“Foi uma década de muito trabalho, mas o balanço é muito positivo”

Paulo Marques é, desde o o primeiro dia, o Presidente da Secção de Ténis dos 20 km. Depois de uma década de trabalho é tempo de fazer análises e balanços, e foi isso que o Almeirinense foi à procura. Há vários aspetos e infraetruturas a melhorar e “não é impossível formar um João Sousa mas, reconhece, é difícil”.

Que balanço faz destes 10 anos da secção de ténis?
Tudo na vida é feito de ciclos. O Ténis em Almeirim teve melhores e piores momentos durante esta década, mas sem dúvida que o balanço geral é muito positivo olhando para o conjunto dos 10 anos.
Foi uma década de muito querer, de muito trabalho, mas que no final compensou, com o cumprimento de quase todos os objetivos a que nos temos proposto. Conseguimos formar mais de 300 atletas e 5 treinadores. Realizámos mais de 58 Torneios oficiais, sob a égide da Federação Portuguesa de Ténis, nos quais participaram cerca 2500 atletas, provenientes de mais de 50 clubes diferentes. Criámos e desenvolvemos a marca de Torneios pré-competitivos “Future Stars”, que inspirou modelos semelhantes no país e que envolveu nos últimos 4 anos mais de 1000 atletas de 10 escolas de ténis e, para além disso, ainda “exportámos” técnicos e dirigentes para grandes clubes nacionais e para instâncias regionais do ténis.

Os resultados desportivos podiam ter sido melhores?
Dificilmente. Estamos inseridos numa região que engloba os distritos de Santarém e de Leiria e em competição direta com clubes com mais de 50 anos de história, pelo que tudo o que conseguimos foi à custa de muito esforço. Obtivemos já vários títulos de equipas, tendo sido campeões ou vice campeões nos escalões de sub16, sub18 e veteranos+35, tendo esta última obtido, inclusive, um 3º lugar no nacional da 2ª divisão. Também, individualmente, temos atletas com títulos conquistados em quase todos os escalões, o que nos torna o clube recente com mais títulos na nossa região, para além de termos já, individualmente, tenistas a vencer campeonatos regionais e a integrarem as seleções regionais. É ainda de destacar o facto de termos também atletas almeirinenses a vencer jogos em torneios internacionais, quer nos escalões juvenis, quer em seniores.

Olhando para trás, o que deveriam ter feito diferente?
Obviamente, em 10 anos de trabalho existem sempre erros de “casting”, mas penso que isso faz parte do processo de desenvolvimento de uma estrutura e, como tal, fornece aprendizagens que de outra forma seriam mais difíceis de adquirir. Como tal, fizemos tudo o que achámos que tinha que ser feito, no momento em que tinha que ser feito.

Ao nível de condições, Almeirim está bem servida?
Há 10 anos afirmaria, sem sombra de dúvida, que sim. Presentemente penso que é possível melhorar algumas coisas, sendo o nosso papel fazê-lo do ponto de vista técnico e organizativo e o da autarquia do ponto de vista das infra-estruturas, visto serem municipais.

O que pode melhorar?
A construção de uma infraestrutura de apoio à prática da modalidade e, consequentemente, ao desenvolvimento de torneios competitivos fora dos meses habituais de maio/junho e setembro/outubro é algo essencial e que está prometido pelo Sr. Presidente da Câmara. Noutra área também importante, a construção de um quarto court de ténis permitirá voltar a apostar no utilizador individual como um outro meio de divulgação e dinamização da modalidade, sendo um dos nossos objetivos recuperar essa dinâmica inicial, visto que, durante muito tempo, a utilização permanente dos três courts para aulas afastaram muitos dos habituais utilizadores deste tipo de instalação, também na realização de atividades este aumento melhorará significativamente as condições de trabalho. Finalmente, o piso dos courts necessitará, a médio prazo, de uma renovação, pelo que a substituição do atual piso por relva sintética poderá beneficiar, quer a maximização das aulas e do tempo de jogo, quer o estado físico dos atletas, contribuindo para a diminuição das lesões nas articulações inferiores.

Como vão assinalar a data redonda dos 10 anos?
As comemorações acontecerão ao longo do ano, iniciando com a realização do Sopa da Pedra Classic 2016, um torneio para atletas veteranos, de nível B, o segundo escalão mais elevado em Portugal, que decorrerá de 20 a 22 de Maio e onde será apresentado (sábado, dia 21, pela hora de almoço) todo o programa oficial de comemorações. As atividades a desenvolver serão muito variadas e ocorrerão com a periodicidade de uma ou duas por mês e têm como objetivo abrir o ténis ao concelho e mostrar a dinâmica conquistada nos últimos dez anos.

Quantos atletas e que escalões têm?
Presentemente, competem pela Secção de Ténis da Associação 20km de Almeirim cerca de 70 atletas, masculinos e femininos, em todos os escalões, desde os Sub-10 até aos Veteranos, com vários classificados no top10, 20 e 30 nos diversos escalões.

Numa terra sem grandes tradições pode aparecer “um João Sousa”?
Não é impossível, mas obviamente também não será fácil. Tirando Lisboa, nenhuma outra cidade criou “um João Sousa”, visto que praticamente todos os top200 ATP portugueses saíram para o estrangeiro. Para terem um paralelo da dificuldade de produzir atletas de elite, o futebol, que tem incomparavelmente mais praticantes, também tarda em produzir esse tipo de atleta na nossa cidade.

Como se desmistifica a ideia de que o Ténis é um desporto que não é só para os ricos?
Acho que essa ideia cai por terra assim que se procura alguma informação. Almeirim é, neste capítulo, um oásis em relação às grandes cidades, devido ao apoio que o Município de Almeirim tem proporcionado, conseguindo os atletas ter maior tempo de treino com um custo razoavelmente baixo. Também em termos de equipamento, temos providenciado para que os custos sejam os mais baixos possíveis. O que posso dizer mais em relação a este assunto é que, quer em Almeirim, quer em Alpiarça, a iniciação, a aprendizagem e a pré-competição são tão acessíveis como outras modalidades com tradição na cidade.

Que tipo de atividades têm feito para incluir pessoas com menos recursos?
Tendo em conta que a vertente de iniciação é de âmbito municipal, existem, com a autarquia de Almeirim, um conjunto de mecanismos que possibilitam a todos praticar a modalidade, independentemente da capacidade financeira das famílias. Depois, por sermos uma “pequena família”, cada caso é um caso e têm sido analisados de forma individual, procurando a Secção de Ténis dar resposta às dificuldades que vão surgindo a esse nível.

O Paulo Marques está à frente do projeto desde o início. Com a chegada da década vai sair ou sente que ainda tem mais para dar?
Dez anos é muito tempo e embora não seja propriamente uma função excessivamente sobrecarregada de trabalho, muito por culpa da excelente equipa de trabalho que me dá apoio, é perfeitamente natural procurar uma solução de renovação. O nosso mandato foi renovado em 2015, no entanto é perfeitamente possível que nos próximos atos eleitorais possa acontecer essa renovação. De momento, e apesar de estar de corpo e alma neste projeto, o Miguel Dias, atual Vice-Presidente da Secção, está totalmente à altura de assumir os destinos do Clube, sempre que para isso seja solicitado.

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