“Tinha o bichinho do Magic dentro de mim”

Pedro Agostinho, também conhecido como “PiriMaster”, é dono das lojas “Gruta dos Jogos”, situadas em Almeirim e Santarém. Abriu primeiro como um videoclube mas rapidamente se transformou numa loja de jogos. O clube de Magic “Gruta dos Jogos” é um dos mais antigo de Portugal.

O que é exatamente a gruta dos jogos?
Nós aqui dedicamo-nos a todo o tipo de jogos. O jogo número um é o Magic, porque é um jogo mais antigo e mais bem implementado no mercado. Depois temos jogos de tabulei-ro, temos “Mangas”, costumo organizar aqui algumas “Lans” (jogos em rede). Temos vários tipos de eventos. Temos agora Role Playing Games (RPG), Dungeons and Dragons (D&D), costumam vir jogar semanalmente. Torneios de LOL (League of Legends), já tentei fazer um e não me correu bem. As LAN’s que correm bem são as de Counter Strike (CS). Pelos vistos, o CS está mais bem organizado do que o LOL, apesar de ter mais jogadores do que o CS. Por-que o CS é mais fácil de jogar. O jogador de CS, claramente, é muito mais organizado. Como tal, tenho mais jogadores – já tive uma LAN com mais de 35 jogadores.

Como é que iniciou este projeto?

Iniciei este projeto porque comecei a jogar Magic já há muitos anos, em 1995. Depois fui morar para Lisboa, onde continuei a jogar. Acabei por parar durante algum tempo. Quando voltei para Almeirim, comecei como clube de vídeo mas como tinha o bichinho do Magic dentro de mim acabei por, a pouco e pouco, ir implementando os jogos, que é aquilo que me agrada mais.

Quando é que começou em Portugal o “boom” do Magic?
O primeiro pico que houve do Magic, a nível mundial e também cá em Portugal, foi entre 1995 e 1998. O jogo era uma novidade, fez sucesso no mundo inteiro e conseguiu chegar rapidamente ao milhão de jogadores, num curto espaço de tempo. Foi um sucesso imediato. Fizeram várias edições logo no primeiro ano. Nem o próprio criador, que é um professor de matemática estava à espera disto, porque ele fez um jogo para jogar com os amigos, depois lá arranjou uns apoios para criar o jogo, mas nem ele mesmo estava ENTREVISTA à espera do sucesso que foi. Em 2008, como já não tinha controlo, vendeu o jogo à “Hasbro”. Hoje em dia, o Magic é todo controlado pela empresa. Teve nessa altura o segundo “boom”. Atualmente, o Magic tem cerca de 20 milhões de jogadores. De 2008 até agora passou de um para vinte milhões. Teve um crescimento um bocado maluco (risos). Hoje em dia, em todos os jogos que eu vejo serem jogados têm coisas do Magic. Trouxe uma abertura muito grande para o mundo dos jogos.

Organiza torneios semanais. Em média quantos participantes tem nos torneios?
Nos torneios a média é aí talvez umas 14 pessoas. Há um fim de semana por mês que tenho à volta de 30/40 pessoas. Durante a semana é por volta dos 14.

Como é que distinguem as cartas falsas das verdadeiras?
No Magic não é fácil falsificar as cartas. Eu vou ali buscar uma que possa rasgar (levanta- se). Hoje em dia, o preço médio de uma carta ronda os 5 cêntimos. Como é que se faz uma impressão desta qualidade, com marca de água e tudo, para depois conseguir vender a cinco cêntimos? Tinha que se falsificar massivamente para vender massivamente. Como é que se falsificava um produto com tanta “tecnologia” com um preço tão baixo? Não era rentável.

