Guerras políticas prejudicam. Benfica regressa ao Distrital

A equipa do Benfica do Ribatejo está de regresso aos Campeonatos organizados pela Associação Futebol de Santarém. Hugo Vieira vai ser o treinador e numa grande entrevista fala até dos problemas que as políticas têm trazido.

Que balanço faz da época que findou há alguns meses?
Para nós, o balanço foi positivo. Apesar de não termos conseguido o objetivo principal, que era ir à Final do Campeonato da INATEL, fomos à final da Taça e perdemos, mas acabámos bem a época, acima de tudo. Quando entramos é para ganhar, e não conseguimos, mas ninguém se magoou e continuamos todos amigos, por isso acho que o balanço é positivo nesse sentido.

No plano desportivo, o que é que falhou para a equipa não ter conseguido o primeiro objetivo de estar na final?
Falhou não ganharmos nos pénalties ao Almoster. Acho que foi o que falhou, porque fizemos um jogo em cima deles, a época estava a correr bem, tínhamos ido à final, para mim perdemos injustamente, e isso é sempre negativo para qualquer equipa. A malta estava bem, tínhamos pernas, estávamos bem fisicamente, e só perdemos nos penalties, nada mais que isso.

Não sei se concorda, mas tão importante como os resultados desportivos, é a estabilização. No passado houve enorme instabilidade do clube em torno da direção. E parece que vocês têm criado agora um núcleo mais estável.
Sim, pelo menos desde há três ou quatro anos para cá, sabemos com o que contamos de um ano para o outro, não estamos sempre na dúvida se as pessoas da direção irão sair, não temos aquela fase de não saber se vai continuar ou não. Graças a Deus, pelo menos nestes últimos 3 anos que estive à frente da equipa, juntamente com as pessoas que estão comigo e atrás na estrutura, tem corrido tudo bem. E se não houver nada em contrário até ao final da época, correrá tudo bem. Ainda temos apenas Comissão Administrativa, mas estamos a pensar formar mesmo uma direção este ano. E no próximo ano, então, partir para umas eleições, para ver se alguém quer entrar ou não. Não vamos andar a arrastar mais anos, porque pode haver alguém de fora que queira entrar.

Também se tem falado muito que é possível que a equipa, no próximo ano, jogue no Campeonato Distrital da Associação de Futebol de Santarém. Isso é só uma hipótese ou é já uma certeza?
Comigo nunca há hipóteses, ou é dito e feito, ou então nunca é dito. Posso afiançar que comigo à frente de Benfica do Ribatejo, vamos entrar na segunda Distrital.

Porquê esta mudança?
Porque estou farto de INATEL, entre aspas, porque tenho lá pessoas amigas e dou-me bem com todos eles. Mas estou farto de, ao longo destes anos, quando chega a fase complicada, é sempre a prejudicar para Benfica do Ribatejo. E não digo isto por ter perdido este ano ou no ano passado. Acho que Benfica do Ribatejo não deve lá nada e estou farto de ser prejudicado na INATEL. E não quer dizer que, na Distrital, não seja prejudicado na mesma. A questão é que meti na ideia que queria levar esta equipa à Distrital, e vou conseguir, é um objetivo firme.

A equipa já está a começar a ser desenhada?
Já. Felizmente, só houve três saídas, há um ou dois com os quais já não contava para o Distrital, e tenho cinco reforços… está mais ou menos tudo planeado, só me falta um ou dois jogadores, mas também não tenho pressa. As pessoas pensam que vêm para Benfica do Ribatejo e têm de ganhar dinheiro, porque estão fartos de ouvir dizer que os outros ganham 300 ou 500 euros, mas para isso têm de ir para uma Segunda B. Acho que nem o Fazendense nem Almeirim estão a pagar esses valores, por isso como é que Benfica do Ribatejo poderia fazer isso? Essa ideia é impensável.

Porque é que acha que essa ideia existe?
Não sei, se calhar porque também alimentámos isto, porque Benfica do Ribatejo paga o combustível aos jogadores. As nossas condições passam por um campo pelado, umas pedras incluídas, temos balneários que não são maus, e temos uma sede. Se houvesse ali um sintético, se calhar não era preciso estar a oferecer o gasóleo aos jogadores, porque no tempo em que ando a telefonar para juntar 20 ou 22 jogadores, nessas condições teria 30 e teria de mandar alguns embora. Hoje em dia, a malta mais jovem puxa mais para jogar em sintéticos ou relvados, e é isso que nos faz falta, para a direção deixar de se preocupar em encontrar jogadores para Benfica. Este ano já estão confirmados mais alguns jogadores, que vão assinar contrato nas próximas semanas.

Pela questão do sintético, vão jogar em Benfica do Ribatejo, ou admite jogar no Estádio Municipal de Almeirim?
Vamos jogar no nosso campo. E o nosso pelado vai ser, talvez, a morte de muitas equipas adversárias. Em Benfica temos 30 ou 40 pessoas garantidas a assistir ao jogo, e se fôssemos para outro sítio, só teríamos cerca de 10 pessoas a ver. E essas 30 ou 40 pessoas fazem falta ao clube, porque pagam os bilhetes e bebem qualquer coisa no bar. E acima de tudo, vamos jogar em casa. Mas vamos treinar no sintético de Almeirim pelo menos uma vez por semana, para nos adaptarmos aos jogos fora, apesar de que acreditar que qualquer pessoa que jogue bem futebol, sabe jogar em qualquer sítio.

Há já vários campos sintéticos no concelho, falta apenas a Raposa e Benfica do Ribatejo. Acredita que, com este trabalho, e com a passagem para o Distrital, o sintético possa ser uma realidade a médio/longo prazo?
Eu quero acreditar. Dizem que é um sítio difícil por ser leito de cheia, mas as obras fazem-se. Eu acredito que, neste momento, Benfica do Ribatejo não tem um sintético devido às guerras políticas, porque um dos partidos pede um campo para um sítio, outro dos partidos faz o projeto para outro local, depois há um vaivém de ideias e de partidos políticos, e é a freguesia que perde com isso.
Nós andamos nisto há 12 anos, mas eu mudei para a Distrital porque estou aborrecido com INATEL, não foi com o intuito de ganhar um sintético.

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