“PDR irá entrar nas eleições Autárquicas em 2017” (VIDEO)

Joaquim Pisco é um dos rostos mais visíveis do PDR de Marinho e Pinto. Numa grande entrevista a O Almeirinense o advogado fala detalhadamente da constituição do novo partido, da criação do núcleo em Almeirim e claro na apresentação de listas nas próximas autárquicas.

Como e porque surgiu o PDR?
O Partido Democrático Republicano surge das ideias de um grupo de pessoas descontentes com o sistema vigente de representação dos cidadãos e dos quais, obviamente, se destacam o Dr. Marinho e Pinto, o Dr. Eurico Figueiredo, o Dr. Fernando Pacheco e o Professor Doutor Fernando Condesso, sem quaisquer desprimor para os restantes fundadores, pessoas de mérito e competência reconhecidos e que decidiram por encetar este projeto político.
Na sua génese o Partido Democrático Republicano, visa aprofundar os valores da liberdade, da igualdade, da justiça e da solidariedade, através de uma constante luta pelo cumprimento de uma efetiva democracia política, económica e social, que só é possível através de uma maior proximidade entre eleitores e eleitos e sendo que esta só pode ser obtida através de um sistema de representação proporcional personalizado e de maioria e, em geral, na responsabilidade política dos eleitos perante os eleitores, tal como consta na Declaração de Princípios do Partido.

O Partido não é exageradamente o rosto de Marinho Pinto?
Obviamente que o mediatísmo obtido pelo Dr. Marinho e Pinto aquando dos mandatos como Bastonário da Ordem dos Advogados lhe dá um capital de reconhecimento público importante e inegável, no entanto e tendo em conta as pessoas que, desde início e que mais tarde, se foram ligando a este projeto, fica desde já a garantia de agradáveis surpresas a nível de participação cívica de outros cidadãos que, embora nunca hajam considerado a participação política ativa, se encontram motivados para os combates que se avizinham e acreditam neste projeto político.
Também é certo que nada de negativo encontro em o Dr. Marinho e Pinto ser o rosto do PDR, considerando a frontalidade, honestidade a toda a prova e o seu percurso de vida, afigura-se-me mais digno da função do que alguns lideres detidos, acusados ou indiciados de crimes gravíssimos e que a todos nos poderão ter afetado, ou mentirosos compulsivos que, hipocritamente, exigem comportamentos irrepreensíveis aos Portugueses, designadamente a nível fiscal e de contribuições à Segurança Social, e para eles reservam-se ao direito de alegar desconhecimento dessas obrigações.

E Almeirim e o Joaquim Pisco como surgem associados a este movimento?
Quanto a Almeirim, essa associação começou pelo Sr. Eduardo Milheiro, ativíssimo Coordenador dos Núcleos do Ribatejo e que vem desenvolvendo um trabalho árduo e competente na ativação dos variados Núcleos e no contacto com as pessoas interessadas em participar neste Projeto.
Quanto ao Joaquim Pisco, fui militante do PS até outubro de 2014, havendo sido presidente da Assembleia de Freguesia de Almeirim e posteriormente Presidente da Assembleia de Freguesia de Fazendas de Almeirim.
Por minha exclusiva vontade, nas últimas eleições autárquicas, decidi não integrar quaisquer listas partidárias ou de cidadãos, tendo sido contactado em dezembro de 2014, onde me foi apresentado o projeto político do PDR. No mês seguinte decidi, de corpo e alma, abraçar este projeto novo, recheado de gente nova, com ideias frescas e acima de tudo com total independência e liberdade de ação, tendo sido convidado para a implementação do Núcleo de Almeirim, tarefa que aceitei oficiosamente e até às eleições no Núcleo do nosso Concelho.

Já há muita gente do concelho associado ao Movimento?
Tratando-se de um Partido novo e sem a exposição mediática que outros têm, o nível de aceitação e vontade de participação tem excedido todas as expectativas, mas o nosso objetivo é informar os cidadãos e mostrar que existem alternativas válidas, sérias e que irão constar nos próximos boletins de voto.

Quantas?
Entre voluntários e filiados estamos a falar de cerca de 70 pessoas.

