“O Fazendense trabalha tão bem ou melhor que outros clubes”

Paulo Jorge Moreira é o coordenador do futebol de formação do Fazendense. Em entrevista a O Almeirinense fala da preocupação e dificuldade que o clube tem atualmente com os mais jovens.
Apesar de menos equipas, a temporada que está a começar tem muitos desafios.

Quantos escalões e quais os escalões de formação do Fazendense para 2014/2015?
Há um decrescimento? Porquê?
O Fazendense possui este ano os escalões de formação de futebol 7 começando nos sub-7 até aos infantis e de futebol 11 apenas o e escalão de iniciados. Total de seis equipas.
Temos tido um decréscimo no número de equipas principalmente no futebol de 11 não estamos a competir em juvenis e juniores.
Deve-se principalmente ao facto de cada vez mais os nossos jovens terem outros interesse divergente do futebol e da prática desportiva, sendo estas as idades mais criticas, mas também ao assediamento por parte de outros clubes que têm levando muitos dos nossos atletas a sair, principalmente nos escalões de futebol de 11.
Nós temos uma política desportiva mais “caseira”, formá-los com todas as dificuldades que daí advêm e não ir escolher aos outros clubes os já trabalhados como fazem connosco.

Apesar deste dado, o Fazendense é hoje em dia um clube mais preocupado com a formação?
Temos como já há alguns anos a esta parte uma grande preocupação com a formação, mas feita por nós não atropelando ninguém, querendo apenas dar as melhores condições possíveis aos nossos atletas e treinadores.

Na formação, o Fazendense já trabalha tão bem ou melhor que os clubes do concelho?
Achamos que sim, caso contrário os nossos atletas e os nossos treinadores não eram constantemente alvos de assédio por parte dos outros clubes. E não estavam sempre a tentar destruir o que nós construímos.

Quais são os objetivos para a temporada 2014/2015?
Os objetivos são muito idênticos aos da época passada, melhorar o que já foi feito, dar as melhores condições possíveis aos nossos atletas e treinadores.
Nunca foi, nem nunca vai ser enquanto eu for coordenador do futebol jovem imposto a qualquer equipa a necessidade de ser campeão do quer que seja, felizmente de vez em quando obtemos alguns títulos, mas aparecem por acréscimo ao trabalho realizado.

Como se concilia a formação com a necessidade de resultados desportivos?
Como já referi não vivemos obcecados com os títulos, temos muita paciência na formação, ninguém gosta de perder mas saber perder também é uma virtude e por isso quando se ganha ainda tem mais valor.

Não é fácil também gerir a vontade dos pais?
Os pais na formação são e serão cada vez mais um elemento fundamental, pois sem eles os clubes não têm massa humana para trabalhar, diretores, por vezes treinadores por vezes apenas acompanhantes das equipas cedendo transporte para os jogos e até mesmo na realização de torneios. Por isso eles estão envolvidos e sabem observar o trabalho que é realizado de forma a haver um total entendimento entre as partes, mas sim também tenho que muitas vezes pôr os pontos nos ii como se diz.

Todos os escalões seguem o mesmo modelo de jogo? Isso seria o ideal?
Não, achamos que na formação a este nível não é necessário esse rigor uma vez que temos treinador de diferentes filosofias futebolísticas e é deixado cada um escolher o melhor modelo que se adapta à sua equipa. Se é o ideal ou não também não sei mas sei que isso é um objetivo muito difícil de alcançar a trabalhar ao nível do amadorismo.

Há grande envolvimento dos pais? Até para colaborarem como dirigentes?
Sim, como já disse anteriormente os pais são também uma base de crescimento e fortalecimento das nossas equipas, são eles que fazem o papel de diretor, condutor, massagista em alguns casos e até na preparação dos lanches das equipas, pois se assim não acontecer não existem elementos da direção suficientes para este trabalho.

Que papel tem o coordenador?
Eu olho para o meu papel neste clube como o elemento de unificação, sou eu que faço a gestão dos recursos, quer físicos quer humanos de forma a que as coisas funcionem quase em piloto automático muitas das vezes. Claro que escuto muito todas as opiniões (diretores, treinadores, pais) mas a decisão final cabe-me a mim quase sempre, para o bem e para o mal.
Estamos a procurar criar melhores condições de trabalho, principalmente espaço físico, para que possamos desenvolver outros projetos que temos na gaveta à espera de melhores dias. Acredito muito nas pessoas que estão comigo e no trabalho que elas realizam, vamos voltar rapidamente a revitalizar a formação do Fazendense. Não quero individualizar ninguém mas tenho de deixar uma palavra especial para o Vitor Galvão que não sendo um “Charneco” de gema é mais que a maioria pois vive o nosso clube como ninguém, um muito obrigado por tudo o que ele faz pelo nosso clube.

Ajuda que alguns treinadores estejam na equipa sénior?
Claro que ajuda, principalmente porque conhecem muito bem a realidade do clube, e sabem ser o exemplo para os seus atletas, que é um dos grandes objetivos da formação, criar jogadores para o futebol sénior. Infelizmente atualmente no plantel sénior não temos muitos elementos formados por nós mas também há a realçar a dificuldade que temos tido para que eles aqui se mantenham, talvez por não aguentarem a pressão de estar a jogar em casa, lá diz o ditado que santos da casa não fazem milagres. Muitos dos que estão nas equipas do concelho foram aqui formados e ninguém os mandou embora foi apenas opção deles.

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