“Desde 2009 que nada faz para captar investimento”, diz Pedro Gaspar

Pedro Gaspar é engenheiro eletromecânico e o vereador do PS na Câmara de Alpiarça. Nos tempos livres gosta de estar com os filhos:”São a minha alegria e a minha força”, confessa. Também gosta imenso de praticar desporto, fazendo ginásio ou um trilho na floresta, por exemplo os locais de meditação. Escrever é das principais fontes de tranquilidade, e nesta fase está a ler “O Caminho menos Percorrido” de Scott M. Peck. Ao mesmo tempo está a ler a primeira obra do irmão, Vasco Gaspar, o livro “Aqui e Agora”. Ao Alpiarcense centramos a conversa pelo lado político, com análise aos dois anos como vereador e projetando o que aí vem.

As pessoas na rua questionam-se sobre assuntos da autarquia? Como lida com essa exposição?
Sim, naturalmente. E é muito salutar que o façam. A participação dos cidadãos enriquece o exercício democrático. Acresce que, quanto maior for o contacto maior é a nossa perceção dos anseios das nossas gentes. Ficamos todos a ganhar. Não é possível representar bem os cidadãos sem um contacto assíduo e de proximidade. Deixo, então, esse desafio ao atual executivo.

Em 2013 apresentou-se com o objetivo de “reconquistar” a autarquia liderada pela CDU. A esta distância consegue perceber o que se passou para não ter atingido o objetivo?
A reflexão é um exercício fundamental. Tanto quando se perde, como quando se ganha. Assim como assumir as nossas responsabilidades. Assumir a derrota foi o primeiro passo que dei. Com o tempo vamos analisando de forma mais fria todas as circunstâncias que ditaram o resultado final. O executivo CDU cumpria o seu primeiro mandato e ainda não havia sofrido qualquer desgaste. Escondiam-se atrás da “dívida do PS” e as pessoas iam acreditando na história do desgraçadinho. História essa que continua nos dias de hoje e que serve como capa para a incapacidade deste executivo para dinamizar e modernizar.

Ter perdido um vereador foi resultado de quê?
Foi o resultado do fracionamento do eleitorado tradicionalmente afeto ao PS. O aparecimento de uma candidatura mais à direita constituída por várias personalidades ligadas à esquerda foi determinante. Francisco Cunha granjeou do apoio de um partido tradicional, o PSD, e conseguiu ainda congregar várias personalidades da esquerda. O Ex-Presidente da Assembleia Municipal, Mário Santiago que havia sido eleito pela CDU e o Ex-Presidente da Concelhia do PS, António Moreira, são os dois casos paradigmáticos. Dessa forma, o eleitorado que procura uma alternativa à CDU dividiu-se, literalmente. O PS conseguiu, à semelhança de 2009, ser o segundo Partido mais votado mas acabou por perder um Vereador. De notar, no entanto, que o Vereador foi perdido para o TPA e não para a CDU que também baixou o seu número de votos.

Que balanço faz destes quase dois anos de mandato?
Têm sido os anos das “carpideiras”. O executivo da CDU limita-se a chorar a dívida que o PS, supostamente, deixou em 2009. O primeiro apontamento é que estamos em 2015. Passaram já 6 anos desde que este executivo tomou posse e a cassete continua a mesma. Sem iniciativa, sem rigor e na ausência de isenção, vão gerindo o Plano de Saneamento Financeiro que eles próprios pediram. Temos assistido ao encerramento ou deslocalização de empresas e fábricas. O caso da Renoldy foi o mais visível. Mas muitos agentes económicos vão definhando e não encontram na Câmara Municipal qualquer tipo de apoio ou resposta. Os produtores de melão, por exemplo, a quem foi prometido na campanha eleitoral a criação de uma associação e a dinamização da sua atividade continuam à espera e a vender o seu produto a preços ridiculamente baixos. Há quem preveja a extinção da atividade e a Câmara vai assobiando para o lado. Em termos de gestão interna, são muitas as vozes que falam de funcionários prejudicados ou acossados por não serem afetos à CDU. Este fator tem criado um péssimo ambiente entre os funcionários da autarquia e a consequente desarticulação dos serviços. Veja-se a confusão que tem sido a Recolha de Resíduos Urbanos. Sucessivas queixas de munícipes sobre a deficiente recolha de lixos. Existem ainda problemas resultantes de uma política de varrer os problemas para debaixo do tapete. A Albufeira dos Patudos foi palco da mortandade de milhares de peixes e é um potencial problema de saúde pública e a única que resposta da CMA é que anda a ver se consegue uma candidatura aos fundos europeus. No que concerne ao balanço que faço do meu trabalho enquanto Vereador eleito, prefiro que sejam os meus concidadãos a avaliar o mesmo. Trabalho afincadamente em conjunto com os meus camaradas do PS para representar todos os Alpiarcenses o melhor possível naquilo que são os seus legítimos anseios de ter uma Câmara que os deveria governar bem e com isenção. O que, claramente, não acontece. Fiscalizamos o trabalho do executivo. Está provado, nestes últimos 2 anos, que a oposição nem deve apresentar propostas porquanto as mesmas nem sequer são tidas em linha de conta.

