Pedro Ribeiro: “Estou satisfeito com o que fizemos, mas há sempre mais para fazer”

Pedro Ribeiro está a comemorar um ano depois de ter concretizado o sonho de ser Presidente da Câmara Municipal de Almeirim.
Apesar do tempo das grandes obras parecer estar ultrapassado, o primeiro ano da nova maioria socialista fica marcado por algumas obras, aquisição de terrenos e redução do endividamento. Pedro Ribeiro revela aos almeirinenses o que pretende fazer nos próximos três anos, sem entrar em euforias sobre a popularidade.

Que balanço faz do 1.º ano?
Sou, naturalmente, suspeito para fazer essa avaliação, no entanto penso que ela é bastante positiva tendo em conta por um lado que houve uma mudança grande no executivo e que por outro a situação financeira do País e a falta de fundos comunitários nos impôs, a todos, uma redução naquilo que gostaríamos de fazer.

Terá feito 24% do programa eleitoral. É bom?
Não fiz essa contabilidade, mas se diz que é assim quer dizer que fizemos um quarto dos que nos comprometemos em um quarto do mandato. Se fosse assim até final teríamos 100% de realização, o que era excelente e com certeza inédito.
Mas como disse estou satisfeito com o que fizemos, mas tenho consciência que há sempre mais para fazer, sendo que muitas não dependem apenas de nós, mas sim da administração central e do acesso a fundos comunitários.

Está a segui-lo à risca?
O programa eleitoral é um documento que vejo com alguma regularidade, mas não pode ser entendido como o único documento a seguir. Ao longo de quatro anos há coisas que acontecem que não estávamos à espera e que resolvemos e outras que percebemos que não conseguimos fazer. Mas em relação ao nosso programa quero cumprir tudo aquilo que lá está e depende apenas da Câmara. Sobre o resto tive sempre o cuidado de colocar que as obras ou iniciativas apenas avançavam com o apoio, nomeadamente de fundos e isso não depende só da nossa vontade.

Qual foi a melhor decisão que acha já tomou?
A compra dos antigos celeiros da EPAC. É cerca de um hectare de área no centro da cidade, numa zona estruturante e que era uma ambição com décadas.

A pior e a mais difícil?
A mais difícil, o recurso da Aldesc.

E nas Freguesias, que não a de Almeirim?
Nas freguesias há um conjunto de projetos uns em curso outros já terminados, nem sempre necessariamente obras, que penso serem equilibrados, ou seja há uma preocupação com todo o concelho.
Não querendo ser exaustivo mas gostava de deixar uma ideia geral por freguesia.
Na Raposa requalificámos um conjunto vasto de ruas, a zona da Igreja e o local da festa de S. António, assim como a sede do GDR. O projeto de requalificação do parque de merendas está quase terminado. Há ainda questões que se prendem com o local envolvente ao jardim de infância e a manutenção de um conjunto de arruamentos que têm de ser realizados.
Em Benfica do Ribatejo já inaugurámos a zona desportiva junto ao pavilhão e agora estamos a recuperar um conjunto de situações no próprio pavilhão que vai terminar em breve com a sua pintura. O recinto das festas da freguesia é também hoje uma realidade. O projeto da casa mortuária dos Foros de Benfica está feito e a de Benfica do Ribatejo em estado adiantado. Estamos ainda a fazer o projeto da nova ponte de Benfica sobre a vala para substituir a que lá existe do Séc. XIX. No futuro as questões das estradas, nomeadamente em Foros de Benfica e algumas zonas de Benfica e Cortiçóis será uma prioridade. Há ainda as questões da segurança da EN 118 e que se prendem com os semáforos na Azeitada e o seu reforço em Benfica do Ribatejo. Estamos em contacto com as Estradas de Portugal para tornar isso possível, sendo que também aqui o investimento será todo da autarquia.
Em Fazendas de Almeirim realizámos um conjunto de alcatroamentos, a sede do Fazendense está em concurso e estará pronta no próximo ano. O projeto do Campo do Sporting, que permitirá um jardim e um conjunto de equipamentos desportivos, parque infantil etc, está já esboçado e espero que em 2015 se possa avançar com uma parte da obra, uma vez que terá de ser feita por nós uma dada a impossibilidade de fundos comunitários. Estamos ainda a perceber a melhor local para a construção de uma nova casa mortuária na vila.
Espero ainda se for possível, nomeadamente em termo de pessoal criar as condições para que as Fazendas de Almeirim tenha um polo da biblioteca municipal. Em Paço dos Negros o términus das infraestruturas da zona industrial, a continuação dos passeios e a requalificação de algumas estradas são também uma prioridade e têm vindo a ser feitas de modo constante. Estou ainda muito esperançado na melhoria da zona envolvente ao Paço após o protocolo que fizemos com o Rancho Folclórico. Nos Marianos a questão do médico é uma preocupação que me tem feito fazer muitos kms e ter muitas reuniões. Para além disso a construção de alguns passeios que melhoram a mobilidade e a segurança é fundamental.

Este será um mandato com mais betão do que se pensava?
Penso que não. Apesar de neste ano se ter conseguido um conjunto de obras que eram uma aspiração com mutos anos, como a requalificação da escola P3, o estádio municipal, ou as escolas velhas, apenas para falar daquelas que têm fundos comunitários. No entanto o futuro a esse nível parece muito sombrio. Os fundos comunitários e a vontade governamental é para que não haja investimento em infraestruturas, nenhumas e isso é muito grave. Dou apenas o exemplo da circular urbana que para o concelho é fulcral.
No entanto não vou parar de “chatear”. Temos a decorrer a construção da sede da FEB – Força Especial de Bombeiros que trará para o concelho cerca de 60 operacionais. Houve quem desse esse projeto como perdido mas a verdade é que está lá e em breve será inaugurado. E ainda com custo zero para a autarquia.
Neste matéria da Proteção Civil espero que os investimentos não fiquem por aqui e que possamos ter nesta matéria cada vez mais importância a nível regional e não só.

Nas aquisições de terrenos também?
A aquisição de terrenos é um meio e não um fim para que se possam realizar projetos no futuro. Provavelmente muitos deles em próximos mandatos. É um investimento de centenas, muitas centenas de milhar de euros, com custos enormes para a nossa gestão diária, uma vez que ao mesmo tempo que temos reduzido a dívida global, diminuído o prazo médio de pagamento a fornecedores estamos também a comprar património sem recurso ao crédito, apenas com fundos municipais, resultantes de uma gestão cada vez mais apertada.

Tem tido uma oposição colaborante?
Acho que a oposição tem tido neste mandato uma posição completamente diferente do que teve noutros. Mas também penso que para isso contribui uma posição diferente da nossa parte apesar de termos uma maioria absoluta estamos disponíveis para ouvir, receber propostas e mudar de opinião quando se percebe que não temos razão. E como é óbvio não temos sempre razão, como eles também não.
Isso não implica que não haja debate e que não haja votos contra e abstenções, mas isso faz parte da democracia.

Há um ano obteve um resultado histórico, se fosse hoje acha que seria igual ou melhor?
Essas avaliações são feitas ao fim de quatro anos. Falar sobre isso é apenas especular. Pretendo fazer o meu trabalho, o melhor que sei e com dedicação exclusiva. No final as pessoas avaliam.

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