Mesquita afirma que reduziu passivo de 200 para 80 mil euros

O novo Presidente da Direção do U. Almeirim assume pela primeira vez que se não tivesse assumido a comissão administrativa o clube podia ter acabado e revela que nesta altura a divida é inferior a 80 mil euros. Ainda assim há outros aspetos positivos, diz o empresário.

A sua candidatura era algo expectável. Surge na sequência do projeto Viver UFCA?
Claro que sim, quando apresentei o projeto Viver UFCA, assumi basicamente 3 compromissos, um com o clube e dois com os Almeirinenses: o que foi assumido para com o clube resume-se tão somente em devolver o Clube à cidade com a dignidade que sempre teve e que um dia alguém beliscou, este compromisso é para mim ponto de honra, devolver o Clube tão querido e respeitado por todos, com a dignidade que acho que merece. O segundo foi para com a cidade e com os Almeirinenses, passando por devolver à cidade aquele Clube que os Almeirinenses sempre se orgulharam, gostavam, sentiam, viviam e fundamentalmente que se envolviam, finalmente e em o terceiro, foi que só o voltaria a entregar, forte desportivamente e livre de responsabilidades e de dívidas…

A que se propõe para estes dois anos. Primeiro no plano financeiro?
Naturalmente o objetivo é terminar com a dívida, esse é sem dúvida o objetivo maior, anulando esta pesada herança financeira e consolidando as contas por forma a que quem venha a agarrar neste projeto lhe dê continuidade e que nunca mais o Clube tenha que passar por tão grande humilhação.

E depois no plano desportivo?
No plano desportivo, tudo com que me posso comprometer, é que à imagem do que tem acontecido nos últimos dois anos, todos os anos continuarmos a ter equipas mais fortes, mais competitivas, mais organizadas e com mais e melhores condições de trabalho.

Porque há uma redução de faturação de 2013 para 2014?
Não é importante a faturação do clube, não temos como objetivo recorrer a créditos, e não somos uma empresa, o que é importante na faturação é analisar alguns elementos, como por exemplo as receitas obtidas com as quotizações de sócios, e esse triplicou, o que quer dizer que também aí estamos a crescer e que as pessoas estão cada vez mais perto de nós e com vontade de nos ajudar, ou seja, indo de encontro ao início da nossa entrevista, envolver todos os almeirinenses novamente no projeto UFCA.

Qual é o passivo atual?
Neste momento já é inferior a 80.000€, o que para um clube como o nosso é uma enormidade, mas também é verdade que quando comparado com os 200.000,00€, de setembro de 2013, que existiam quando entramos no clube, são números muito satisfatórios, motivantes e que dão confiança para o futuro.

Como tem sido possível num contexto de crise financeira continuar a reduzir o passivo?
Só com muito trabalho, e acima de tudo com um grande amor e respeito a este clube, nomeadamente por parte dos nossos treinadores e jogadores. É sermos sérios e honestos, é fazer com que as pessoas voltem a acreditar em nós, é sermos conscientes e realistas e acima de tudo, sabermos que além dos custos do dia a dia, temos compromissos e responsabilidades e que essas têm prioridade sobre todas as outras, e depois, é pensar bem onde, como e quanto podemos investir e investir bem, e investir bem é investir na formação, é investir em bons treinadores e nas suas condições de trabalho.

Se não tivesse chegado ao clube o União já tinha acabado?
Custa-me dizer isto, porque eu pensava que nunca acabaria, que nunca ninguém deixaria isso acontecer, mas conhecendo o clube como conheço, sabendo da real situação em que o encontrei e percebendo que existia muito boa gente que não se importaria que isso acontecesse, tenho que o dizer sem falsas modéstias, que provavelmente sim…

Não se arrepende de ter terminado com o Futsal?
Não, não me arrependo, custou-me muito, mas não me arrependo, eu sempre defendi que não deveriam de existir mais do que um clube com as mesmas modalidades na cidade, e em relação ao futsal isso acontecia, e nós tínhamos dois caminhos, ou apostaríamos na formação, ou era preferível parar, o Futalmeirim mostrou vontade em fazer equipa sénior, falou connosco, e nós decidimos que o melhor por agora era extinguir a equipa.

