Carros, seguros, casas e muito mais no Grupo Feel

André Mesquita abriu o gabinete a O Almeirinense para falar de como apareceu e cresceu o Grupo Feel. O empresário explica que começou a trabalhar aos 16 anos, sonhou juntar um milhão de euros e depois é que surgiu o primeiro negócio por conta própria. Foi só o início …

André qual foi o seu primeiro negócio?
O meu primeiro negócio por conta própria foi de comércio de automóveis.

Sempre teve esta veia de empreendedorismo?
Se a definição para empreendedorismo for alguém que queira criar sempre mais e melhor, e que adore novos desafios, então sim, acho que desde que me conheço que sou assim, não só nos negócios como também em todos os projetos da minha vida.

Fale-nos um pouco do seu percurso?
Eu iniciei a minha atividade profissional aos 16 anos no Cash e Carry de Santarém, e passado dois meses fui para uma casa de Pneus também na mesma localidade onde me mantive durante um ano. Aos 17 anos surgiu a oportunidade de ir para um loja de desporto, coisa que eu adorava, e assim fui para a Tecnibola, primeiro em Santarém e passados seis meses em Almeirim. Adorei esse tempo, sonhava com o dia de abrir o meu próprio negócio, até que um dia surgiu uma nova oportunidade, revestida sob a forma de convite para entrar no mundo dos automóveis. Na verdade esta área nunca me tinha passado pela cabeça, uma vez que nem a minha mãe nem tão pouco o meu pai tinham sequer carta de condução, e tenho que confessar que era área que não me dizia mesmo nada. No entanto, sempre pensei e sonhei em ter uma vida profissional de sucesso sim, mas ao mesmo tempo também tinha os meus sonhos pessoais e que passavam por fazer alguma coisa primeiro pela minha família, depois por ter uma vida pessoal descansada e desafogada para, finalmente, um dia poder fazer alguma coisa pelos outros.
Sempre pensei que na vida a única coisa que podemos deixar aos nossos filhos é o nosso nome, então sonhava que um dia os meus filhos iriam ter muito orgulho no pai que tiveram, não só pelo que conquistou mas muito também por aquilo que aos outros ajudou. E assim comecei a fazer contas à vida: os automóveis deveriam ser um negócio diferente das sapatilhas. Se um par de sapatilhas na altura custava cerca de 5.000$00 (25€ para os mais novos) e um automóvel na altura custava 3.000.000$00 (15.000€), era fácil deduzir que teria muito mais hipóteses em ganhar mais dinheiro nos automóveis, que seria só uma questão de tempo, de muito trabalho e de aprender bastante e depois de esperar pela oportunidade.
Nessa altura já não tinha pai, mas tinha dois grandes exemplos de homens para mim: o Sr. Manuel Mendes, proprietário da Tecnibola, que me apoiava e que me dava força para aceitar o convite, que me dizia que eu merecia e que iria chegar longe e por outro lado tinha o meu tio, Manuel Melro que foi como um pai para mim, que me dizia que se eu aceitasse o convite e que se saísse da Tecnibola não entraria mais lá em casa, para que se veja o significado da família “Tecnibola” na minha vida. Ainda assim, segui o meu sonho, o meu instinto e o conselho do Sr. Mendes e entrei então no mundo dos automóveis, primeiro na NVA Automóveis e passado um ano no Jorge Cordeiro, dois excelentes professores. Depois, precisamente no dia em que fazia 23 anos, a 28 de Março do ano 2000 acabou por se realizar o meu primeiro sonho. Tornei-me empresário por conta própria e abri, em Almeirim, a André Mesquita Automóveis. De lá até hoje, já lá vão quase 16 anos de uma grande aventura neste mundo fantástico, que é o mundo dos negócios, das empresas, dos desafios e sobretudo das pessoas.

