Da esquerda para a direita: Estratégia?

Em Portugal, temos o péssimo hábito de não conservar devidamente o património. Exemplo disso, é o património imobiliário nos nossos centros urbanos em decadência e cujo destino será … cair de podre. Para depois se construir algo totalmente novo, eventualmente até arquitetonicamente muito diferente. De uma maneira geral, o mesmo acontece com o Estado, seja ao nível do Estado Central ou dos Municípios. Mas aqui assume contornos muito mais gravosos, pois os equipamentos sociais podem rapidamente deixar de servir para os fins para que foram feitos ou podem mesmo causar danos a pessoas e bens. E não deixa de ser irónico que quem foi eleito pelo povo para o defender e fazer o melhor pelo povo não cuide do património público.
Almeirim não deixa, infelizmente, de ser um exemplo disso mesmo. Vejamos os casos em que as escolas primárias (agora EB1) se foram degradando tantos anos sem manutenção, as estradas esburacadas ou danificadas, a envolvente à Biblioteca Municipal degradada, parques infantis danificados, sem reparação, durante longo tempo, jardins que durante anos estiveram ao abandono, o estado geral de algumas instalações Municipais, bem como do seu equipamento informático e programas. Seria uma longa lista, e provavelmente não seria possível citar todas as situações do Concelho de Almeirim.
Mas, se a tendência sempre foi essa, a verdade é que tem piorado muito nos últimos anos. Em 2005, gastaram-se 342 mil euros em conservação de bens, que representavam 3,6% das despesas correntes, mas em 2015, apenas se gastaram 233 mil euros, o equivalente a 2,2%. Trata-se de uma redução de 32%. Recordo que nos últimos 10 anos muitas obras novas foram feitas como, por exemplo, o Cine-Teatro, os Centros Escolares de Almeirim e Fazendas de Almeirim, a Casa da Cultura de Fazendas de Almeirim, o Pavilhão de Benfica, etc, ou seja, o património a ser gerido pelo Município aumentou. Então, se o património é maior, se o Município ganha mais dinheiro (em 2005 as receitas correntes eram 9,1 milhões de euros vs. os atuais 12,4 milhões de euros) como se explica que o Município gaste menos dinheiro a cuidar do que é seu, ou melhor, do que é nosso? Tal, trata-se, evidentemente, de uma clara escolha política. Vejamos: durante os mandatos de José Sousa Gomes (2005-2013) o montante médio gasto em manutenção foi 300 mil euros (2,8% das despesas correntes) mas, no mandato atual, a média são 235 mil euros (2,2% das despesas correntes). Se os montantes gastos nos mandatos anteriores foram insuficientes, é preocupante pensar sobre qual é e qual será o estado geral dos equipamentos no futuro, com os níveis de conservação atuais. Refira-se, também, que as despesas de investimento (obras novas ou grandes reparações) nos mandatos de José Sousa Gomes foram 3,4 milhões de euros por ano e, atualmente, são 2,2 milhões de euros. Este executivo elegeu como prioridade a redução da dívida do Município: aumentou todos os impostos municipais para os níveis mais altos de sempre e cortou dramaticamente a conservação de bens e as despesas de investimento. Tal estratégia trará custos elevados, no futuro. E, no fundo, poderemos chamar-lhe estratégia?

 

João Lopes
Partido Social Democrata

.