Almeirim preparada para sismo?

Um sismo de intensidade 6,2 da escala de Richter abalou uma cidade italiana tendo destruído a quase totalidade do seu centro e morto mais de 290 pessoas. A pequena cidade, de 2000 pessoas perdeu mais de 10% da sua população. A pergunta que nos fazemos é se uma coisa semelhante poderia acontecer-nos, aqui, em Almeirim. A resposta é sim. E é possível prever quando e quais os estragos? A resposta é não. Os sismos são processos naturais da terra ocorrendo diariamente milhares de sismos sobretudo de pequena intensidade. São imprevisíveis, no sentido em que não conseguimos prever quando irão ocorrer e qual o seu grau de destruição. Sempre existiram e sempre existirão. A actividade sísmica decorre dos movimentos da crosta terrestre “empurrada” pelas pressões vindas do interior da terra. A terra é “coberta” por placas, imaginemos uma casa, com uma caldeira de aquecimento na cave. No rés-do-chão o pavimento é de mosaico, ou pedra de grandes dimensões, que se unem em juntas, como é normal. Alguém se esqueceu de desligar a caldeira e ela aquece demais e acaba por rebentar. Como se depreende o pavimento vai partir primeiro pelas juntas (é mesmo para isso que elas servem). Na crosta terrestre passa-se o mesmo. De tempos em tempos as “caldeiras” libertam pressão pelas juntas (falhas) que acabam por ceder e provocar o sismo. Quanto mais próximo da junta (falha) maior o estrago. Os movimentos, apesar de imprevisíveis, são relativamente cíclicos. Em Portugal os grandes sismos têm-se dado com uma periodicidade de 200 anos (1969, 1755, 1531) apesar de no século XX terem ocorrido dois sismos de grande intensidade (1909 e 1969). Para “medir” os sismos foram criadas duas escalas. Uma mais “técnica” a escala de Richter (criada em 1935 por um investigador de nome Richter) com uma graduação de 0 a 10 e que relaciona, basicamente, os valores obtidos nos aparelhos de medida (sismógrafos) com o tempo de actuação através de uma equação matemática.

 

richter

Uma outra escala, a de Mercalli (o nome correcto é de Mercalli corrigida) que foi criada em 1902 por um sismólogo italiano e representa o “estrago” nas construções. Esta situação não é “definitiva”, uma vez que existem uma série de variáveis que podem alterar o resultado. O tipo de solo, as manipulações a que esse solo foi sujeito (aterros ou grandes escavações por exemplo) influenciam. Naturalmente que os territórios onde existem mais fracturas na crosta sofrem mais sismos. Por vezes, como nas panelas de pressão dá-se uma libertação da energia através de válvulas, chaminés que conhecemos, os vulcões.

mercalli
E Almeirim?, Bom Portugal está dividido em 4 zonas sísmicas. Almeirim situa-se na segunda com maior risco sísmico, mas próximo da fronteira com a primeira (Benavente situa-se na primeira). Nos último sismo de grande dimensão, 1969, não foram sentidos estragos de maior, contudo, no resto do país também não.
Qual então a atitude a tomar? Bom, em termos de prevenção, importa analisar o potencial risco sísmico de cada habitação. Para o que deve ser pedido a análise por um técnico de engenharia civil. Durante o sismo, colocar-se sob uma mesa, no vão das portas interiores e nunca chegar perto das fachadas. Se estiver na rua, afastar-se das construções e postes de iluminação. Depois do sismo – desligar as torneiras de corte do gás, da água e quadros eléctricos, sair para zonas amplas e livres (zona norte – campos de futebol; zona central – biblioteca e parque desportivo; Pupo – parque das Tílias).
Convém sempre ter em casa alguma reserva de água engarrafada (pelo menos 1 litro por pessoa), uma lanterna e um rádio a pilhas, alguns enlatados que permitam comer um ou dois dias. A autoridade para a protecção civil cujos técnicos estão devidamente habilitados e treinados orientarão o processo.
António Rocha Pinto
Engenheiro Civil
Este texto é escrito segundo o antigo acordo ortográfico.

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