Abril da Liberdade

Nasci em liberdade. Sou de uma geração para a qual sempre foi um dado adquirido. Contudo sei bem o que significa Abril para os meus pais e avós. Sei bem e não aceito que me digam que sou novo demais para saber o que é e o que foi Abril. Factualmente irrefutável mas sei. Sei porque testemunho as mãos trémures e os olhos encharcados da minha avó enquanto relata a falta de tudo da altura e a repressão. Sei porque testemunhei os relatos da minha bisavó sobre a perseguição, chantagem e as imoderadas tareias da Polícia Internacional. Sei. Porque ainda tive e tenho a oportunidade de ouvir relatar na primeira pessoa o produto de quase 50 anos de castigo nacional em nome do corporativismo e do império. Sei o terror. Não o vivi. Mas vi e senti o terror através dos olhos, das mãos, da expressão carregada de muita gente próxima. Acredito que os valores de Abril têm tanto de passado como de presente e futuro. Não pela revolução dos sistemas democráticos de todo mas pela renovação dos valores sociais. Pois angustia ser de um tempo onde o populismo e a impressocracia prevalecem. Ser de um tempo no qual o favorecimento passeia encapotado de justiça meritocrática. De um tempo em que a ética e a moral parecem chavões da antiguidade para tantos. Convém não esquecer Abril. Convém não esquecer o tempo da outra senhora. Pois que sirva sempre de exemplo. Pois que sirva sempre de exemplo a coragem e determinação daqueles capitães que permitiram que a minha geração nascesse e outras tantas vindouras nasçam já em liberdade. Viva Abril! Viva a Liberdade…

Eduardo Oliveira – Estudante Universitário

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