Alpiarcenses pelo mundo: A vez de Alexandra Gonçalves

Alexandra Gonçalves nasceu em França, mas tem herança alpiarcense. Quis o destino que os seus pais, ambos alpiarcenses mas separados pela emigração, se conhecessem durante umas férias que a mãe de Alexandra passou no município. Aos 13 anos veio para Portugal, mas ainda não foi desta que assentou arraiais.

Que memórias guarda da sua infância em Alpiarça?
As brincadeiras com os meus primos quando ia de férias a Portugal, as danças de salão, que são a minha paixão e às quais faço tenção de voltar um dia.

Quando e por que motivo emigrou? Porquê a Holanda e particularmente, Haia?
Tinha acabado de fazer 21 anos quando surgiu a oportunidade de emigrar (2007).Tinha começado a namorar, queríamos começar a nossa vida juntos e em Portugal era já um pouco difícil devido às oportunidades de trabalho. Escolhemos a Holanda porque o meu namorado tinha cá um casal conhecido e de confiança, que vivia em Haia. Foi difícil, mas hoje não me arrependo, cresci como pessoa, aprendi e venci.

Sentiu-se bem recebida?
De início foi complicado, porque sempre estive junto da minha família. Comecei a trabalhar nas flores, um mundo totalmente novo para mim. No princípio não tive contacto com holandeses porque praticamente eram só pessoas de outras nacionalidades. O contacto com holandeses, foi um pouco mais tarde e sim, por eles senti-me bem recebida e não me vou esquecer de alguns deles que trabalham comigo hoje porque foram e são pessoas que sempre me trataram bem.

Como descreve Haia?
Infelizmente não tenho muito a dizer de Haia. É uma cidade um pouco sem cor, muito movimentada, onde se vêem pessoas de todas as nacionalidades. O clima é muito instável, mas a maior parte do tempo é frio. Os holandeses não têm uma cozinha própria como a nossa, por exemplo, têm, sim, uma grande variedade de queijos pois podemos encontrar queijos com quase todos os feitios e sabores imagináveis, por exemplo: mostarda, pesto, pimenta, entre outros, mas o melhor de todos e o mais conhecido é o Old Amsterdam, um queijo velho.

Já se rendeu ao meio de transporte mais usado nos Países Baixos, ou as bicicletas não fazem parte dos seus meios de locomoção?
Não, a bicicleta não faz parte do meu meio de locomoção. Prefiro utilizar o elétrico ou o autocarro, visto que temos autocarros e elétricos praticamente de cinco em cinco minutos e à porta de casa.

Também a Holanda se ressentiu muito após os recentes atentados em Bruxelas. Sente algum tipo de tensão com o estado de alerta em que o país se encontra?
Em Haia não se nota reforço policial porque é já um hábito encontrar patrulhas na estrada, em Haia. Existem mais de cinco esquadras da polícia e sempre me lembro de ser muito ativa nesse campo. Por outro lado, nos aeroportos sim, nota-se um reforço significativo, tal como nas estações de comboio. Essa medida foi adotada em todos ou quase todos os outros países. Nos primeiros dias após os atentados sentiu-se um pouco de tensão pelo que se via na TV e ouvia no rádio, chamadas de alertas por certos objectos deixados na rua. Isso quer dizer que as pessoas estão mais alerta.

Holanda é de vez, ou apenas uma passagem com vista a um regresso definitivo a Alpiarça?
É uma passagem com regresso ainda não destinado.

Aconselha a emigração?
Sim. Infelizmente é esse o destino a que o nosso país nos obriga.

O que lhe deixa mais saudades em Alpiarça?
O que me deixa mais saudades em Alpiarça são, sem dúvida alguma, a minha mãe e o meu irmão, a quem aproveito para dizer que os amo muito. E também sinto saudades dos amigos e de um bom cafézinho.

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