Nuno Marques manda “recado” em carta aberta

Nuno Marques, ex-cabo do Grupo de Forcados Amadores da Chamusca, endereça uma missiva aos senhores da festa brava.  Leia aqui:

Carta aberta ao Grupo de Forcados Amadores da Chamusca

“No preciso momento em que vos escrevo estarão a decorrer as cortesias da corrida do Campo Pequeno, momento desejado e de ilusão e para o qual “trabalharam” muito e com muito sofrimento à mistura. Infelizmente, hoje, só 8 de vós serão felizes, só 8 poderão pisar a arena. Ingrato para todos os preteridos, frustrante para quem vos acompanha de tão longe para apenas vos ver por breves instantes a tentar honrar essa Jaqueta e a Chamusca.

Vamos ao motivo porque vos escrevo.

Serve esta carta para vos pedir DESCULPA!!!
Pedir desculpa a todos os que comigo se fardaram, que acreditaram sem reservas nas minhas palavras quando vos dizia que a diferenciação era o caminho para o reconhecimento, que o mérito era a garantia de corridas, que o saber-ser e o saber-estar eram fundamentais para construir as bases de um grupo de excelência e que teria a admiração de empresários e aficionados. Perdoem-me!!! Estava redondamente enganado e falhei…PERDOEM-ME!!!
Peço desculpa pelo que exigi, obstinadamente exigi rigor e fui duro e desagradável com muitos dos que me acompanharam entre 2000 e 2014, peço desculpa por exigir que se fardassem com elegância, sem remendos, limpos e distintos…que se comportassem em praça e fora dela com dignidade e elevação, “são figuras e em praça não corram, desfilem e desfrutem”. Quantas vezes fui intransigente com comportamentos divergentes, os sermões nos treinos para dissecar desde o brindar até o rabejar.
Pegar é mandar, desde o início, dando vantagens e sem capotes ou avisos da trincheira…mandar é entender o oponente, conhecer os tempos e as distâncias, os terrenos e as nossas próprias capacidades. Pegar é com 8 forcados e dar sempre que possível vantagens ao forcado da cara… Respeitar o público, o toiro e todos os agentes taurinos, ser educado; humilde e honesto… Perdoem-me…tudo tretas, tudo mentira!!! A prova é que hoje estão numa corrida de 6 grupos, e os outros…

Ninguém quer saber, é tudo igual…bem ou mal fardados, com postura ou em jeito de “corpo de intervenção” (para não usar a expressão “bando”), com 8 ou com 10/12/13 ou até mesmo forcados à civil como já vi este ano, interessa é que “agarrem o boi”, no final tudo se esquece e nada importa, mesmo que se bata no pessoal dos curros.
Umas trocas, uns favores, uns quantos bilhetes, monta-se a praça ou paga-se o embolador, vai-se de borla e ainda se paga o almoço ao empresário, e está garantida a temporada. A festa brava não é mais que o pálido reflexo deste país, muito lobby e muita política (no nosso métier, os boys passam a “tios”)

Temos a festa que merecemos, onde até os bloggers e críticos da especialidade são figuras de maior relevo que grande parte dos artistas, e para estes (os escribas claro), a pega resume-se à tentativa e se foi com ajudas carregadas ou não, de resto está sempre tudo bem. Meus caros jornalistas/críticos/bloggers, imaginem ke eu excrevia axim uma kronika de uma korrida de toirox na Xamuska por exemplo, no final a mensagem passava certo? Passava mas não deixava de conter erros gramaticais…grosseiros. Pois bem, acho que entenderam o analogismo, o facto de alguns grupos pegarem os seus toiros à 1ª e 2ª não significa necessariamente que estejam bem, e muitas vezes não estão.

Sempre me enojou a expressão “Forcados é tauromaquia de curral”, hoje assumo…desisto de tentar provar o contrário, resigno-me.

Aos meus amigos do GFAC, reitero o pedido de DESCULPAS, falhei…contudo vocês têm a possibilidade de se manterem assim, dignos mesmo com menos corridas que os outros.

Para mim serão sempre os melhores!”

 

Por: Nuno Pereira Marques

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