Têm realizado algumas ações no concelho?
Já foram realizadas diversas reuniões informais de trabalho entre filiados e voluntários de Almeirim e de outros concelhos, contámos com a presença do Dr. Marinho e Pinto e outros fundadores do PDR em reunião com os responsáveis dos diversos Núcleos do Ribatejo e tivemos em Almeirim o primeiro encontro formal de membros do Distrito de Santarém.

Quais os objetivos?
Os objetivos destas e outras ações, nesta fase embrionária, passam por estabelecer estratégias concertadas para o futuro e, principalmente, pela partilha de experiências e ideias para a pormenorização do programa político a ser discutido na Assembleia Geral de 24 de maio de 2015.

Transformar o Movimento em Partido não foi paradoxal?
A falta de informação ou a menos correta análise dessa informação permite erros dessa natureza. O Partido Democrático Republicano nunca foi, em si só, um Movimento. O PDR foi criado em 5 de Outubro de 2014, já como Partido Político, havendo ultrapassado as dificuldades legais na sua legalização, criadas pelos Ex.mos Juízes dessa entidade arcaica, obsoleta e, muitas vezes na sua ação, antidemocrática, em 11 de fevereiro de 2015.

Se as pessoas estão divorciadas dos partidos, não podia ser uma vantagem ser Movimento só?
Não vejo quais as vantagens de ser só um Movimento, uma vez que no nosso atual sistema político, a expressão dos interesses dos Cidadãos, dos seus Direitos e das conceções dos mesmos Cidadãos quanto ao modelo de ação a efetivar e às decisões em relação à estruturação da sua existência em comunidade, exprimem-se por intermédio de Partidos Políticos, em sua representação. E é nesse exercício que passa a génese o PDR, e que pretendemos cumprir e procurar fazer cumprir, através da perfeita identificação com todos e cada um dos Cidadãos que nele se queiram integrar, sempre na defesa da Liberdade, da Justiça e na realização da Solidariedade.

É possível o PDR ter no futuro uma participação mais ativa no concelho?
Não só é possível como vai ser uma realidade pragmática e necessária, no sentido de apresentar novos caminhos para um Concelho em que a única entidade em que, pelos vistos, abunda o dinheiro é a Câmara Municipal de Almeirim, sempre à custa dos Cidadãos que através dos seus impostos suportam obras e aquisições desnecessárias para as suas vidas, mas vitais para arregimentar votos para as próximas eleições e aparecer a cortar fitas nas fotografias dos Jornais.

Admitem mesmo concorrer as eleições autárquicas 2017?
Que não restem dúvidas sobre esse assunto, o Partido Democrático Republicano irá a votos em todas as eleições que no futuro decorram, inclusive as Autárquicas em 2017.

