Bruno Saavedra regressa “a casa” para mostrar obras

Bruno Saavedra inaugurou a exposição FLAVORS. Em entrevista ao site de O Almeirinense, Bruno revela muitas curiosidades na “nova vida”.

Como surgiu o gosto pela fotografia?
Desde cedo a fotografia surge nos meus desejos, talvez por volta dos 9/10 anos. Lembro-me de colocar um lençol branco como fundo e pedir à minha irmã para posar como modelo, eram horas de sonho e fantasia. Ainda hoje quando revejo essas fotografias lembro quanto era divertido e fantástico.

E expor em Almeirim? É mais ou menos um “regresso” a uma segunda casa?
Para mim é um privilégio fazer a minha primeira exposição em Almeirim. É como regressar a casa e voltar atrás no tempo para reviver sensações, cheiros, lugares e sabores. Tenho parte da minha família e grandes amigos aqui, por este motivo o Ribatejo faz parte de mim. Faz todo sentido trazer um pouco do meu trabalho e dar a conhecer a estas pessoas que tanto me estimam. Almeirim foi onde consegui o meu primeiro trabalho fotográfico, trabalhei para o fotógrafo Alberto Silva nas Festas da Cidade e a fotografar clientes no Restaurante O Toucinho, na altura era muito novo, e não tinha muita experiencia, mas mesmo assim o Alberto Silva apoiou-me ajudando a dar os primeiros passos de uma forma mais profissional.

Qual foi a reação que teve do vereador quando apresentou o portfólio?
Quando pensei em fazer uma exposição em Almeirim, fui falar logo com o vereador Eurico Manuel Lopes Henriques, responsável pelo pelouro da Cultura, que  recebeu a minha ideia de “braços abertos”. Na altura apresentei um outro projeto autoral denominado “Possibility”. Entusiasmado, marcou logo uma data. Ter o apoio da Camara Municipal de Almeirim, para mim é muito importante e gratificante.

E o que vai mostrar nesta exposição?NF1A1991
Vou trazer para Almeirm o projeto FLAVORS, um conjunto de 30 fotografias que começaram a ser feitas em Janeiro de uma forma experimental. São imagens de corpos envolvidos em ingredientes culinários, que se movem em torno do universo que cada modelo escolheu naquele momento para o tempero da sua carne. O seu olhar, a expressão do rosto, das mãos, do corpo são a apresentação de um ser feito alimento. Num espaço branco com uma “janela de luz”, cada uma e cada um sente a sua pele – toca-lhe, cheira-a, prova-a. Com ela combina odores, texturas, sabores que a temperam e a transformam num objeto novo, sedutor ou apenas provocador, manchado ou abjeto, mas sempre sensual. A exposição desenvolve-se em torno dos sabores e alimentos do dia-a-dia, procurando “chamar à atenção, de uma forma artística, para todos desperdícios alimentares no mundo”. Procurei usar alimentos que estavam fora do prazo de validade, assim reutilizando de uma forma artística tudo aquilo que se transforma em lixo.

A apresentação terá uma surpresa?
No dia da inauguração o público presente poderá sentir, e provar alguns sabores e experiências alimentares. E ainda vão poder ouvir e sentir o FADO. Haverá um apontamento deste género musical, que aprendi a gostar durante todos este anos a viver em Portugal. Desafiei alguns dos artistas residentes da famosa Casa de Fados  “Parreirinha de Alfama”, que  logo aceitaram.  Na guitarra portuguesa vamos ouvir  Paulo Valentim e na viola de fado  Bruno Costa. A jovem fadista Joana Veiga cantará para todos nós.

No plano mais pessoal: Quem é o Bruno Saavedra?
Difícil pergunta que me acompanha a cada momento. Quem sou eu? Acredito ser uma pessoa simples cheia de sonhos por concretizar.

Como começou a fotografar?
Sempre fotografei. Sempre sonhei com a possibilidade de ser fotógrafo. Nem sei viver sem uma máquina fotográfica por perto.

O que gosta mais de fotografar?
Principalmente gosto de fotografar pessoas, procuro descobrir e mostrar os resguardos das vidas que me cercam, procuro a luz que cada um de nós irradia. Fotografia é luz e sem luz não conseguimos sobreviver.

O que faz profissionalmente?
Neste momento dedico-me inteiramente à minha formação profissional. Colaboro com um grupo de teatro em Oeiras: O Teatro Nova Morada e realizo projetos fotográficos e editoriais de moda para algumas revistas.

Um dia quer viver da e para a fotografia?
Viver da fotografia penso não ser fácil. Acredito em mim e no meu trabalho, apesar das barreiras que vou encontrar pelo caminho. Acredito no futuro, quero conseguir.

.