“Claro que cometi erros, mas quem não os comete com aquela idade.”

Do passado mais recente, João Costa foi uma das grandes promessas do futebol do nosso concelho. Jogou no Benfica e todos acreditavam numa carreira profissional. De repente, o desaparecimento comum a outros tantos jovens talentosos. Mas porquê?!

João, o que o fez voltar ao futebol de 11?
Bem, voltar ao futebol de 11 já era a minha vontade há mais tempo, não foi por falta de convites que não voltei mais cedo mas sim porque achava que ainda não era a altura certa. Pode-se dizer que o facto de o futsal (União de Almeirim) ter terminado facilitou a minha decisão, pois desde logo recebi o convite para fazer parte do plantel sénior (futebol 11) algo que não podia recusar pois envolvia pessoas que adoro e que fazem parte da minha vida… André Mesquita, Fraga entre outros grandes nomes que estão ligados ao União.

Está a gostar deste regresso?
Ai sim, estava na hora de fazer o que mais amo e que tantas saudades eu tinha. A motivação para jogar futebol de onze está no meu sangue, como disse na pergunta anterior é a jogar futebol 11 que me sinto bem, motivado, feliz, sinto-me como um peixinho na água, ser na 1ª distrital é coisa que não me incomoda pois tinha perfeita noção que tinha estado quatro anos afastado dos relvados. E para mim representar o União de Almeirim é um grande orgulho! Este regresso está a ser maravilhoso, mais feliz era impossível e isso tenho que agradecer aos meus familiares, namorada, companheiros, à direção e aos treinadores por não terem tido medo de apostar em mim visto que me encontrava há algum tempo a jogar futsal.

Custou-lhe muito voltar?
Não me custou nada voltar, pois como disse era um regresso que já estava planeado, tinha apenas receio de algumas situações relacionadas com o futebol de 11 que nada têm a ver com o futsal mas tudo isso consegui ultrapassar mais uma vez com a ajuda deste grupo maravilhoso.

Gostava de recuar um pouco mais. Que memórias tem da sua juventude no Benfica?
As minhas memórias no Benfica…. Tanto que tinha para contar, mas basta dizer que foram anos maravilhosos, onde aprendi muito e fiquei a saber realmente o que é o futebol 11, uma realidade completamente diferente onde a concentração têm que estar sempre a 100%. As melhores memórias que tenho são aquelas que ainda fazem parte do meu eu, o esforço dos meus pais, o carinho das minhas irmãs e os meus amigos, que sempre me motivaram para ser o melhor!

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Como foi na altura para o Benfica?
A minha ida para o Benfica deve-se a uma excelente época que faço no União de Almeirim onde fomos campeões distritais de infantis com 22 jogos, 22 vitórias, 143 golos marcados e zero sofridos. Ai comecei a ser chamado à Seleção Distrital de Santarém onde num dos jogos fui surpreendido pelo senhor Tamagnini Nené para ir fazer uns treinos ao clube do meu coração. E assim foi, fui… treinei… dei o meu melhor e assinei contrato pelo Benfica. Representei o Benfica durante cinco épocas nos Infantis, Iniciados e Juvenis… Três campeonatos nacionais.

Que apoio teve da família? Em particular o pai?
Na altura o centro de estágio estava lotado de jogadores por isso tive que fazer esta viagem todos os dias durante cinco anos. Foram cinco anos de viagens com o meu pai, visto que a minha mãe não podia ir pois o negócio que têm não lhe permitia, mas nos dias de jogo lá estava ela pronta para me acompanhar para mais um desafio. Tenho perfeita noção que foi um esforço enorme dos meus pais pois na altura as minhas irmãs também estavam na Universidade. Tanto eu como elas nunca iremos esquecer o esforço deles, são os nossos heróis.

Alguma vez pensou ser guarda-redes?
Ser guarda redes nunca me passou pela cabeça, apesar de saber que tinha em casa um guarda-redes de enorme qualidade, sempre gostei mais de fazer golos.