Quando e porquê surgiu a oportunidade de criar o grupo FEEL?
Aos 32 anos, em 2009. Quando iniciei a minha atividade comercial, coisa que como devem imaginar, foi com muitas, muitas, mesmo muitas dificuldades, defini três objetivos para mim. O primeiro era aos 30 anos ter uma empresa estável, tanto do ponto de vista financeiro, organizacional e comercial. Consegui. Fiz a minha primeira grande festa de anos onde tive a oportunidade de agradecer pessoalmente e individualmente às muitas pessoas que me ajudaram a chegar ao primeiro objetivo e aqui tenho que abrir um parenteses. De tantas pessoas uma das mulheres da minha vida, esta que já me acompanha há 19 anos e que sem ela não tenho dúvidas que não era o que sou hoje, a Filomena, mãe dos meus dois mais que tudo, os meus filhos. Concretizado o primeiro objetivo, o segundo seria juntar 1.000.000.000€, (cada um com as suas tonteiras, sempre ouvi que o que custava mais era juntar o primeiro milhão, daí este meu objetivo), caminhada que ainda iniciei, mas rapidamente percebi que teria de refazer, chegando à conclusão, aos 32 anos, de que o dinheiro nada vale. Não se pode negar que não ajuda, ajuda sim, mas existem coisas muito mais importantes e que me fariam muito mais feliz, como por exemplo outros negócios ou desafios e de preferência que envolvessem muita gente, tanto colaboradores que para mim são sempre como uma família, como sócios, pessoas que eu ache que tenham valor, mas que eu sinta que por esta ou aquela razão eu possa ser uma mais valia, foi por isso que nessa altura criei o grupo FEEL, ou seja, precisamente a pensar no que eu queria ou ambicionava para o futuro.

Sentiu necessidade de juntar vários negócios, para colmatar alguma lacuna no nosso mercado?
O único que eu possa dizer que sim, foi o dos seguros. Na altura eu senti essa lacuna tanto no meu negócio como no próprio mercado. Tanto que o que fiz primeiro foi pedir a uma empresa local do ramo uma proposta tanto para ser sua cliente como para efetuarmos uma parceria comercial entre as nossas empresas. Esperei mais de seis meses por uma resposta, o que nunca me chegou, até que eu um dia liguei a esse empresário local a perguntar pela proposta e ele num tom muito arrogante me disse: “Porque é que estás à espera há tanto tempo, e não abres tu uma empresa?” e assim foi, abri a Feelseguros.

Porque surgiu a aposta na imobiliária quando ainda estamos em tempo de crise no setor?
Desde 2002 que a André Mesquita Automóveis realiza negócios nessa área, e foi sempre um negócio que achei interessante. Depois de estar mais de 10 anos sem jogar futebol, surgiu a oportunidade e o convite para ir em 2012 jogar futsal. E fui! Lá encontrei um grupo maravilhoso, onde vivemos momentos fantásticos, e nesse grupo conheci o Luiz Boazinha, que depois em 2013, aquando do projeto Viver UFCA fiquei ainda mais próximo dele, uma pessoa maravilhosa, que profissionalmente tinha uma empresa Imobiliária. Falámos sobre isso e achei que não andava muito feliz apesar do seu fantástico potencial profissional. Achei assim que poderia ser uma mais valia para si e para o seu negócio. Falámos e negociámos com os outros sócios da empresa, chegámos a acordo, e avançámos com mais este desafio. Passados 14 meses realizámos o melhor ano de sempre da empresa e provámos a nós próprios que estávamos certos aquando da nossa primeira conversa.

E a construção?
Foi parecido com o da Imobiliária. Este ano através do Luís conheci o Paulo, que num passado recente já tinha sido um empresário de enorme referência no nosso concelho no sector da construção, mas que aquando da crise no país resolveu e bem parar a atividade. Falámos e ele confessou-me que já estava cansado e farto de estar parado, que se sentia triste e em baixo com isso. Quando falámos percebi o seu enorme potencial e conhecimento do ramo, achei que eu poderia ser uma mais valia para si no seu novo negócio, desenhei uma estratégia que ele aceitou e começámos em 2015 o nosso caminho. De certeza que em 2016 vão ouvir falar muito e bem também da Feel Like Home.