Como avalia o trabalho do primeiro ano e meio deste executivo socialista em Almeirim?
Antes de mais nada, quero afirmar que nada me move, pessoalmente, contra nenhum elemento do Executivo da Câmara Municipal de Almeirim e, quanto ao Sr. Presidente, afirmo sem nenhum tipo de dúvidas que é uma pessoa honesta e trabalhadora, mas isso só não chega.
No entanto, dececionante, é a palavra que melhor define a minha avaliação deste mandato e, pior do que isso a consciência perfeita de que o futuro não trará nenhuma melhoria, tendo em conta as decisões já tomadas este ano de 2015 e que revelam mais do mesmo e em pior dose.
Em relação aos Executivos anteriores não existe qualquer diferença nos métodos de trabalho; na interação com os munícipes do concelho e cidadãos de fora do concelho e, principalmente, na conceção do que será Almeirim no futuro, ou seja, no traçar metas e objetivos a atingir para tornar Almeirim, de novo, uma cidade amiga dos jovens e empreendedores; continua-se a não reconhecer competências a pessoas cá nascidas e criadas mas que não obedecem a vozes de comando fracas, pouco ambiciosas e sobretudo pouco (muito pouco) inteligentes; não se criam condições objetivas para que não seja necessário sair em busca de oportunidades e trabalho; não se dá quaisquer espaço para que as instituições e associações sejam compostas por pessoas diligentes, livres, conciliadoras, trabalhadoras e honestas, servindo assim de elo de ligação entre o povo e a classe dirigente, propondo, argumentando, agitando e conseguindo e não como agora, em que cada instituição mais parece uma célula adormecida do executivo da Câmara do que a força interventiva que deveria ser.
Ao contrário do propagandeado, o que se verifica é que Almeirim é um dos doze concelhos do pais onde é mais caro viver, uma vez que temos os impostos (os dependentes de decisão municipal, ou seja a percentagem do IRS, DERRAMA, IMI e eventuais isenções ou não sujeições de IMT) mais altos do distrito de Santarém, as taxas municipais e a água estão no top cinco do país em termos de custo para os Cidadãos; acrescendo a isto uma taxa de desemprego sempre a subir e que ronda os 22%,, ou seja muito acima da média nacional e só por isso preocupante, mas o mais grave é que não existe renovação do tecido empresarial e empregador, sendo claro que desde 2005 a percentagem de população ativa no concelho tem diminuído cerca de 0,5% ao ano, com um claro agravamento desde 2012 em que o ritmo de diminuição aumentou para 1% ao ano e em 2013 e 2014 com 0,2 % ao MÊS, ou seja em cada mês que passa, desde 2013 até hoje, 25 pessoas do concelho de Almeirim ficam desempregadas.
Pior, na Educação estamos perante um desastre completo, por parte deste executivo e dos responsáveis diretos, seja a responsável política (que é a mesma do executivo anterior), seja da Direção do Agrupamento de Escolas do Concelho de Almeirim. A verdade é que estamos perante os piores resultados de sempre do concelho de Almeirim nos rankings de resultados – penúltimo lugar nos concelhos do Distrito de Santarém – e o mais grave, nem uma palavra, nem uma ideia nova e nem uma explicação pública que, não justificando o mísero trabalho efetuado, daria, pelo menos, a entender que havia atenção e se tentaria fazer melhor e diferente.
Quanto à Saúde mais um desastre coberto de medidas avulso mas sem estratégia ou consequência. Na verdade, em vez de se adquirir edifícios para sustentarem megalomanias e futuras reportagens de jornais locais e TV´s pagas por nós e para pura propaganda, era mais urgente o investimento em médicos e pessoal de enfermagem contratados e pagos pela Câmara, se necessário.
São estes factos que queremos alterar, para que o Sr. Presidente não venha afirmar que não existem verbas para o asfaltamento da Estrada Gagos-Gouxa e depois exista uma adjudicação direta, por mais de 28000 euros e a uma empresa de Lisboa, de um projeto de execução de uma ponte sobre a vala em Benfica do Ribatejo, sem que haja quaisquer data para o início da obra ou quantificação do valor de custo da construção dessa ponte virtual.

Porque se afastou do PS?
O meu afastamento teve origem em inúmeras razões, umas pessoais e que só a mim dizem respeito e outras de cariz político, tais como sejam o desrespeito pelos militantes de Almeirim ao impor um Presidente da Concelhia vindo de Santarém e já antecipadamente definido como líder da bancada socialista na Assembleia Municipal; a preocupação constante e obsessiva em manter a maioria, sem se preocupar com a realidade do Concelho e com a diminuição drástica da população em idade activa (25 anos aos 55 anos), contrabalançada negativamente pelo aumento da população reformada e aposentada, assim como da população carenciada e que está abaixo do limiar de pobreza e o aumento brutal dos cidadãos dependentes do RSI e dos Contratos via Centro de Emprego; o não concordar com as aquisições de prédios supérfluos ao funcionamento da Câmara e do Concelho e que acabam por não permitir a diminuição de impostos a cobrar aos Cidadãos, enfim um rol grande de causas em que a gota de água foi a eleição do novo secretário-geral do PS e a escolha por este feita quanto aos seus camaradas que compõem o seu núcleo duro.

Teme ser expulso do PS ou auto-excluiu-se?
Não temo, nem posso ser expulso, uma vez que desde 28 de Outubro de 2014 transmiti aos órgãos competentes a minha renúncia a militante do Partido Socialista de forma, esta sim, irrevogável.

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