“Equipa a tempo de voltar aos lugares de topo da classificação”

Pedro Nifo abandonou o comando técnico do HC Os Tigres. Os (maus) resultados são apenas uma parte da justificação da saída do técnico. Nifo destaca que sempre contou com o apoio da direção e deseja boa sorte a quem fica.

A sua decisão prende-se com os maus resultados?
A minha saída não está só relacionada com isso, mas por um conjunto de fatores que geraram em mim, um certo desgaste, e também, porque considero que a equipa está perfeitamente a tempo de voltar aos lugares de topo da classificação, uma vez que na prática, deixei a equipa a seis pontos do primeiro lugar e considero que a saída do treinador, poderá gerar um “abanão” positivo para a equipa, mas que só o tempo o dirá.

O que é que no seu entender falhou?
Na minha opinião, a equipa acusou alguma ansiedade na concretização das inúmeras oportunidades criadas nos jogos, porque produzimos sempre em todos os jogos, um grande caudal ofensivo, pecando sempre na concretização. Dentro do grupo de trabalho, tínhamos a perfeita consciência que fomos superiores aos nossos adversários, nas três derrotas sofridas, e que tudo poderia mudar de um momento para o outro.

Quando pediu para sair?
No final do jogo com o Sintra (dia 31 outubro), informei o Presidente da Direção, o nosso Fisioterapeuta João Simões e o Capitão de equipa (Kéké) que ia deixar de ser treinador do HC “Os Tigres”. O Presidente pediu-me que ponderasse melhor a minha decisão e que não decidisse de cabeça quente. Dei o treino da segunda-feira seguinte em Vialonga, tendo comunicado a minha decisão aos restantes elementos do plantel, sendo que, alguns dos quais, transmitiram-me que consideravam a minha decisão precipitada e que na perspetiva deles, não seria a medida mais acertada para a inversão da situação. Na terça-feira seguinte, já em Almeirim, comuniquei e confirmei a minha decisão a todos os elementos da Direção. Isto foi tudo o que na realidade, aconteceu.

Não existia mesmo forma de o Pedro Nifo continuar?
Talvez existisse. Caso eu tivesse sentido uma maior união em torno da equipa e de mim próprio, por parte de toda a envolvência que se começava a fazer sentir em Almeirim, poderia ter aliviado quer o desgaste já sentido, quer o sentimento de injustiça que todo o grupo de trabalho estava a sentir em alguns resultados obtidos, bem como, em alguns castigos aplicados.

Este plantel é mais fraco?
Não, para as exigências da 2ª divisão, o plantel não é mais fraco que o do ano passado para uma 1ª divisão, é apenas mais curto em termos de opções, conforme é do conhecimento geral.

O porquê de tantas mudanças?
As mudanças ocorreram naturalmente e devem ser encaradas como um fim de ciclo para alguns atletas que já estavam no clube há muitos anos, apenas isso.
A Direção apenas me transmitiu que seria necessário proceder-se à renovação do plantel, com a entrada de jogadores mais novos, e foi isso que preconizei com a contratação de jogadores mais jovens que considerei e considero, que nos davam garantias para manter uma equipa competitiva e ambiciosa para disputar o campeonato da 2ª divisão.

A direção chegou a fazer vários comentários sobre disciplina, ou falta dela. Porquê não agiram logo?
São situações já passadas e que não me parece que sejam importantes abordar agora, no entanto, sempre transmiti aos jogadores o que pensava deles, e que não queria acabar a época com quatro ou cinco jogadores de campo, conforme foi apanágio do clube nos anos anteriores. O resto, derivaria do brio, educação e formação desportiva de cada um, apenas isso.

Sente que se criou uma clara divisão entre os que o apoiavam a si e os que apoiavam que saiu?
Sinceramente, não sei se isso foi uma realidade, mas sei, que sempre houve uma relação próxima, entre alguns dos jogadores que saíram e alguns adeptos mais entusiastas, agora, não quero obviamente acreditar, que tenha havido qualquer tentativa de intervenção no maior ou menor apoio que me era dado a mim ou à atual equipa, em função da intervenção de terceiros. Isso será sempre um tema que não poderia afirmar com certeza, no entanto, posso afirmar que no tempo que estive em Almeirim, sempre fiz tudo para servir o clube, e não, para me servir do clube, inclusive, prejudicando por vezes, a minha vida pessoal/familiar e profissional, no entanto e apesar de tudo, posso afirmar que foi uma experiência, um clube e uma cidade que me marcaram pela positiva.

