“Hoje o meu sonho é ser profissional”

Daniel Bragança foi, na primeira edição do Torneio José Peseiro, eleito o melhor jogador do torneio, pouco tempo depois de se ter comprometido com o Sporting. É jogador e capitão dos leões e espreita uma vaga na Seleção Sub-17. Em entrevista a O Almeirinense fala do percurso que tem feito e do futuro, mas cauteloso.

 

Daniel, a entrevista que agora realizamos surge na sequência do torneio José Peseiro. Isto fá-lo recordar os tempos de formação. Como recorda a sua passagem no Footkart?
Foi uma passagem curta, mas muito feliz, que me marcou bastante, pois logo no meu primeiro torneio ao serviço do Footkart, disputado em Vila Chã de Ourique, recebi o meu primeiro troféu.

Que influência teve a “Escola Footkart” para ser o que já é hoje?
Hoje ainda não sou nada, sou apenas um projeto de jogador de futebol, do Sporting Clube de Portugal. Em relação ao Footkart, foi muito importante no meu percurso, pois tive sempre a porta aberta com todas as condições para treinar, o que foi decisivo na minha evolução. Além disso têm-me sempre apoiado muito, ao longo do meu percurso.

Quem mais o marcou?
Toda a gente me tratou muito bem no meu tempo de Footkart, mas a minha primeira mister, Leonor Félix ficará para sempre na minha memória.

Sempre sonhou ser jogador de futebol?
Não, desde muito pequeno que adorava jogar futebol na rua e na escola com os meus amigos, mas como sempre fui um bocado tímido tinha algum receio de ir para um clube. Comecei a pensar nisso mais seriamente quando, aos sete anos, recebi um convite de aniversário de um dos meus melhores amigos, Bruno Bento a defender um penálti, ao serviço do Footkart. Foi aí que decidi dar esse passo e a partir daí tudo começou…Hoje sim, o meu grande e verdadeiro sonho é esse.

Como surgiu a possibilidade Sporting?
A possibilidade Sporting começou quando fui chamado ao escalão acima para um torneio, no Entroncamento e aí, sem saber já estava a ser observado pelo Sporting. No sábado seguinte, já pela minha equipa, fomos a um torneio em Vila Chã de Ourique e, no fim do torneio, um “olheiro” do Sporting foi falar com o meu pai a dizer que gostava que eu fosse prestar provas no dia seguinte, ao Sporting Clube de Portugal, pois era o último treino de captação que o Sporting faria naquele ano. Quando chegámos a casa, os meus pais contaram-me pensando que eu iria ficar radiante, mas a minha reação foi dizer que o meu clube era o Footkart e que não queria ir, mais uma vez a minha timidez estava a falar mais alto. Não foi fácil, mas lá me convenceram a ir e ainda bem, pois para mim, hoje é um grande orgulho representar a instituição Sporting Clube de Portugal.

Agora está na Academia, mas chegou a ter que ir e vir?
Sim, duas vezes por semana, era mais difícil de gerir, pois chegava muito tarde a casa e as viagens eram muito cansativas. Muitas vezes adormecia nas viagens, de cansaço e depois chegava a casa ainda tinha que estudar e fazer os trabalhos de casa. Exigia um grande esforço, quer meu, quer da minha família.

O que mudou desde que está no Centro de Estágios?
A rotina diária tornou-se mais fácil, mas a adaptação não foi fácil, pois tive de enfrentar uma realidade completamente diferente e rigorosa. Sair de casa dos meus pais e ficar longe da minha irmã, aos 13 anos, foi muito difícil. Mas hoje em dia, já adaptado a esta nova realidade, é um privilégio, para quem quer ser jogador profissional, poder trabalhar nesta academia.

Ser profissional está mais perto. Reconhece isso?
Não tenho dúvidas que cada ano que passa, fico um pouco mais perto.

Ainda assim, há quem diga que o mais difícil é agora, na fase final do percurso da formação. Defende esta tese?
Sim, sempre me disseram que cada ano que passa, o funil vai apertando, por isso tenho a perfeita noção que ser jogador profissional é para muito poucos. O salto do futebol de formação para o futebol profissional é o mais difícil.

De que se tem privado para estar neste patamar?
Não estar diariamente com a minha família e também, por vezes, ter de me privar do convívio com os meus amigos da Terra. Ao nível da alimentação também temos de ter muitos cuidados.

E o mediatismo que gira em torno do futebol. É fácil de gerir?
Eu não tenho ainda noção, porque estou numa fase muito jovem do futebol. Se um dia chegar a sénior como profissional, aí sim, consigo-lhe responder melhor a esta pergunta. Mas tenho noção que é preciso ter uma personalidade forte, pois vejo que muitas vezes os jogadores passam de Besta a Bestial e vice-versa, de forma muito rápida.

Já tem empresário?
Sim, para quem não está no meio pode parecer um pouco estranho, mas àquele nível é uma situação perfeitamente normal.

Também sonha ter muitos carros e casas grandes?
Não, o meu verdadeiro sonho é ser jogador profissional de futebol e dar as melhores condições à minha família, tudo o resto vem por acréscimo.

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Quem é o seu ídolo?
É o Cristiano Ronaldo, não só pela qualidade que demonstra ter em campo, mas também por ser sempre superior a todas as críticas e comparações. Tem uma capacidade de superação acima da média, pois no dia em que o tentam deitar abaixo ele ainda acorda mais forte e responde sempre de forma positiva.

E a vida escolar, como se concilia?
A vida escolar não é fácil de conciliar, mas é muito importante para o meu futuro, pois não tenho a certeza se vou conseguir chegar a jogador profissional e temos sempre que ter um plano B.

Que papel tem a família neste percurso?
A família é o mais importante neste percurso, é a minha base, é quem me dá os melhores conselhos e são esses que eu sigo sempre. Sem eles, com certeza não tinha chegado até aqui. Tenho a noção de que o caminho é longo e tem altos e baixos e vou sempre precisar dos conselhos e ajuda deles. Sei que eles vão estar sempre lá, quer as coisas corram bem ou não.

Lembra-se de ter participado no primeiro ano?
Sim, claro que me lembro, foi o meu primeiro grande torneio.

Imaginava que a competição crescesse tanto?
Não, não imaginava porque era muito pequeno na altura. Mas hoje sei reconhecer que o Torneio José Peseiro já é uma referência a nível nacional, fruto do trabalho das suas direções. Para mim, é um orgulho ver o clube onde dei os primeiros passos organizar um torneio desta dimensão.

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