“Considero este FIFCA 2016 de elevadíssima qualidade”

Sob o lema “o mundo aqui tão perto”, realizou-se de 18 a 25 de Abril mais um festival internacional de folclore, cultura e arte, no concelho de Almeirim, em conjunto com outros municípios e agrupamentos de folclore associados, como Alpiarça, Tomar, Coruche, Salvaterra e Benavente. Os grupos internacionais participaram em espetáculos diários.

Que balanço faz desta edição do FIFCA?
Pessoalmente considero a 5ª edição do FIFCA uma das melhores, desde o início do FIFCA em 2008. Aprendemos com as análises de anteriores edições. E com a criação da nova associação FIFCA o espetro alargou para as culturas e artes, dando uma maior dimensão e simultaneamente uma maior responsabilidade; os envolvidos assumiram maiores responsabilidades e a coordenação foi mais restrita e exigente. No contexto geral, considero este FIFCA 2016 de elevadíssima qualidade, com muitos momentos de excelência.

A aposta num festival, que é mais que folclore, foi ganha?
Este novo formato do FIFCA, que vai para além do folclore, está ganho: maior dimensão cultural em todas as vertentes, com maior envolvência de vários públicos e várias gerações.

Ainda assim, o tempo condicionou a arte urbana?
O tempo condicionou o arranque do projeto Route 118 Arte Urbana FIFCA, mas por outro lado, visto de outra perspetiva, permite-nos manter o FIFCA em atividade por mais alguns dias, voltando a atenção para estes trabalhos excecionais.

Se tivesse possibilidade de voltar atrás, o que mudava?
Se tivesse possibilidade de voltar atrás, manteria este modelo com alguns ajustes de programa, mas por questões de logística, apenas.

A primeira edição numa nova associação. O que representou isso para si, enquanto Presidente?
Teve um significado especial, pois senti a confiança e o incentivo de um grande número de amigos que acreditaram que o FIFCA iria crescer ainda mais como Associação. E como não resisto a um bom desafio, eis que surge a associação FIFCA com associados que fazem da união a grande força desta Associação. A confiança é fundamental…

O concerto de UHF correspondeu às vossas expetativas?
A nível de afluência poderia ter sido ainda melhor, como concerto temos a certeza que foi um dos grandes concertos desta Banda UHF. Nós apresentámos um grande concerto, disso ninguém duvida. Poderíamos ter concentrado as comitivas internacionais no pavilhão, que transformaria o ambiente em algo ainda mais especial, no entanto a restrição de transportes e de logística não o permitiu.

Um festival desta dimensão tem sempre custos elevados. Este deu lucro, ou prejuízo? Para daqui a dois anos, o que promete?
O orçamento para aquilo que é o sonho FIFCA está muito abaixo daquilo que é necessário para elevar a qualidade. Agradecemos todos os apoios, claro, mas existem discrepâncias acentuadas entre o tratamento de eventos ligados à cultura, em contraste com outro tipo de atividades. Estamos ainda a finalizar o FIFCA, que ainda não terminou, temos a arte urbana a decorrer, ainda temos comitivas a partir, logística para entregar… Ainda é cedo para balanços, embora tenhamos o sentimento que o saldo está rigorosamente equilibrado entre entradas e saídas.

Foi necessária a obtenção de licenciamento para a realização de todos os eventos FIFCA nesta edição, por parte da Associação FIFCA. Como viu esta alteração?
No início fomos surpreendidos por esta solicitação, embora tenha percebido que existiram várias denúncias ao diretor nacional do IGAC e que seria necessário tratarmos dos seguros de responsabilidade civil para os espaços, embora sejam cedidos pela autarquia. Tivemos também que nos constituir como promotores de espetáculos e pagar todos os custos de direitos de autor, numa despesa que ascendeu a um milhar de euros. No entanto, considero que este é o caminho a seguir, e vamos ficar atentos a todos os eventos que se realizem no concelho, para que haja o mesmo tratamento e obrigação em relação à questão de licenciamento de atividades culturais, ou de qualquer área. A quem fez as denúncias, agradecemos a motivação adicional para continuarmos o nosso trabalho. Normalmente quem faz, incomoda de sobremaneira quem nada faz…

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