Seletividade, crítica e respeito

Somos, por natureza, seletivos. Não é de todo novidade e nada de original estaria a acrescentar ao enumerar comparações sobre esta vertente humana, tal como seletivos também está bem vincado no nosso código genético uma incrível capacidade crítica e avaliativa. Mais uma informação de simples entendimento, a seletividade e a crítica acabam por, de razões bem entendidas, estar ligadas entre si. Servindo o exemplo, até ao momento destas palavras, surgiu a crítica e a opção de não continuar a leitura, opção seletiva e merecida de respeito. Poderia criticar tal atitude, verdade, mas isso criaria uma espiral sem fim de crítica, seletividade e respeito.
Muitos eventos vêm ocorrendo por Almeirim, desde o âmbito desportivo, cultural ou até de empreendedorismo, as suas várias temáticas e vertentes têm feito cada vez mais parte da agenda desta cidade, entende-se que os almeirinenses, com o devido apoio do município, mostram uma crescente vontade de organizar atividades e ofertas de opções e diversidades que tornam a cidade mais dinâmica, mais estimulante e com mais seletividade.
Nem todos recebem igual apoio, como é obvio, sendo que isso se vê na sua afluência, o que de todo é compreensível e justificável pela variedade de gostos. Mas, nunca dado como satisfeito, a mostrar o quão exigente é um almeirinense, eleva-se a crítica. Vestida de diferentes formas, pessoal, monetária, ou até temática, surge sempre um ponto que desfavorece este ou outro evento que possivelmente poderiam crescer e futuramente oferecer bons resultados, mas acabam por se extinguir, tarde ou cedo, por essa geral falta de apoio e critica. A custo tem desenvolvido uma terra que vem do estigma do “pouco se faz” para tempos em que surge o de “há oferta a mais”. Pagam os eventos vazios, acabam por ser esses os desfavorecidos de uma severa seletividade por parte dos que de mais criticam sem conhecer e que, no fim, acabam por não respeitar novas iniciativas, acabando por sempre repetir o “nesta terra nunca nada se faz, nem há nada de jeito”.

 

Bruno Aniceto – Escritor

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