Alpiarcenses pelo mundo: A vez de Verónica Monteiro

Nascida em França no ano em que por cá se celebrava a Revolução dos Cravos, só aos 16 anos Verónica Monteiro, filha de emigrantes alpiarcenses, se mudou para Portugal e, embora tenha raízes francesas, confessa que é em terras lusas que pretende passar a sua velhice.

Que memórias guarda da sua infância em Alpiarça?
Guardo memórias dos natais que se faziam em casa dos meus avós com toda a família, que era bastante grande. Nas férias do verão ia para o meloal dos meus padrinhos com os meus primos Hugo e Bruno, que adoro, e havia uma sensação de liberdade porque juntavam-se os vizinhos e os meus primos para brincar no bairro da Junta. A praxe das férias era passar 15 dias na Nazaré. Também guardo boas recordações do Rancho Folclórico da Casa do Povo de Alpiarça, onde andei.

Por que motivo regressou a França, mais particularmente a Aquitaine?
O meu marido ficou desempregado e as dificuldades começaram. Um dia, cansada de contar o dinheiro para comprar coisas básicas para as minhas filhas, decidi ir ao escritório da fábrica onde trabalhava, na Monliz, e pedi transferência para outra empresa do grupo. Como ia abrir a unidade de condicionamento em Saint Sever, Aquitaine [França], decidi vir atrás de novas aventuras.

Onde se sente em casa? Portugal ou França?
É difícil de responder. Aqui tenho estabilidade, uma vida confortável e tempo para as minhas filhas, no entanto falta-me a minha mãe. Em Portugal tenho a minha família e os meus amigos. França viu-me nascer e o meu Portugal criou-me. O amor é igual, sinto-me bem nos dois países.

Como descreve Aquitaine?
Eu estou numa zona de Aquitaine no distrito de Landes. Esta zona é muito bonita, tem muitas paisagens de campo e florestas. O sudoeste tem a caraterística de conseguirmos ver os Pirenéus e ter o mar perto. No inverno temos temperaturas negativas e nevou uma vez. No verão as temperaturas chegam aos 36°C. Os pratos típicos: o foie gras e magret de canard, como sobremesa e o pastis e o nid abeille. Recordo um episódio engraçado: fui com os colegas de trabalho e eles tiveram de me explicar tudo o que tinha no prato porque eu não queria comer.

Há algum hábito típico francês que a Verónica tenha adquirido ao longo da sua vivência no estrangeiro?
Tomar o aperitivo, comer uns salgadinhos e beber um martini ou vinho do porto, antes de comer, isto é um hábito de festas e ou jantares com amigos.

Dos últimos acontecimentos em França, qual ou quais os que a marcaram mais e porquê?
Os atentados em Paris, pois chocou todo o mundo, e vivemos perto de uma cidade onde está a base aérea de onde os aviões partem em missão e, para além disso, também conhecemos muita gente que lá trabalha.

Portugal, é para voltar de vez?
A minha ideia é ir para Portugal para a minha velhice, mas como tenho as miúdas tudo dependerá da vida delas, caso precisem ou não dos pais.

Aconselha a emigração?
Sim, aconselho, mas nem tudo são rosas, temos de pesar bem os prós e os contras porque não é fácil viver longe do país que amamos.

O que lhe deixa mais saudades em Alpiarça?
Sinto muitas saudades de Alpiarça, da minha casa, da barragem, do clima, sinto falta de tudo. Aproveito para mandar muitos beijinhos aos meus amigos e amigas. Para a minha família um beijo grande. Ao meu padrinho Nalha e madrinha Luísa, eu adoro-vos. Aos meus primos, eu amo-vos, à minha cunhada Ana, um beijão, à minha irmã e sobrinhas, tenho saudades vossas e, por fim, a ti meu anjo que me trouxeste ao mundo, minha rainha, tu, minha mãe, eu amo-te e tenho muitas saudades. Põe-te boa depressa para vires ter comigo. Agradeço as vossas publicações [online], fazem-me sentir mais perto de vocês.

.