Um acidente mudou a vida de Rui Afonso

No dia 14 de março de 2010, o relógio marcava 22h15. Rui Afonso despista-se a seguir à curva da Azeitada. Foi um acidente tão grave que se chegou a pensar o pior. Rui já nem sabe aos certo quantas operações fez, mas pelo menos 16.

“Bato contra o rail de proteção e sou «cuspido» de cima da mota e faço, segundo as medições da G.N.R. cerca de 60 metros pelo chão fora da estrada pela terra e restos de lixo que lá estava indo bater num tanque de cimento. A mota ficou cerca de 300 metros de mim na estrada”, descreve.
Foi uma mulher que Rui tinha ultrapassado à entrada de Benfica que achou estranho a mota estar ali e chamou o 112. “Quando chegou a ambulância estavam dois carros parados e começaram a procurar alguém mas sempre perto da mota, até que exigiram a presença da GNR para procurar, pois eles diziam que como estava ali a mota tinha que estar ali alguém, vivo ou morto”.
Volvidos mais que quatro anos, Rui agora reformado não tem “explicação nenhuma para o sucedido, e já tinha apanhado um susto nesse entrocamento e com medo fazia sempre essa curva devagar, para mais eu bati na reta e no fim de tudo o meu capacete desaparece, mas tinha a fivela do capacete marcado no minha cara. Falei com vários amigos donos de motas e todos me disseram o mesmo: “alguém te provocou o acidente, tirou-te o capacete e fugiu porque pensava que te tinha morto”, conta intrigado.
Nesse dia, a vida de Rui e das pessoas mais próximas mudou por completo: “Até semana e meia depois do acidente nunca lhe deram muitas esperanças e houve dias que lhe disseram para esperar o pior”, assume Rui Afonso, que era tão ativo que para além do emprego da Compal ainda tinha ocupações em restaurantes e hotéis, mas desde o acidente que tudo mudou na sua vida e dos mais próximos.
Na conversa com o Almeirinense, Rui falou vária vezes da mulher a quem faz inúmeros elogios: “A minha mulher foi-me ver todos os dias a Lisboa e a Santarém, eu dizia às vezes que ia ser operado para ela não ir mas quando saía do bloco ela lá estava para pelo menos dar-me um beijo e um até amanhã. Sem querer esquecer de ninguém tenho muito a agradecer à minha mulher, Sílvia a ela devo tudo ela nunca saiu do meu lado não tenho palavras que cheguem para agradecer, eu costumava brincar «nunca me peças para te pagar isto tudo porque não há dinheiro que chegue», à minha sogra, ao meu sogro, meu cunhado e namorada, aos meus pais, à minha prima Manuela, ao meu filho Pedro que ficou muito em baixo, aos meus amigos que nestas alturas é que a gente sabe quem são e esles nunca me abandonaram até agora. E como não podia deixar de falar neles, o dr. Leonidas Brandão, dr. Carlos Maia, e todos o piso de Ortopedia de Santarem, e a dra. Margarida Henriques e o serviço do piso 7 da cirurgia plástica de Santa Maria e o enfermeiro Luís”.
“Nunca me lamentei pelo que me sucedeu lamentava-me pelo que fiz a minha família passar em especial a minha mulher, eu sou católico e sempre aceitei as coisas boas tanto como as coisas más”, conta a finalizar.

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