Francisco Cunha dos relvados para as passereles

No futebol foi um dos mais promissores jogadores da região. Jogou com alguns dos nomes mais sonantes. como Cristiano Ronaldo. Hoje dedica-se à moda e também com enorme sucesso. Francisco Cunha em entrevista destaca como momento mais marcante a estreia na moda Lisboa.

Como surgiu a moda na sua vida?
Na verdade a moda foi algo que nunca imaginei que viesse a fazer parte da minha vida. Um dia estava em casa e fui contactado pelo Nuno Gama, a convidar-me para um desfile na Moda Lisboa. Inicialmente não quis acreditar mas depois tudo se tornou uma realidade, que mudou até certo ponto, a minha vida.

Quando é que percebeu que podia apostar nessa área?
No fim do primeiro desfile da Moda Lisboa, ao pegar no meu telemóvel, nunca imaginei que esse mesmo evento pudesse ter um impacto tão grande na vida de um modelo, a partir desse dia surgiram várias abordagens e convites para projetos. Foi talvez aí que percebi que podia dedicar algum tempo da minha vida a esta área.

O que representa para si desfilar para o Nuno Gama?
O Nuno Gama é sem dúvida um dos maiores estilistas e criativos do nosso país. Sabendo que em inúmeros manequins em Portugal, eu ter vindo a ser sido escolhido para dar vida às suas coleções, é algo que me motiva e que me deixa realizado nesta área. O Nuno Gama é um dos grandes responsáveis por eu estar neste mundo e por eu estar a dar esta entrevista, estou-lhe muito grato.

Quais as suas ambições neste meio?
Não lhe quero chamar ambições, mas sim objetivos. Esses objetivos passam por aprender cada vez mais e dedicar-me, para que possa evoluir. Como qualquer modelo, gostaria de fazer algo a nível internacional, mas vamos dar tempo ao tempo e aguardar o que a vida nos reserva.

A família apoio-o nesta área?
Sou muito ligado à minha família, são aquilo que mais amo na vida. Felizmente sempre me apoiaram em tudo e me motivaram a lutar por aquilo que quero. A eles um agradecimento muito especial.

Teve que alterar muito a sua vida para apostar na moda?
Quando se quer uma coisa, há que fazer alguns sacrifícios. Mudei um pouco o meu hábito alimentar e intensifiquei a minha prática desportiva. A nível estético tive de fazer alguns reparos mas nada demais. Resumindo, o nosso corpo é a nossa ferramenta de trabalho, por isso, temos que preservá-lo e cuidar dele como tal.

Até na comida? Há a ideia que os modelos quase não comem …
Pegando um pouco no que já respondi anteriormente, e não só nesta área, quando pretendemos um objetivo que passe por um corpo mais cuidado, temos de fazer alguns sacrifícios alimentares. Essa ideia de que os modelos quase não comem, comigo não encaixa, até porque sou ribatejano e comer a nossa comida é um dos meus maiores prazeres.

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O que é preciso ter para ser um bom modelo?
São precisos como em tudo na vida, alguns valores. Humildade para aprender, vontade e dedicação para trabalhar e respeito pela área e pelas pessoas que fazem parte dela. Penso que isso é a chave para ter sucesso em qualquer área.

O Francisco teve na formação um percurso muito promissor ao ser jogador de Sporting e e Benfica. Que memórias tem desse tempo?
Guardo desse tempo memórias fantásticas. Sinto-me um privilegiado por ter jogado em dois clubes dessa dimensão. Fez-me amadurecer mais rápido, permitiu-me fazer aquilo em que eu mais gostava, que era a jogar futebol e fez-me também crescer como pessoa. A maior herança que tenho do futebol são os bons amigos que ganhei para toda a vida.

Foram os problemas nos joelhos que lhe retiraram a possibilidade de ser profissional?
É difícil responder a esta pergunta. Quando me lesionei estava a atravessar um grande momento, perspetivavam-se coisas boas mas a única coisa que tenho a certeza é que as lesões me retiraram a possibilidade de tentar ser profissional.

O Francisco chegou a ser colega de Cristiano Ronaldo. Já na altura ele era diferente?
Ter sido colega, partilhar balneário, jogar na mesma equipa e jogar contra àquele que viria a ser o melhor jogador do mundo e o melhor jogador português de todos os tempos, é um motivo de muito orgulho porque sinto que lá no ínfimo também pude contribuir para que ele pudesse ser o que é hoje. O Cristiano era muito diferente de todos isso notou-se logo na primeira vez que treinamos juntos.

O Cristiano chegou a estar consigo em Alpiarça?
Sim, o Cristiano veio várias vezes a Alpiarça ficar a casa dos meus pais. Na altura tínhamos uma relação muito chegada.

O facto de ter ido para o Benfica afastou-nos um pouco. Ainda hoje mantém contacto?
Hoje em dia não mantenho um contacto diário com ele, mas já tive várias vezes com ele depois dele ter atingido o estrelato e a relação apesar de não ser tão próxima, ainda permanece.

O seu pai foi candidato as eleições autárquicas em Alpiarça. O Francisco também chegou a envolver-se. Acha que o seu pai dava um bom presidente?
Sem dúvida alguma que sim. Não penso isto pelo facto de ser meu pai, mas sim, porque o conheço bem e sei da sua capacidade de trabalho, da sua experiência de vida e acima de tudo, do seu amor por Alpiarça. O meu pai não venceu as eleições mas fez um excelente trabalho e como líder que é, conseguiu reunir uma equipa e um conjunto de pessoas, sem segundas intenções e sem amarras partidárias. Pessoas apenas preocupadas com Alpiarça e com o seu desenvolvimento. Infelizmente a minha terra está cada vez mais envelhecida e deserta. O atual executivo não tem ideias nem capacidade para dar a volta à situação, quem controla Alpiarça é o comitê central do partido comunista, ou seja, Alpiarça é gerida por pessoas que não a conhecem. O meu pai tenta lutar por Alpiarça diariamente e não tenho dúvidas nenhumas que irá acabar por conseguir dar um destino melhor à minha terra.

Espera que o seu pai volte a candidatar-se em 2017?
Eu gostava que isso acontecesse, não só pela sua enorme capacidade de liderança, mas também, porque sinto que dentro do atual quadro político de Alpiarça, é a pessoa mais capaz para gerir os destinos da nossa terra.

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