Em que tipo de campanhas aposta para divulgar os vosso produtos e serviços? Como correu a campanha com o nosso jornal?
Sempre achei que a melhor e menos dispendiosa publicidade ou divulgação é aquela que passamos através dos nossos clientes, no meu caso e no caso dos meus negócios pouco ou nada investimos por exemplo na internet, primeiro porque acho que para mim não é assim uma tão grande mais valia, porque o nosso ponto forte é estar junto dos nossos clientes, depois porque eu sou uma pessoa de sentimentos muito fortes, e depois porque adoro e só sei fazer negócios olhos nos olhos. Quanto à campanha com o vosso jornal para nós foi um sucesso, porque conseguimos já em dezembro, mais precisamente do dia 23 alcançar em mais um ano todos os nossos objetivos da empresa e depois porque conseguimos dar mais de 20.000€ aos nossos clientes o que pensamos e acreditamos que os vai fazer passar um natal ainda mais feliz.

Há algum novo projeto para 2016?
No Grupo Feel tudo pode ser possível a qualquer momento. Se há cinco anos me dissesse que ia estar presente em tantas áreas eu não acreditaria. Assim, o futuro na família Feel está sempre em aberto. Para 2016, vamos constituir mais duas empresas: uma leiloeira que irão ouvir falar muito e a Feelservice, uma oficina de manutenção, reparação e de colisão exclusiva a clientes do grupo Feel, em frente ao nosso parque automóvel, que vai ser a nossa grande aposta para 2016. Esta é sim uma lacuna do nosso grupo e que temos que apostar forte em 2016 com um investimento previsto de mais de 300.000,00€.
Na Feelauto esperamos um ano tranquilo com um aumento de cerca de 20% dos nossos resultados. Quanto à Feelhouse, num ano onde procuramos a estabilidade mas muito idêntico ao deste ano. Já na Feel Like Home depois de todo o investimento feito este ano de cerca de 500.000,00€ na aquisição de terrenos e projetos para construção, vamos dar início às nossas moradias. Para já temos duas comercializadas que iremos construir e entregar, mas o nosso objectivo é não ficar por aqui. Finalmente, e relativamente à Feelseguros, este ano de 2015, andámos como se diz na gíria, “a marcar passo”, era um anos em que tínhamos perspetivado abrir novas instalações no centro da cidade. No entanto, as instalações por nós identificadas acabaram por não nos serem disponibilizadas em nome de um projeto público, ossos do ofício, para 2016, queremos continuar a crescer como até aqui tem vindo a acontecer, e já no início do ano teremos novo ponto de venda, não o definitivo mas por agora o possível no centro da cidade.

O que vos difere da concorrência?
Penso que isso é uma avaliação que os nossos clientes é que têm e devem fazer. Nós acreditamos, pelos resultados ao longo dos anos que o têm vindo a fazer, mas acreditamos que será pela relação que criamos com eles, por nunca termos tido problemas graves com ninguém, que é porque eles sabem que não somos perfeitos mas que estamos sempre a pensar em melhorar por eles. Penso que é por apenas fazermos os negócios olhos nos olhos, ou seja, acima de tudo é porque eles sabem que connosco podem estar sempre descansados tanto com o negócio que fazem, mas acima de tudo porque sabem que quando necessitam de nós, lá estaremos.

Que mensagem deixa aos nossos leitores?
Sim, aproveito para desejar ao Almeirinense um excelente 2016, que continuem com mais força se possível, porque vocês merecem e porque Almeirim e os seus empresários também precisam. Aos leitores muita saúde que é o mais importante e depois um feliz ano novo, e um pedido, que acreditem sempre neles e nos seus sonhos, que tenham consciência que na vida, nos dias de hoje não chega só ser bom, temos mesmo que ser excelentes, e que depois tudo é possível, basta acreditar, desejar e trabalhar muito, muito, muito, e que para termos sucesso não precisamos de passar por cima de ninguém, mas também não devemos nunca deixar ninguém passar por cima de nós.

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