Um olhar sobre a indisciplina na Escola

A Indisciplina é uma realidade presente, em maior ou menor grau, em todas as nossas escolas, acarretando transtornos significativos ao nível do clima da organização. É possivelmente uma das maiores fontes de stress e burnout dos professores na atualidade, muitas vezes o problema número um em algumas das nossas escolas.
Sendo a Escola uma organização, um construído social multifacetado e complexo, com vários atores organizacionais, desde professores a alunos e encarregados de educação, entre outros, e onde coexistem diferentes culturas e até diferentes estilos de participação na organização, compreende sistemas e subsistemas variados que se interrelacionam, assim como com os contextos em que está inserida. Uma das suas vertentes, a meu ver, mais importantes é o clima organizacional, onde a existência ou não de indisciplina assume particular pertinência, este que é um fenómeno complexo, que envolve todo o contexto relacional do aluno, e no qual todos os agentes do processo educativo são forçados a intervir.
Construir uma escola livre de indisciplina poderá passar pelas qualidades individuais e pedagógicas do professor dentro da sala de aula e pelas opções ao nível da política organizacional da escola, formalizada num Projeto Educativo que aposte na criação de um bom clima relacional e de segurança e numa cultura propícios à cooperação, partilha e comunicação. Um bom diagnóstico organizacional, nomeadamente dos fatores que poderão estar na base deste fenómeno, tanto intrínsecos como extrínsecos à própria escola, assim como a aposta na construção de uma cultura de implicação, intervenção e prossecução de um objetivo comum a todos os atores organizacionais podem dar frutos na luta contra a indisciplina. Por fim, não resisto a partilhar uma frase de Pedro Strecht que, na sua atividade profissional tem trabalhado junto de jovens problemáticos: “(…) muitas das respostas agressivas destes miúdos são apenas um espelho daquilo que lhes é dado, e portanto se nós oferecermos imagens diferentes a partir das quais eles se possam re-olhar, se calhar muita coisa pode ser modificada”. (STRECHT, in SAMPAIO et al., 2001, p. 29). Cá está algo em que escolho acreditar.

 

Maria da Conceição de Magalhães Pereira
Diretora do A.E. de Fazendas de Almeirim

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