“Vou dar o meu melhor” diz Miguel Arraiolos

Para o triatleta Miguel Arraiolos os resultados não são tudo. A qualificação para os Jogos Olímpicos, que terão início já em Agosto, foi um objetivo cumprido mas o jovem desportista alpiarcense mantém-se humilde no que respeita aos lugares mais altos do pódio.

A paixão pelo desporto é nata ou foi um gosto adquirido?
O desporto já nasceu comigo, comecei a praticar desde muito cedo mas tive grande influência dos meus pais, que sempre estiveram ligados ao desporto como professores e mesmo como atletas, a quem devo sempre aquele agradecimento especial pela boa influência e todo o apoio até hoje, por isso, no fundo, a paixão nasceu comigo e tornou-se cada vez mais um gosto em praticar seja o que for.

Dos Águias de Alpiarça às Águias do Benfica. Que papel teve o clube de Alpiarça no lançamento da sua carreira de triatleta?
Os Águias de Alpiarça foi o clube onde eu iniciei a minha carreira, foi onde conheci o meu primeiro treinador, Miguel Jourdan, que me ensinou o que havia para ensinar e me levou às minhas primeiras provas internacionais, e foi onde tive a minha primeira equipa/grupo de Triatlo, e hoje em dia somos grandes amigos. Portanto, o clube da minha terra terá sempre um grande significado para mim.

Há atletas promissores em Alpiarça?
Há sempre jovens a aparecer e muitos deles podem ser promessas, mas só com o tempo e evolução é que pode haver uma seleção porque, até uma certa idade, onde se pode pensar mais além, há muita coisa por acontecer.

Mesmo sabendo que a direção está a cargo da sua mãe, julga haver espaço para melhoramento dentro do Clube Desportivo “Os Águias”?
Em todas as direções há sempre algo a melhorar mas se houver organização e dedicação dentro do que está disponível e do que é possível, a direção pode superar-se, e tenho a certeza que é nesse sentido que a minha mãe procura e se esforça todos os dias.

Os atletas de BTT queixam-se da falta de apoios. Acha que o triatlo está entre os desportos privilegiados em Portugal ou também sentiu essa falta de apoio?
Os apoios não estão fáceis para ninguém, mesmo no meu grupo de treino de seleção tivemos tempos difíceis no início da qualificação olímpica, mas com o nosso esforço conseguimos superar as dificuldades e agora estamos mais estáveis. Não estou muito a par do que se passa dentro das outras federações e dos apoios que têm.

Como foi receber a notícia do apuramento para os Jogos Olímpicos?
Bem, foram dois anos de qualificação com o critério por ranking onde se apuraram os 55 primeiros, e entrei para dentro logo na segunda prova a contar para esse ranking, por isso foram praticamente dois anos a lutar para salvar esse lugar que nunca esteve confortável e sinto que foi um dever cumprido e o reconhecimento de todo o trabalho dos últimos anos, ao garantir essa 3ª vaga para Portugal.

Há algum adversário que anseie defrontar no Brasil?
É óbvio que há adversários mais fortes e outros mais fracos, mas todos eles serão meus adversários, e vou trabalhar para estar ao nível dos melhores nesta prova única que são os jogos olímpicos.

Que expetativas tem para a sua estreia nas Olimpíadas?
Não me vou focar muito em resultados, o principal objetivo foi cumprido, que foi a qualificação olímpica, na própria prova eu vou dar o meu melhor, vou ajudar o meu colega de treino e amigo, João Pereira, e desfrutar ao máximo a prova e o ambiente, no entanto, ficaria feliz num top 20, já que fui o 54º atleta qualificado.

Qual é o plano de treinos neste momento?
Tive um mês regenerativo para recuperar das provas de início de época mas agora já comecei a minha preparação para o Rio, estou a estagiar em altitude, nos Pirinéus franceses, com o meu treinador Lino Barruncho e dois dos meus colegas de treino, Melanie e Pereira (que vai estar comigo no rio).

E depois do triatlo? Já há projetos?
Estou na fase final do meu curso de desporto, por isso, certamente, irei continuar a estar ligado ao desporto, que é o que mais gosto. Especificamente ainda não sei para que ramo, tudo tem o seu tempo, e quando chegar a altura terei, com certeza, outros objetivos para depois da carreira.

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