Que valor atingem as cartas, hoje em dia?
As cartas atingem valores absurdos. É completamente louco. A carta mais cara do mundo, a Black Lotus, tem 3 edições. A primeira edição tem 1100 exemplares e já só se vendem em casas de leilões. Uma carta dessas custa aí na casa dos 30000€. A última que eu vi ser vendida foi por esse preço. Existem 3 formatos de jogo. O mais jogado é o T2 Standard (padrão). Os jogadores que começam, jogam nesse formato. Um baralho deste formato custa entre os 40€ e os 200€. Traz 75 cartas – 60 mais 15 de sideboard. Eu dou o primeiro baralho aos iniciantes e depois, para melhorarem, tenho ali umas opções que são espetaculares. Qual a faixa etária dos jogadores que aqui vêm? A faixa etária de quem aqui joga varia entre os 10 e os 45 anos. O nosso membro mais velho tem 45 anos. (risos). E temos também todas as profissões. Tenho médicos, polícias, fisioterapeutas… (risos)

Para além do Magic, que outros jogos é que aqui tem?
Costumo organizar com alguma regularidade encontros de jogos de tabuleiro. Tenho uma equipa mesmo certinha que vem para aqui todas as semanas jogar Dungeons and Dragons, que é um Role Playing Game, também da “Hasbro”. Um RPG é um jogo em que os jogadores encarnam um papel, cada um tem a sua personagem e vão viver uma aventura. Nos Estados Unidos estes jogos têm muito sucesso.

Há agora um novo “boom” nos jogos de vídeo, o Pokémon GO. Como é que está a pensar aproveitar isso?
Por acaso, mesmo hoje de manhã tentei tornar a loja num PokeStop (Sítio onde os jogadores param para obter itens do jogo), mas já não aceitam candidaturas. Isto está uma autêntica loucura. Nós estávamos agora a instalar o jogo, porque eles dão uma dica para tentar dinamizar aqui a loja com o jogo. Ainda vou fazer uma dica que apanhei ali na net. E vou mandar vir cartas Pokémon outra vez. Eu às vezes tenho aí Pokémon, mas agora tenho mesmo que mandar vir. Na próxima encomenda já vai vir uma lata de cartas (Risos). Já são bastante colecionáveis e, volta na volta, consigo vender um display a algum colecionador. Às vezes, nalguma promoção, acabo por comprar, ou no Natal compro umas latas para ter aí. Aquilo tem alguma procura. O Pokémon, a nível de TCG, hoje em dia, não sei se não tem mais procura que o YUGIOH. É mais colecionável o Pokémon. O Magic é um produto de alta tecnologia, não é fácil copiar as cartas.

Vai tentar ligar-se ao Pokémon GO?
Sim, eu de certeza que me vou tentar ligar a isso. Eu estou sempre atento a tudo o que é jogo. Já contactei com eles para me tornar num PokeStop, mas já fecharam as candidaturas. Em dois dias fecharam as candidaturas. Eu tenho já 70% dos jogadores de Magic atrás de Pokémons. Tinha tudo a ver com a minha loja (risos). É uma pena as candidaturas já estarem fechadas. Mas ainda vou mandar um e-mail, de qualquer forma. Brevemente vou ter aí uma iniciativa de Pokémon GO.

Há alguma relação entre lojas de jogos?
Sim, há alguma relação entre as lojas. Comunicamos relativamente bem. Há uns anos, apesar de sermos menos, era mais difícil. Hoje em dia, somos cada vez mais. Pessoalmente tenho boas ligações com alguns clubes em Portugal. Sou dos clubes mais antigos no país. Arena, Coimbra, Casas, Barreiro… Sou o quinto clube mais antigo em Portugal. A loja em Santarém também é minha.

Em termos de prestação em torneios, como é que estão os jogadores do clube?
Não têm estado mal. Conseguem bons resultados. Temos, inclusivamente, um jogador que foi a Barcelona ganhar um Pro Point, o Duarte Simões. Os Pro Points são o princípio da profissionalização do Magic. Já há jogadores profissionais de Magic. Nos quatro maiores eventos o prémio é de 250.000 dólares. Há cada vez mais uma profissionalização de jogado-res. Não só a nível de jogo. Os primeiros grandes jogadores, hoje em dia, são comentadores ou têm blogues e sites. Já é um mundo criado à Norte Americana.

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