Em todos os escalões há um aumento de atletas. A que se deve?
Deve-se à direção que conseguiu fazer novamente as pessoas acreditar que vale a pena apostar no nosso clube, e que tem tido a capacidade de contratar os melhores, e depois claro, deve-se também, ao extraordinário trabalho que os nossos treinadores têm realizado com as suas equipas, e a todos os colaboradores do clube pelo empenho que têm demonstrado.

Dará para crescer mais?
Queremos sempre mais. Queremos, ter uma formação cada vez mais forte, no sentido de criar cada vez jovens de excelência desportiva e humana, pois só assim será possível evoluirmos para o nível competitivo seguinte no futebol 11. No futebol 7 com o aumento contínuo de atletas podemos começar o nosso trabalho formativo mais cedo e dessa forma promovermos condições para termos cada vez mais atletas em patamares qualitativos mais elevados.

O União é o maior e melhor clube do concelho?
Penso que todos os clubes são muito importantes para o nosso concelho e cada um com um papel importantíssimo na sua freguesia, o União Futebol Clube de Almeirim sendo o clube que representa a sede Concelho, naturalmente representa todo o concelho, depois é o mais antigo, o que tem mais títulos, mais participações em campeonatos nacionais, o que possui mais treinadores, mais diretores, mais atletas e mais sócios. De qualquer maneira para mim não é importante quem é o maior, naturalmente que se perguntar, por exemplo, a qualquer um dos presidentes dos restantes clubes, eles dirão sempre que é o seu clube o maior. De facto e o que eu acho que seria importante para o concelho, até porque existe muita qualidade para isso, era ter um clube grande e abrangente, com equipas de formação a participar nos campeonatos nacionais e com equipas campeãs distritais, e isso não tenho dúvidas nenhumas que somos aquele que está mais perto para que isso possa acontecer. Temos no entanto de abrir um parênteses para a equipa sénior, onde o Fazendense estará naturalmente muito mais perto desse objetivo, basta olhar para o seu orçamento, provavelmente o segundo maior do nosso campeonato, enquanto que o nosso será com toda a certeza o mais baixo conjuntamente com o do Mocarriense, e para os plantéis, nós temos jogadores com um enorme orgulho, maioritariamente do nosso concelho, enquanto que o Fazendense teve a capacidade de ir buscar 9 ou 10 atletas com muita qualidade que ainda o ano passado foram campeões distritais e que ganharam a taça do ribatejo, além de recentemente terem também contratado a equipa técnica campeã da época passada.
A seu tempo chegaremos lá, no entanto quando isso acontecer com toda a certeza continuaremos a ter muitos atletas do concelho, pois acreditamos, apostamos e apostaremos sempre em primeiro na sua qualidade.

Apesar do crescimento, na última AG estiveram menos pessoas que na apresentação do projeto. A que se deve?
Eu penso que é bom sinal, é sinal que as pessoas estão satisfeitas e descansadas com o trabalho que estamos a realizar, mas de qualquer maneira nós gostamos e entendemos que as contas devem de ser públicas e conhecidas por todos, por isso mesmo fazemos questão de as publicar tanto no jornal como nas redes sociais para todos as poderem consultar.

Depois da intervenção na relva como está o relvado?
Excelente, dito por todos que é dos melhores do nosso distrito.

A equipa sénior irá fazer todos os jogos em casa no D. Manuel de Mello?
Claro, é a nossa casa, esse é e foi sempre o objetivo, recorremos apenas ao estádio Municipal quando estávamos em obras ou de todo o nosso não tinha condições.

Na bancada haverá melhorias?
Ao nosso ritmo claro que sim, está em demasiado mau para poder continuar assim, embora que com a situação financeira que o clube tem, não possamos ter ilusões.,Queremos muito, havemos de conseguir, teremos que o fazer de uma forma consciente, mas sem hipotecar o objetivo maior do clube que é livrá-lo de dívidas e não entrar em loucuras, pois o caminho que já percorremos muito nos custou …

Não está em perigo esta infraestrutura?
Estamos a fazer tudo para podermos garantir que não.

.