Pedro Bento à conquista do Nepal: “As sanitas são daquelas em que é preciso fazer agachamentos e a cama é algo parecido com tijolo”

“A partida deu-se pelas 10h da manhã, tendo iniciado fora da cidade! O início foi rapidíssimo, todos queriam ir para a frente e tentar acompanhar os mais rápidos, eu mantive o meu ritmo desde o início e foi a melhor opção pois aos poucos fui recuperando posicões até entrar nos 10ºs! A paisagem era algo de cortar a respiração, do meu lado direito ao longo de um vale com mais de 500m de profundidade corria um rio a uma velocidade estontanteante de um azul tão cristalino que parecia pintado! As escarpas das montanhas eram autênticos quadros! De repente a meio da subida mais longa da etapa surge um menino com uma idade a rondar os 6 anos, a incentivar-me e a correr ao meu lado empurrando um arco com um pau! Este momento fui obrigado a registar em vídeo para mais tarde recordar! Mais uma etapa em que os perigos normais surgiam a cada curva e a cada descida tinha de rezar para que nada se atravessa-se à minha frente porque travões foi algo que também não existiu nesta etapa. Rodei quase sempre com um nepalês durante toda a etapa, mas na parte final senti-me mais forte e ainda consegui ganhar 4′ de avanço e apanhar e ultrapassar o françês que também seguia à minha frente ! Resultado 9º da etapa e 9º da geral!
O hotel que vamos ficar durante duas noites não é mau de todo: banhos quentes é algo que não existe, as sanitas são daquelas em que é preciso fazer agachamentos e a cama é algo parecido com tijolo, por isso vai ser duas belas noites”.

Pedro Bento

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