Vasco Gaspar e a educação da mente

O mindfulness é mais que um estrangeirismo em voga e desengane-se quem pense que se trata de algo reservado apenas a uma certa religião ou estrato social pois para pôr em prática o bem estar mental só precisa ter vontade para tal, ou pelo menos assim o diz o autor do livro sobre a matéria “Mindfulness: Aqui e Agora”, Vasco Gaspar.

Quem assiste a uma apresentação de Vasco Gaspar sobre “mindfulness” não sai dali indiferente. Se, a princípio, aquele conceito do “aqui e agora” parecia insípido e meio aldrabado, como coisa de psicologia barata feita às três pancadas, hora e meia de diálogo orientado por Mário Martins, e alguns exercícios práticos depois, o auditório da Biblioteca Municipal já estava rendido à “mágica” desta terapia mental. Não é, portanto, por mero acaso que as sessões de Vasco, um alpiarcense de gema, são tão requisitadas por pessoas com profissões de alto desgaste psicológico.
O mindfulness recorre à meditação como veículo para atingir aquilo que muitos de nós ignoramos no dia a dia: sentir o momento presente tal como ele é, absorvendo as emoções através dos sentidos e deixando de parte os pensamentos “ruminantes” – assim apelidados pelo coach; muitas vezes relacionados com problemas quer sejam do passado quer sejam aqueles que antecipamos poderem vir a acontecer, e que rodam em piloto automático, distraindo a mente.
O que Vasco Gaspar tornou claro para os presentes no auditório foi que, muito dificilmente conseguimos, por exemplo, escutar o outro durante um minuto – um singelo minuto, repare-se – sem termos a tentação de intervir e interromper; por outro lado, ao suprimirmos essa “necessidade” abrimos caminho para que a mente divague sobre assuntos que nos preocupam ou que achamos, ainda que de forma insconsciente, terem prioridade sobre o que nos está a ser comunicado naquele instante. Qualquer um que tente fazer este exercício, tal como foi pedido ao público da biblioteca no sábado, dia 9 de julho, irá constatar que Ouvir alguém requer imensa concentração e, por isso mesmo, imenso trabalho e dedicação.
No mínimo curiosa, esta resposta de Vasco quando indagado sobre o público alvo e a acessibilidade deste método terapêutico, que o orador insiste não ter qualquer ligação espiritual ou religiosa, ainda que se baseie, em grande parte, na meditação: “o mindfulness não é para toda a gente, é para quem quer”. A alteração significativa à expressão corrente “não é para quem quer, é para quem pode” dá ênfase ao facto de que aqui o verdadeiro poder reside na força de vontade, no “querer!”. Já Arnold Schwarzenegger, que antes de se tornar ator foi culturista e se consagrou seis vezes consecutivas Mr. Universe, exalta bastantes vezes nos seus discursos e dissertações sobre a matéria do culturismo, que o cérebro é o músculo mais importante do corpo humano e que este requer tanto ou mais treino que os restantes músculos.
É no sentido de orientar quem esteja predisposto a mudar a sua atitude perante os desafios que o dia-a-dia nos coloca, que Vasco Gaspar escreveu o livro “Mindfulness: aqui e agora”, também acompanhado de CD que complementa com instruções orais os vários exercícios descritos.

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