Bruno Carrapato: “Falhou paciência e apoio da estrutura”

Bruno Carrapato quebra o silêncio para explicar as razões da saída do Fazendense. Fê-lo em exclusivo a O Almeirinense e aponta o dedo à estrutura, ou à falta dela. O jovem treinador não deixa no entanto de desejar boa sorte a quem fica, acreditando muito nos jogadores.

Bruno, porque pediu para sair?
O futebol é assim, não se pode falar em injustiças, apenas as coisas não correram bem ao nível dos resultados, saio de consciência tranquila, sei que dei o meu melhor e estive sempre disponível para o clube. As pessoas neutras que assistiam aos jogos do Fazendense, tem a mesma opinião, exceto na 1ª jornada, em que não estivemos bem, fomos sempre uma equipa ofensiva, que assumia os jogos para ganhar, sabia o que fazia em campo, criava oportunidades para finalizar mas infelizmente não conseguíamos fazer golo, o futebol também é sorte ou azar, no nosso caso senti que alguns jogos não tivemos sorte e se a bola não entra, não se pode ganhar, e se não se ganha coloca-se tudo em causa, comecei aperceber-me que os responsáveis já não acreditavam no meu trabalho.

O que falhou?
Falhou essencialmente paciência e algum apoio da estrutura, depois da 1ª jornada alguém dentro do clube já não queria a minha continuidade, não perceberam que dos 22 jogadores atuais, só transitaram 4 da época anterior e que obrigatoriamente teria que haver uma adaptação dos novos jogadores a uma nova realidade, completamente diferente daquela que tinham vivido na época anterior, a nível de jogo, o que mais me interessa, faltou a bola entrar, eu senti isso, os jogadores sentiram isso, as pessoas que não são maldosas também viram isso, mas não quero arranjar desculpas até porque assumo por completo a equipa não estar na posição em que as pessoas pensam que devia estar.

Devia ter saído logo ou fez bem estar 3 semanas?
Não estou arrependido, a equipa reagiu, começou a jogar melhor, não perde há 5 jogos, e nos 3 últimos empates, estivemos sempre mais próximos de ganhar do que de perder, aqui e muito sinceramente foi o fator sorte que não nos acompanhou, agora não podia era continuar a ser posto à prova de duas em duas semanas, e sem estabilidade para continuar.

E agora o futuro?
Vou aproveitar agora para estar com as pessoas que gostam de mim e que acabaram por ser prejudicadas pelas muitas horas a trabalhar para o clube, não foi fácil ter que ir contratar 18 jogadores, para formar uma equipa competititva e que desse garantias. O futuro será sempre ligado ao futebol, é aquilo que melhor sei fazer e que me dá mais gosto, vou ficar tranquilo á espera de um novo desafio. Infelizmente o que mais me entristece foi de não ter despedido como jogador da forma que tinha idealizado, mas foi a minha decisão e ninguém me obrigou a tomá-la. Neste momento tudo está em aberto.

O presidente defendeu-o sempre?
Fica uma relação de amizade, lealdade e respeito, ele sabe que fui sempre sério, tanto como jogador, como treinador, agradeço a oportunidade que me deu, respeito muito o Fazendense e o Presidente, aprendi ao longo destes anos a gostar do clube e fiz muitos amigos. Foi um clube onde ganhei um campeonato, três Taças do Ribatejo e uma supertaça, formei crianças de 5/6 anos que acompanhei até à minha saída do clube. O mal não vinha do Presidente, mas sim de uma pessoa da direção sem personalidade, caráter e com muita falta de ética, com uma conduta negativa perante mim e que nunca desejou a minha presença como treinador, nunca senti a sua preocupação em ajudar a formar equipa, só o via aos domingos e desde a 1ª jornada que dizia ao Presidente que tinha que mudar, entre outras atitudes, quando existe estas situações dentro de uma estrutura não é facil sentirmo-nos livres para trabalhar e muito menos utéis. A minha dignidade estará sempre acima de qualquer pessoa ou clube.

Que mensagem deixa aos jogadores e adeptos do fazendense?
Aos jogadores já disse o que tinha a dizer, eles sabem os motivos da minha saída e também sabem que desejo o melhor para eles. Aos adeptos quero dizer que acreditem na equipa, os jogadores vão fazer de tudo para que o Fazendense acabe numa posição digna, tenho a certeza disso, não deixem de apoiar porque clube precisa muito. Ao clube desejo as maiores felicidades, como disse anteriormente é um clube que aprendi a gostar e que me proporcionou alguns dos melhores momentos do meu percurso como jogador e só por isso merece o meu respeito.

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