Almeirinense descreve peregrinação a Fátima a pé

Os dias 8 e 9 de outubro foram, para mim, um misto de cansaço, convívio, alegria, fé, mas sobretudo de muita paz. Ir a Fátima a pé era um “projeto” que tinha em mente desde a altura em que recebi o sacramento do Crisma, mas, por este ou aquele motivo, foi sempre adiado.

Nada de promessas, nada de sacrifícios… apenas agradecer. Devemos sempre agradecer. Quando era miúda, o que me movia era a curiosidade (tendo em conta que conhecia muita gente que já tinha ido e falava muito dessa experiência) e também aquele espírito que me envolvia quando terminei a catequese; mas continuei como acólita, aos domingos, até não dar para descer a bainha das batinas que existiam na sacristia da nossa igreja (S. João Batista)…
Devido a questões laborais, reencontrei a minha diretora de turma do 6º ano, a minha exigente professora de português! Conversa para aqui, conversa para ali, em agosto ela confidenciou-me que há 25 anos que fazia o Caminho de Fátima a pé, em maio e em outubro, em memória da primeira e última aparição de Nossa Senhora de Fátima na Cova da Iria. Não hesitei e perguntei-lhe se a podia acompanhar na próxima peregrinação! Ficou logo acordado que sim.
Resumindo: no dia 8 de outubro, pelas nove horas da manhã, saí de Almeirim na companhia de três amigas rumo a Fátima. A primeira etapa foi uma paragem na Ribeira de Santarém, onde se juntou a nós outra companheira de “viagem”.
Seguimos rumo a Alcanhões e almoçámos já tarde na Torre do Bispo, onde o manjar (encomendado previamente pelas veteranas) foi favas com peixe frito: uma delícia para quem já tinha o estômago colado, e cansaço ao nível dos gémeos! Seguimos com alguma renitência com o objetivo de Pernes e lá chegámos, parando no quartel dos Soldados da Paz para repor algumas energias. O dia ia longo e as pernas já acusavam muito cansaço mas ainda continuámos a nossa jornada, parando na Louriceira, perto de Alcanena, quando a noite caiu.
No dia seguinte, com algumas dores, lá fomos nós caminhando e fazendo partilha de momentos da nossa vida. Durante este percurso fui rindo com a experiência das minhas colegas peregrinas (a comemorarem a 50ª peregrinação oficial juntas), e também me embrenhei nos meus pensamentos, na minha vida. Orei e senti uma paz desmesurada…
Parámos em Alcanena para tomar o pequeno-almoço e depois de duas subidas razoáveis chegámos a Minde, onde fizemos uma pausa para descansar e tomar um café, e aí disseram-me que a partir dali seria a etapa mais difícil para concluir a nossa peregrinação… Covão do Coelho será um nome que muito dificilmente irei esquecer! Mais de uma hora a subir. No final de um grande esforço, e no início de uma reta de doze quilómetros, fizemos uma paragem no Vale Alto para almoçar e retemperar as forças. Depois do almoço lá seguimos estrada fora, até perfazer os últimos dez quilómetros até Fátima. Eu ansiava ter na minha linha de horizonte a rotunda dos três pastorinhos. Passei uma rotunda e outra… as minhas pernas já nem doíam, a jornada estava a terminar. Antes da entrada no Santuário, tomámos um chá e seguimos.
O ambiente que me envolveu não o consigo descrever em palavras. Acendi as minhas velas, fiz as minhas orações. Pedi por mim e por quem amo. Pedi por quem me tem ajudado ao longo da minha vida…
Fiquei muito grata a quem me acompanhou e em especial à minha querida professora e sua família. Voltando ao início deste testemunho, embora às vezes as coisas não corram como queríamos, que tudo parece estar contra… eu penso que sou “muito rica” como me disse há pouco tempo uma amiga: tenho umas filhas lindas e cheias de saúde, e eu também… acredito com toda a fé do mundo que Maria me tem ajudado nas minhas lutas. E que Ele tem colocado as pessoas certas no momento certo da minha vida. Agradecer… sempre!
Em maio, se tudo correr de feição, irei novamente!

 

M.J.V.

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