Diogo Pombas é um cantor que quer ser cabeleireiro

O jovem Diogo Pombas é um jovem cheio de talento para o fado, com passagens por concursos importantes na televisão. Diogo mostra desejos e ambições depois de ter terminado o ensino secundário e revelar que quer ser cabeleireiro.

Como surgiu a música na sua vida?
A música no meu caso não foi algo que surgiu assim de repente. Penso que já nasceu comigo, pois desde sempre me recordo de cantar e até por relatos dos meus pais, que em criança com um ou dois anos já cantava fado, pois era um registo que fui habituado a ouvir.

E o fado em particular como e quando surgiu?
Como disse anteriormente o fado acompanhou-me desde criança. Os primeiros versos que da minha boca soaram, mesmo não sendo fado, foram : -“Guitarra, oh minha guitarra/ Guitarra oh minha bandurra/ Oh mulher vê lá se te lembras/ Da morte da nossa burra.” Como era de esperar e como diz o povo, tudo o que é pequeno tem graça! Daí em diante comecei a explorar este gosto quando comecei a ter Educação Musical na escola.

O que mais se sente à vontade a cantar?
Gosto de quase todos os estilos musicais, assim como, baladas, música popular, música estrangeira…tendo em conta que é um tipo de música que raramente canto porque já ouvi muito Português cantar em Inglês mas ainda não ouvi nenhum Inglês cantar em Português! E por ultimo, claro está, o Fado o meu estilo musical de eleição.

Que importância têm os concursos em que já participou?
-Todos eles tiveram importância, uns mais outros menos mas todos se revelaram enriquecedores em todos os sentidos. Mas basicamente o partido que tirei de todos eles foi a convivência com outras pessoas nas longas filas de espera desses mesmos concursos, o facto de ver pessoas que não demonstram talento nenhum
e por terem o Factor C (factor cunha) ficarem sempre apurados e eu não, aprender a ouvir um não, etc. Os concursos em que participei não foram somente de fado, participei em concursos assim como : Uma canção para ti, Fator X, The Voice…É ainda de frisar que nestes concursos há muitas injustiças.

Qual o melhor resultado que já alcançou?
Todos os resultados alcançados ao longo destes oito anos na minha vida artística têm sido os melhores. Mas houve somente um que pode não ter sido o melhor mas foi o mais marcante e satisfatório. Foi o meu primeiro concurso de Fado Amador em 2010 na Sociedade Recreativa Operária de Santarém onde conquistei o meu 1º Lugar. Foi este prémio que me deu ânimo para prosseguir.

Das várias pessoas que já o acompanharam qual que mais o marcou?
– Todas as pessoas que até à data me têm acompanhado me marcaram, uns pela positiva e outros pela negativa, mas de qualquer forma todos me marcaram e seria injusto da minha parte para com eles frisar o nome de qualquer um.

Não dá para viver da música agora?
Pode haver quem consiga viver somente da música, há muitos artistas que o fazem mas muitos deles já têm uma longa “estrada” e desenvolvem as suas próprias editoras e criam os seus próprios projetos para não estarem dependentes de ninguém. Neste momento para uma pessoa como eu não dá para viver da música porque ainda não tenho nenhum trabalho discográfico e mesmo que tivesse teria sempre um trabalho fixo ao qual me pudesse agarrar se a música não me desse rendimento.

Um dia gostava que isso acontecesse?
Como qualquer cantor amador ambiciono subir de patamar na minha carreira artística e lançar um álbum de originais se possível for.

Mas o Diogo também gosta da representação?
O gosto pela representação surgiu na escola em pequenas peças teatrais. O gosto pela representação é igual ou maior que o gosto pela música. Já frequentei um grupo de teatro em Almeirim. O meu registo teatral de eleição é a Revista à Portuguesa. É na quadra Natalícia que ponho em prática a representação nomeadamente pequenos “sketches” de Revista à Portuguesa em Lares de Idosos.

Que faz atualmente?
Terminei o secundário e pretendo tirar o curso de Cabeleireiro Unissexo.

O que se imagina a fazer daqui a alguns anos?
Imagino-me a trabalhar no meu próprio espaço de cabeleireiro e se fosse possível gostava de lançar um disco e ser alguém no mundo da música. Mas sem nunca deixar a representação para trás.

O sonho é chegar a uma casa de fados?
Esse sonho penso já ter sido concretizado pois já cantei numa casa de fados, mas não é o que mais ambiciono.

Tem pena de na região e no concelho não existir um espaço de fado?
Claro que sim! Na região as pessoas gostam de ouvir e até de cantar fado mas ainda não ouve ninguém que tivesse a brilhante ideia de criar um espaço propício onde o fado aconteça. Mas tenho esperança de um dia poder ter algum dinheiro para ser eu mesmo a criar um espaço de Fado na região.

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