Pedro Bento sob o risco de ser multado se atropelar uma galinha

Pedro Bento está a participar no Yak attack no Nepal, uma prova que é composta por dez etapas e que tem o ponto alto a passagem aos 5410 metros de altitude. O atleta almeirinense relata a segunda e terceira etapa:

A segunda etapa deste ano foi desenhada para ser a mais dura de todas as edições, a parte da etapa da passagem aos 5400:
Foram 62km com 2900 M de acumulado de subida!
Todos estavam bastante receosos do que iríamos enfrentar e por ser uma etapa longa a partida deu se as 8h da manha, ainda com todos os 39 atletas!
A partida iniciou atrás de um jipe por 2km, devido ao tráfico da cidade, e só quando entramos na terra iniciou a prova!
Os favoritos foram logo para a frente e eu tentei colocar o meu ritmo de acordo com as sensações, segui muito tempo na roda de um francês mas depois passei para a frente e segui no meu ritmo. Qual o meu espanto quando na primeira vez em que precisei de usar os travões eles simplesmente não funcionavam, o de trás ainda conseguia abrandar um pouco a velocidade mas o da frente simplesmente não funcionava, tal como a suspensão que desde o primeiro dia também deixou de funcionar!
As paisagens variavam entre cascatas e vilas repletas de vida onde as crianças corriam atrás de nós apenas para nos incentivarem! Os perigos espreitam a cada esquina e a cada curva: os jipes que servem de transporte público aos habitantes e turistas, as motorizadas que muitas vezes transportam famílias inteiras, os trekers que tentam conquistar cada montanha, os burros, vacas, galinhas, etc
Só por curiosidade: se atropelarmos uma galinha temos de pagar uma multa entre 50 a 150€ de acordo com o número de ovos que a galinha põe.
Após ter falhado o primeiro posto de abastecimento ao km 25 continuei sem água ate ao km 40, foram duas horas de subida interminável sem água! Parei numa loja que se encontra na berma da estrada e comprei uma garrafa de água por 100 rupias, mais ou menos um euro.
Após dois km reparei que tinha deixado os óculos de sol na loja, impensável voltar atrás! Continuei e ao km 50 comecei a pagar o preço de ter andado sem água tantos kms! As subidas de pedra que não tinham fim, as pequenas descidas, sem travões nem suspensão, junto aos precipícios tornavam-se um suplício até que sem esperar surgiu a linha de chegada e um alívio muito grande!
Terminei com 6h7′ e num 10° lugar a geral e 9º do escalão!
Mas o pior de tudo foi a espera pelo saco com as roupas, estive mais de 6h enrolado numa manta a espera do saco! Os outros atletas iam chegando a conta-gotas e muitos deles já só chegaram de noite cerrada, dois atletas acabaram mesmo por desistir”.

Pedro Bento

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