Joaquim Pisco poderá mudar-se para os Açores

O almeirinense Joaquim Pisco é o número um na lista do PDR, a deputado pela ilha de São Jorge, para as legislativas regionais dos Açores. A candidatura à ilha de São Jorge surge na sequência de um convite do presidente do partido, Marinho e Pinto.

Como surgiu este desafio?
Antes de mais convém dizer que o PDR está presente em todos os círculos eleitorais nestas eleições na Região Autónoma dos Açores de 16 de Outubro. Sendo que a Ilha de São Jorge é considerada a ilha mais conservadora do arquipélago e em que os militantes e simpatizantes locais, por medo de represálias e retaliações por parte do poder regional e autárquico, confessaram comprovados receios em liderar uma lista do PDR, foi-me proposto o desafio, directamente pelo Presidente do Partido, o Dr. Marinho e Pinto e pela Comissão Politica Nacional, da qual faço parte, de liderar a lista de deputados para tal circulo, o que, após breve ponderação e reflecção familiar, foi por mim aceite com espirito de missão e sempre tendo em conta os valores promovidos por este Partido: Liberdade, Justiça e Solidariedade.

Qual a importância de Marinho Pinto nessa decisão?
Toda a importância e independentemente das palavras de ocasião que nestas alturas possam advir de todos os quadrantes políticos, relembro que, logo no começo da investidura do Dr. Marinho e Pinto no Parlamento Europeu, os seus primeiros convidados nessa instituição foram os alunos de escolas primárias de duas das ilhas Açoreanas mais ultra periféricas, ao caso Corvo e Flores, logo a motivação e a importância que me foi transmitida pelo Dr. Marinho e Pinto transcende quaisquer outras minudências.

A que se propõe?
O salutar desígnio do PDR em concorrer às eleições regionais dos Açores passa por três grandes objectivos, primeiro dar forma às expectativas dos inúmeros militantes e simpatizantes deste Partido na Região Autónoma dos Açores que ansiavam por este projecto, composto de pessoas sérias, renovadas na sua ambição de lutar por um Portugal melhor e mais justo, mas acima de tudo na luta contra as assimetrias entre regiões, tanto em Portugal Continental como nas Ilhas; em segundo lugar para tornar público o deficit democrático permanente e perverso de que padece a Região Autónoma dos Açores, em que as pessoas têm receio de divulgar as suas ideias publicamente ou de exercer os seus direitos de cidadania politica sempre sob o espectro das retaliações ao nível do seu emprego ou de seus familiares ou, no caso dos empresários, dos contratos com o Estado em que são sempre preferidos os amigos da casa; e por último na luta contra os critérios que consubstanciam uma clara e injusta dupla penalização aos habitantes das ilhas que não S. Miguel e Terceira, que não tem acesso ao mesmo tipo de infra-estruturas e serviços e que, até nas deslocações entre ilhas são prejudicados.

Isso vai implicar uma mudança para os Açores?
Como candidato não, mas após as eleições e em face do compromisso assumido, se houver eleição como deputado obviamente que sim.

O que tem aprendido desde que está aí?
Cada uma das ilhas representa um microcosmos, com as especificidades e costumes próprios e uma grande concentração, quer de serviços públicos, quer de empresas, quer de população na Ilha de S. Miguel e especificamente em Ponta Delgada. O contacto com o ultra-periferismo das outras ilhas que não a Terceira e S. Miguel, deu para perceber que a vida das populações locais não é nada fácil, muito dependente do Poder Regional e Autárquico e dos humores de quem está no poder e que a rede de transportes entre ilhas, seja de mercadorias ou de pessoas é ineficaz, parcial e um sorvedouro de dinheiros públicos e de distribuição de cargos pelos partidos do costume.

Semelhanças com Almeirim?
O problema de Almeirim é de outra estirpe, terá mais a ver com o desinteresse das pessoas na politica em geral, no conformismo geral da população e no ativismo em relação ao exercício do direito/dever de cidadania democrática, agora deficit democrático por medo de represálias económicas e sociais não creio que exista. A semelhança mais evidente, até pelo Partido que governa na Região ser o mesmo da autarquia de Almeirim, ao caso o PS, é um claro e desmesurado peso da máquina pública em prejuízo do sector privado e a continua ideia – geneticamente implantada nesta força partidária – que o investimento público é o motor da economia, quando isso não corresponde à realidade e, comprovadamente, a única coisa que traz são benefícios aos amigos e correligionários e ao financiamento dos Partidos do costume

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