Que conselhos lhe dava o pai?
O meu pai sempre me deu os melhores conselhos do mundo, alguns difíceis de perceber, mas com o passar dos anos percebi que realmente ele tinha razão em tudo o que me dizia… Ainda hoje o conselho dele é muito importante para mim não só na bola como na minha vida pessoal.


Pai a torcer

Muito provavelmente João Costa herdou do pai Francisco o gosto pelo futebol. Se um tinha talento para a baliza, o filho teve e tem um jeito especial para jogar com os pés e cabeça levantada. Começou, com o pai, a jogar no pelado do Campo D. Eugénia Manuel, mas ainda muito jovem o outro Benfica, o da 2.ª circular, viu nele potencialidades fora do normal. O pai, Chico, como é conhecido fez com João o caminho todos os dias para os treinos e diz que “fiz o normal. O que qualquer pai fazia”. Sobre o rápido desaparecimento da alta roda, Francisco diz que “é difícil explicar porque vi-o treinar todos os dias durante quatro anos e depois desapareceu. Tal com tantos outros desapareceram e hoje só me lembro do Sílvio, Miguel Vitor e Miguel Rosa…“ Quando este ano soube que o filho ia voltar ao futebol de 11, Chico Costa confessa que ficou muito contente: “Eu tinha pena de ele estar no futsal. Ele tem muita precisão no passe e o jeito está lá, agora só precisa de voltar a ganhar ritmo”.


 

O que aconteceu para que não conseguisse ficar no SLB ou atingir um patamar de profissionalismo?
Não penso muito no porquê de não ter ido mais além no futebol, talvez para me proteger um pouco do que era o meu sonho… Fico feliz pelos meus colegas que conseguiram atingir outros patamares tais como Miguel Rosa, Miguel Vitor, Rui Patrício, Pereirinha, Tengarrinha, Kay, Sílvio Sá Pereira entre outros enormes jogadores que ainda hoje mantenho uma boa relação.

Cometeu erros?
Claro que cometi erros, mas quem não os comete com aquela idade.

Deslumbrou-se?
Deslumbrei-me!? Talvez um pouco, não direi que não, torna-se complicado para um miúdo daquela idade perceber que tudo pode terminar, na altura o vedetismo, entre outras coisas! Somos novos e não estamos preparados para tais situações.

Hoje sente nostalgia por ter estado perto e não ter conseguido?
Sim, hoje sinto que podia ter ido mais além no mundo do futebol mas se assim não aconteceu foi porque não tinha de acontecer.

Quem era o seu ídolo?
O meu ídolo é, foi, e sempre será o meu pai. Na bola tenho como exemplos Rui Costa e Zidane.

Depois da experiência Benfica, por onde andou?
Quando saí do Benfica vim para o Fazendense, na 3ª Nacional, clube que tenho muito gosto em ter representado pois tenho uma grande amizade com o senhor Botas Moreira. De seguida fui fazer o campeonato Nacional de Juniores ao Estoril Praia, depois disto tive uma passagem pelo Benavente e pelo Coruchense, onde deixei grandes amizades para o resto da minha vida.

Porque optou também pelo futsal?
O futsal apareceu passado um ano de ter deixado o futebol 11, tinha saudades de jogar à bola e aceitei vir jogar para Almeirim na altura a convite do Sr José Senhorinho. Algo que não me arrependo nem um pouco que seja, pois passei grandes momentos e fiz maravilhosas amizades tanto com jogadores como treinadores, não me esqueço de ninguém que passa pela minha vida desportiva, seja pelos bons ou maus motivos, deixam sempre a sua marca.

Vai jogar até que idade?
Vou jogar até conseguir, até ter forças pois a vontade e o querer estão sempre cá.

E depois ?
E depois!?!?!?!? Com lágrimas nos olhos responde te assim amigo…. Nem quero pensar nisso… Mas continuarei sempre a jogar à bola que é a minha grande paixão.

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