Sempre contou com o apoio da direção?
Sim, sempre contei com o apoio de toda a Direção, a qual, sempre cumpriu com tudo o que acordámos, e tudo tentou fazer para ultrapassar as dificuldades que foram aparecendo.

Sentiu-se traído pelos jogadores do ano passado?
Não tenho por hábito falar em redes sociais e muito menos na comunicação social, sobre hipotéticos problemas internos que possam ter ocorrido nos clubes que represento ou que representei, porque considero que os problemas devem ser resolvidos “dentro de casa”. O que tiver a dizer, e no caso de ter alguma coisa a dizer a alguém, farei sempre diretamente aos visados e nunca por intermédio de qualquer outro meio de comunicação, seja ele qual for.

André Gaspar utilizou as redes sociais para lhe agradecer. Fica a ideia que o Pedro Nifo é uma pessoa correta e bem educada e as vezes diz-se que o Desporto não é para pessoas assim…
Penso que o aludido agradecimento não foi feito pelo André Gaspar, mas sim pelo José Gaspar (Pai). Quanto aos princípios de formação e de caráter pelos quais, norteio a minha forma de estar do desporto, são exatamente os mesmos, que mantenho na minha vida pessoal, familiar e profissional e dos quais nunca abdicarei, independentemente das circunstâncias, porque nunca irei vestir a pele de “camaleão”, em função dos interesses ou dos lugares que estiver a ocupar.
Costumo dizer que “situações difíceis” são algumas daquelas, que lido no exercício da minha atividade profissional, agora os acontecimentos que ocorrem no decorrer de uma época desportiva, são situações que considero normais, embora umas, ligeiramente mais complicadas de gerir do que outras, mas pessoas
bem ou mal formadas, vão sempre existir em todo o lado.

Achou estranho após o desaire com o Sintra um ex-jogador vir arrasar a direção?
Sinceramente não dei muita importância a esse facto, mas efetivamente vieram contar-me alguns pormenores do que foi dito nas redes sociais por um ex-atleta do clube. Acho que vale o que vale, e costumo dizer que as atitudes ficam ligadas a quem as pratica, mas não considero que seja um tema relevante ou importante.

A liderança de Luís Batista não devia ser mais contundente?
Como disse atrás, há princípios que defendo e dos quais não abdico, e um deles é que numa organização desportiva, a Direção está lá para dirigir, o treinador para treinar, os jogadores para jogarem e os restante Staff para executar cada um, as suas tarefas. Na qualidade de treinador do clube só tenho de fazer aquilo que me compete, que é treinar a equipa da melhor forma que posso e consigo, deixando a Direção dirigir, da forma que melhor entende servir os interesses do clube.

Que mensagem deixa ao HC Tigres, jogadores, treinador, sócios e adeptos?
Para o HC Tigres nas pessoas da Direção, só tenho a agradecer todo o apoio que sempre me foi dado e por tudo o que sempre fizeram, para colmatar as falhas e dificuldades existentes, desejando-lhes as maiores felicidades para o futuro e que continuem a gerir o clube com a mesma seriedade e rigor, como têm feito até aqui. Aos jogadores, reitero aquilo que já lhes transmiti quando me despedi deles, no sentido de continuarem a acreditar no seu valor, e o desejo que a sorte e justiça dos resultados possam mudar de um momento para o outro, para mim, foi um prazer e orgulho trabalhar com esta equipa. Ao Diogo Ganchas, desejo-lhe as maiores felicidades e muita sorte no trabalho com este grupo fantástico e apenas um conselho, que se mantenha imune a todas as opiniões e críticas quando estas começarem a aparecer, porque em regra, são feitas por quem, nada percebe da nossa modalidade e da consequente gestão de recursos humanos.
Aos sócios e adeptos quero agradecer os momentos de apoio às duas equipas que liderei, e ressalvar que todas as equipas em qualquer modalidade, necessitam de mais amparo e apoio nos momentos difíceis, por isso, apelo que se unam em redor da equipa e os apoiem incondicionalmente. A vocês, comunicação social local, também quero deixar uma palavra de agradecimento e a sugestão de começarem a realçar mais os sucessos da equipa do que os insucessos, porque certamente poderão ajudar a catapultar os índices motivacionais dos atletas, que dão tudo para representarem bem o clube e a cidade.

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