o comércio, o Presidente de Câmara teve algumas reuniões e foi tirado de lá o sinal.
Eu concordei. Ganha-se 30 ou 40 lugares de estacionamento, na suposta ciclovia que não estava a sinalizada nem a ser usada.

Que imagem é que quer que a população tenha do Posto da GNR de Almeirim?
A imagem que eu quero transmitir é uma imagem de uma força humana, próxima e de confiança . Nós não fazemos as coisas por maldade. Nós não andamos atrás de ninguém, a não ser dos bandidos. Os bandidos é um extra (sorrisos). Nós só queremos fazer o nosso trabalho e que nos deixem.. Por vezes também existe essa crítica.

Mas de quê? De multar sempre as mesmas pessoas?
Sim, porque as pessoas acham que têm sempre razão. Já conseguimos mudar a mentalidade da maioria das pessoas de Almeirim.

Recentemente, O Almeirinense noticiou que ficava no Posto de Almeirim por mais quatro anos. Confirma?
Tudo depende do meu Comando. Mas podemos dizer que sim.

Fica contente?
Muito, muito. Fui eu que pedi para vir para cá.

Já sente que Almeirim é a sua segunda terra?
Eu já posso dizer isso. Eu gosto mais de estar em Almeirim do que estar em casa. É uma realidade.

Porquê? O que o fascina tanto?
Primeiro a população. Eu acho que o povo de Almeirim é muito aberto, honesto, humilde e frontal. E isso é muito importante. Quando vim para cá não conhecia ninguém, e a maior parte das pessoas que eu conheço hoje, olham-me como se eu fosse da família. Não é normal e não existem muitos sítios onde isso aconteça.

Foi fácil a sua integração e adaptação?
Sim, foi fácil. Estive cá a estagiar em 2011 durante seis meses e como conhecia o efetivo e a cidade, posso dizer que foi fácil.

Do exterior também sentiu isso?
As pessoas que não temem a guarda receberam-me bem agora aquelas que têm algo a esconder é mais complicado. Mas posso dizer que toda a gente me respeita.

Qual foi a situação mais complicada nestes três anos?
(pára para pensar). Já tive várias situações complicadas.

Terá sido a tentativa de atropelamento?
As vezes nós tomamos procedimentos que não pensamos na hora e os acidentes também acontecem por isso. Mas quando queremos tanto apanhar um indivíduo, nós não medimos o risco.
Ali correu bem…Não foi fácil mas correu bem.

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