Da esquerda para a direita: Cidade ou Villa?

Almeirim, Cidade, mas que na realidade, sempre manteve os traços e alma da sua origem, Villa d’Almeirim, nas suas gentes, nos costumes, no receber e no mostrar, ser Almeirinense! Sempre ouvi dizer que Almeirim era melhor madrasta que mãe, e ao longo dos meus anos de vida, pude verificar que apesar deste “provérbio” me parecer um pouco estranho, os negócios trazidos, iniciados ou reabilitados por “gentes de fora”, vingavam, prosperavam e se mantinham, anos a fio. Isto sempre me fez confusão! E podemos constatar diversos exemplos desses por Almeirim, negócios e actividades de todo o tipo, e ai, me perguntei, por que razão isso aconteceria!? Pois bem, acabei por concluir que, isso se deve a uma “alma” almeirinense, que busca constantemente mais diversidade para si. Essa busca constante, faz com que em poucas gerações, isto é, quando uma família se muda de armas e bagagens para cá, se esqueça disso e as trate como sua, um almeirinense. Até aqui, nada me surpreendeu, pois gostamos de receber bem, muito bem, quem nos visita, quem nos habita, mesmo que por pouco tempo, ou que para cá se muda. O que me surpreendeu foi, constatar que afinal a busca constante não estava sozinha, mas que também, as “forças vivas” e de poder, assim o faziam, mas não da melhor forma. Que afinal, era preferível dar condições, criar possibilidades para quem vêm de fora, mesmo sabendo por vezes, que na porta ao lado, alguém tinha esse sonho, essa ideia, esse objectivo, mas ai já não interessa. O dar a “mão” a um negócio ou actividade, não tem de significar ser “camarada”, “amigo” ou com interesse futuro para qualquer outra coisa, o dar “mão” é saber criar as condições para que surja as ideias, sonhos ou objectivos, por vezes de uma vida, para que possa acontecer, construir, realizar ou concretizar. É permitir que as boas ideias sejam valorizadas, sem delas quer ficar com os louros. É perceber que as ideias de outros, a eles sejam reconhecidas, sejam anónimos, amigos, adversários ou porque simplesmente têm uma ideia ou uma visão diferente, desde que estas sejam para benefício da população. O controlo desenfreado de tudo o que é “forças vivas”, demonstra isso mesmo, não olhar a meios para atingir o controlo. O uso de ideias de outros, anos depois de terem sido apresentadas, propostas ou só mesmo comentadas, não pode ser o mote para ser autor delas. Quando o colectivo se sobrepõem ao individual, grandes feitos são alcançados, novas metas são propostas, novos horizontes são vislumbrados, novos objectivos são projectados.

Mas esta é só a minha opinião!

 

 

João Vinagre
Presidente CDS Almeirim

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