Da esquerda para a direita: Silêncio

O Feel Music Festival foi uma iniciativa do União de Almeirim, que contemplou dois dias de festa no seu estádio. Foi um dos poucos (se não o único) eventos com dimensão que se realizaram em Almeirim este ano. E foi, julgo eu, a primeira vez que a maior banda de rock português cá atuou. Foi, para alguns, um problema de barulho. Em Almeirim, é costume.
Sendo o lugar de excelência para a realização de eventos do clube, não se estranha que tivesse sido o palco escolhido para a festa. Ou melhor, há quem estranhe. Mas, antes de discutir em pormenor a questão do local, importa relembrar que não foi a primeira (e certamente não será a última) vez que, com licenças de ruído atribuídas, as queixas de moradores são suficientes para gerar polémicas desnecessárias há vários anos, em vários sítios. Deixo, no entanto, uma declaração de interesses para que não haja dúvidas: Não fui ao festival em questão (nunca fui fã de Xutos), não sou sócio do clube e os meus pés tortos nunca me permitiram jogar futebol ali ou noutro lado. E sim, sou amigo do presidente do clube. É isto.
Em primeiro lugar, a queixa de que o local escolhido não foi o melhor. Ideia pateta. De todos os locais de que Almeirim dispõe para a realização de eventos desta natureza, o estádio é, de forma óbvia, um lugar privilegiado. Tem ainda aquele pequeno detalhe que, não sendo decisivo, é significativo: é o estádio do clube que organiza o evento.
A seguir, e não menos obtuso, o argumento de que é perto de zona residencial. Ora, em Almeirim não existem, pelo menos que eu conheça, lugares com as condições para um concerto que o não sejam. Parque da Zona Norte – residencial, Jardim da Biblioteca – residencial, Parque das Tílias – residencial. Os exemplos são fáceis e ilustrados pelas festas que vão havendo na cidade. Talvez a zona industrial fuja à regra e fosse uma ideia diferente.
Continuando pelos argumentos por aí disseminados, resta um com algum sentido: A proximidade a um lar de idosos.
Em boa verdade, podemos discutir esta ideia de forma objetiva e dizer que o estádio já lá estava; que quando o espaço foi construído deviam ter pensado que no estádio podia haver mais qualquer coisa do que futebol aos domingos. Ainda assim, seria isentar de responsabilidade quem organiza os eventos. Por outro lado, podemos dar um ênfase moral à ideia – que organizar eventos “até às tantas da noite” pode afetar quem lá descansa e trabalha, já sem contar com o barulho e os danos que alguns irresponsáveis provocam. No entanto, seria generalizador e moralista para quem gosta de se divertir até tarde.
Em jeito de conclusão, o equilíbrio andará pelo meio. Pela importância de quem organiza, de informar os próximos mais sensíveis, e pela aceitação comum de que são eventos pontuais. Aos moradores pede-se o mesmo. A compreensão de que, em 51 fins de semana, Almeirim pouco mais que isto tem. É que ao merecido descanso todos temos direito, mas se uma vez por outra a cidade não mexer, então essa sim, vai descansar de vez.

Diogo Pascoal
Partido Popular

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