Graffiti: arte mural ou poluição urbana

Este não é um assunto novo. Já há muito tempo que se confrontam as opiniões favoráveis e desfavoráveis em relação a esta prática. Creio que com o passar do tempo é cada vez mais comum que as pessoas consigam entender e aceitar a pintura mural urbana quando ela se reveste de significado, quando ela remete para alguma coisa concreta.
Penso que em Almeirim temos dois períodos distintos: antes da pintura mural de Francisco Camilo, no Largo do Conde, e depois da realização desse mural. Antes tínhamos alguns trabalhos, concentrados essencialmente naquele que é conhecido ainda hoje como “Parque da Cocheira”. Feitos por almeirinenses (Pedro Saraiva, João Carriço) que ousaram dar asas à sua imaginação, apesar de não terem muita experiência neste tipo de pintura. Refiro estes porque tinham imagem e elementos simbólicos que permitiam alguma interpretação. Do outro lado, nas paredes do Fiuza existiam muitos tags (assinaturas) sem carga simbólica e representativa. Independentemente do resultado, estes trabalhos criaram um sentido de identificação e pertença em várias gerações de jovens que passavam com regularidade naquele parque de estacionamento. Hoje, depois da pintura sobre a Montaria Real feita por Francisco Camilo, acredito que muito mais pessoas descobriram esse sentimento de identificação e pertença. É impossível ignorar o impacto que tem uma pintura daquele tamanho, e o facto de representar um tema relacionado com a história de Almeirim acaba por reunir todos os almeirinenses em torno de uma memória coletiva que ajuda a projetar a nossa identidade.
Um dia destes, subi a costa vicentina e optei pela estrada nacional para chegar a Almeirim. Revi com agrado algumas das obras inseridas no projeto Route 118 (www.facebook.com/RN118) que derivou do FIFCA, em Benfica do Ribatejo. Para além de achar interessantíssimo o projeto em si, o resultado é fantástico. Entre temáticas populares e representações mais abstratas é notória a contribuição destes murais para uma impressão positiva da vila, que traduz dinamismo e cultura. Se ainda não conhece vá a Benfica do Ribatejo e olhe em redor com atenção, vai ficar surpreendido!
Tiago Marques – Empresário e designer

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