“Andava na bola mas não sabia nada”

Tiago Ribeiro é hoje árbitro de futebol, mas começou na natação.  Jogou futebol, mas reconhece que das regras e leis sabia pouco, muito pouco. A maior influência para seguir esta carreira foi o novo Presidente do Conselho de Arbitragem da Associação de Futebol de Santarém, Jorge Maia. Para a nova temporada, os objetivos já estão traçados.

Como surgiu o gosto pela arbitragem?
Surgiu através da natação. A natação foi a primeira modalidade da qual fui árbitro, pois não tinha disponibilidade em termos de horário para continuar a competir, mas queria-me manter ligado a esta. Foi aí que descobri a arbitragem. Depois, a arbitragem do futebol veio através de um amigo de família, Bruno Cruz, que propôs que eu tirasse o curso, visto eu já ser árbitro de outras modalidades. E pronto, foi até hoje; ainda não consegui sair e não faço tenções de o fazer por agora.

Quem foi a maior influência?
A minha maior influência foi, sem dúvida, o Jorge Maia, dentro e fora de campo. Este senhor é um exemplo a seguir, ele ensinou-me quase tudo o que sei, e o empenho que ele dedica a tudo e a todos é simplesmente fantástico.
E é claro que a minha família toda me ajuda muito – a minha mãe, o meu pai, o meu irmão…
E sem esquecer a minha namorada, que ouve os meus desabafos depois dos jogos e que está o fim de semana sem mim quando arbitro no distrito.

O que o cativou?
Sinceramente não sei, mas vou começar a minha quinta época e é isto que adoro. Não sei se é pelo acordar de manhã todos os fins-de-semana, se é pelo grupo de árbitros que somos, pelo convívio, se é pela contribuição que dou para um desporto mais justo, se é sair de casa sem saber o que pode acontecer, pois cada jogo é um jogo e há sempre coisas novas, sinceramente não sei…
Que ensinamentos tirou de quando jogou?
Eu era o típico rapaz que andava na bola mas não sabia nada, nunca tive muito jeito no futebol, e também saí com menos de 13 anos do futebol, portanto também não me lembro de muito.

Foi cedo para a arbitragem porque não tinha jeito? Ou perdeu-se um grande futebolista?
A arbitragem permite-me estar muito perto do desporto em si, permite-me contribuir para que este seja disputado sem enganos, simplesmente que seja justo.

Foi fácil aprender todas as leis?
Na minha opinião, a arbitragem é muito mais que todas as leis, e hoje em dia vê-se cada vez mais isso, a preparação que os árbitros têm a todos os níveis é simplesmente incrível, portanto, aprender todas as leis, talvez seja o mais fácil.

Quando jogava, reconhece que só sabia o básico?
Talvez nem o básico eu sabia, o que me lembro é que, para mim, o mais importante era estar com um sorriso na cara, divertir-me a fazer o que gostava.

Agora quais são os objetivos? Principalmente para o próximo ano…
Os meus objetivos partem por me tornar melhor, sempre a subir, conseguir uma boa classificação no final da época e conseguir ajudar o meu chefe de equipa, Nelson Andrade, a atingir os seus objetivos.

Se a memória não falha, o Tiago terá sido o mais assíduo no Centro de Treinos. Isso prova que é mesmo com trabalho que as coisas se conseguem?
Este ano eu tive mesmo essa prova, trabalhei, dediquei-me e fiquei muito contente com o resultado. Com o trabalho tudo se consegue, basta querermos.

O final da temporada ficou marcado pela estreia num palco nacional. O que sentiu?
Foi uma sensação única, tive o privilégio de ser assistente do árbitro João Mendes, que ascendeu à primeira categoria nacional, foi uma sensação de orgulho próprio, de ver o meu trabalho recompensado, foram muitas emoções juntas. Fazer um Sporting – Porto é uma sensação indescritível.

Tem pena de perder o contacto do campo com Jorge Maia?
Muita pena mesmo, a arbitragem perdeu um grande árbitro, mas sei que ele vai colocar todo o seu saber e conhecimento em prol da nossa arbitragem distrital, para que a arbitragem do distrito de Santarém seja uma referência nacional.

Considera que vai dar um bom Presidente?
Pelos anos que trabalhei com o Jorge, tanto dentro como fora de campo e sabendo que é uma pessoa exigente, trabalhadora, amiga, conselheira e muito disciplinada, vai, por certo, dignificar a nossa classe e criar condições para que todos os árbitros tenham melhores desempenhos, fim de semana após fim de semana nos nossos campos.

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