O que podia a maioria CDU ter feito de mais e melhor?
Este executivo peca por estar inanimado. Faz uma gestão da autarquia como se fosse uma repartição pública. A CDU, que tanto protesta contra os governos centrais pela falta de autonomia que têm as Autarquias Locais, tem neste executivo o aluno perfeito do regime. Limita-se a fazer gestão corrente da tesouraria, a enviar relatórios do PSF para os credores e estar fechada nos gabinetes. Ao não dinamizar, ao não fazer investimento, ao não contactar com as pessoas, ao não ir bater às portas dos Ministérios está a corporizar essa falta de autonomia.
Acresce que esta autoclausura no gabinete, obcecada com as redes sociais, está a fazer com que os Alpiarcenses se sintam abandonados numa terra cada vez mais ao abandono.

A CDU chega a dizer que está muito condicionada pela herança, principalmente no plano financeiro?
A herança é um mito que a CDU criou para justificar a sua incapacidade de gerir o Município. O PS quando iniciou a sua governação em 1998,também, herdou a dívida que a CDU havia deixado. E essa dívida não era tão pequena quanto isso. A gestão da dívida de um Município é uma das competências que qualquer executivo deve ter. O PS geriu a dívida deixada pela CDU em 1997 e conseguiu dinamizar o Concelho fazendo-o dar o maior salto qualitativo dos últimos 40 anos. A CDU decidiu recorrer a um Plano de Saneamento Financeiro. Outras Autarquias fizeram o mesmo. Mas nem todas deixaram de investir na sua terra nem todas deixaram de trabalhar na modernização, desenvolvimento, proximidade à população e interação com os agentes económicos e culturais.

Na campanha de 2013 disse que “vamos investir na recuperação e captação de investimento para o concelho de Alpiarça, município que tem regredido progressivamente com a atual gestão comunista”. Isso tem sido feito? Como se podia ter feito?
A CDU nada tem feito nesse sentido. E desde 2009 que nada faz para captar investimento. Tem acontecido, infelizmente, o inverso. O caso da Renoldy, que já referi anteriormente, é o caso mais visível. Mas existem muitos outros. Em Alpiarça há sempre a sensação que estando a CDU no poder existe a prioridade de afastar e desincentivar o investimento privado.
O PS criou todas as condições para dinamizar a economia local. A estas condições locais, foram criadas pelos vários Governos as infraestruturas viárias que nos aproximaram da capital do País. Dou-lhe um exemplo. Hoje em dia, com o avanço das Tecnológicas, podemos desenvolver trabalho em qualquer local. Alpiarça tem a proximidade a Lisboa, as escolas, as infraestruturas de lazer, culturais e desportivas que estes profissionais sonham para si e para os seus filhos. Temos todas as condições para receber estas empresas que a par das que já foram captadas no tempo do PS dariam um grande impulso ao comércio local. Acresce que a vinda de novas pessoas iria dinamizar o mercado de habitação promovendo a Reabilitação Urbana. Mas para isso é preciso promover Alpiarça. Sair dos Gabinetes e dar a conhecer a nossa terra. Mas tenho para mim que este executivo não está nada interessado em trazer novas pessoas para Alpiarça.

Também chegou a defendeu ainda a “recuperação e promoção do património arqueológico e museológico” de Alpiarça. Como?
Não acha que tem sido feito alguma coisa nesta área?
A sensibilidade deste executivo para estas matérias é praticamente nula. Temos um património vastíssimo. Como exemplo, teremos sido dos primeiros locais habitados em comunidade na Península Ibérica. Nunca houve qualquer tipo de atividade promovida por este executivo no sentido de dar a conhecer este património.

Continua a achar que deve existir reforço de competências para a freguesia de Alpiarça?
O que realmente importa é servir bem os cidadãos. Apenas temos uma Freguesia. Somos um dos quatro concelhos a nível nacional que tem apenas uma Freguesia. Alguém verdadeiramente está preocupado com quem faz o quê? O importante é que seja feito.
São constantes as divergências acesas entre Mário Pereira e Francisco Cunha. Esforça-se para se manter à margem?
A minha postura é de estar concentrado na defesa dos interesses dos Alpiarcenses. Entro nas discussões que considero pertinentes. Respeito todos os membros do executivo e não faço esforços. Cumpro a minha missão com muito gosto.

Não acha que dá má imagem do concelho?
Presumo, com toda a modéstia, que esta pergunta não seja para mim.

Quer ser de novo candidato daqui a precisamente dois anos?
Estou ao serviço da minha terra e das minhas gentes. Sou militante do PS e, nesse particular, tenho os meus deveres. Será candidato aquele que mais condições reunir para gerir a Autarquia. As vontades e caprichos pessoais apenas inquinam a gestão da coisa pública, seja numa autarquia ou seja num Governo da Nação.

 

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