A 3.ª invasão francesa a Portugal (2ª parte)

A “política da terra queimada” tratou-se de uma tática que consistia, segundo o general francês Marbot, em “mandar toda a população abandonar as suas habitações, destruir as provisões, os moinhos, e retirar-se para Lisboa com os seus rebanhos quando se aproximassem os franceses, que se
viam assim privados de todas as informações e reduzidos à necessidade de ir muito longe à procura de víveres!”. De tal maneira que registou: “Não há memória de vermos uma fuga assim tão geral!… A cidade de Viseu estava totalmente deserta, quando nela entrámos” (4). Em jogo, o atraso da marcha e o esgotamento do exército francês pelos cansaços e pela falta de meios, tal como a consequente atração deste às linhas defensivas a Sul, onde acabaria por perecer. No mês de Setembro, aos 27 dias, deu-se a sua primeira grande derrota – a batalha do Buçaco, como um primeiro passo para o abismo da derrota, sob a esmagadora posição altaneira do exército angloportuguês no cimo da serra – e o marechal Massena, perante o quadro de discordância dos seus oficiais, acaba por decidir prosseguir a marcha, passando pela cidade de Coimbra que também encontram deserta no primeiro dia de Outubro – “Os pobres habitantes desta grande e bela cidade, enganados pelo primeiro resultado do combate do Buçaco (…), tinham-se dado às maiores demonstrações de alegria”, quando receberam “repentinamente o aviso da chegada dos inimigos e a ordem para abandonar as suas casas de imediato!… De acordo com os próprios oficiais ingleses, esta partida foi um dos mais horríveis espetáculos” (5). Com a chegada dos franceses no dia 30 de Setembro, a cidade de Coimbra foi altamente pilhada, e refere Veríssimo Serrão que “os soldados de Junot arrombaram palácios, mosteiros e casas, roubando tudo o que acharam de valioso ou por mera cobiça”, não tendo escapado “ao vandalismo a velha Universidade, cujos edifícios sofreram os efeitos da ocupação” (6).

(4) MARBOT, Op.cit., p. 54.
(5) Idem, ibidem, p. 71.
(6) SERRÃO, Op. cit., p. 81-82.

Gustavo Pacheco Pimentel
Investigador
gustavopachecopimentel@hotmail.com

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