Andebol dos 20 km estava em colapso

José Ouro está de regresso ao andebol em Almeirim e, pela primeira vez, na Associação 20 km. O dirigente assume com frontalidade que quando chegou, a secção estava à beira do colapso. Apesar das dificuldades, José Ouro confia no futuro.

Como está a correr o início da nova temporada?
O início da nova temporada está a ser bastante difícil. Ao tomarmos posse em 29 de setembro do corrente ano, já com a época a decorrer, e perante as situações gravíssimas com que nos deparámos, decidimos que o trabalho imediato da Secção de Andebol seria unir-se numa equipa coesa que garantisse a sua viabilização através da reformulação de procedimentos e atitudes, com a finalidade imediata de criar credibilidade face à situação de colapso em que a Secção se encontrava. A situação de continuidade só foi possível graças aos votos de confiança da Direção da Associação dos 20km de Almeirim e do Sr. Vereador do Desporto da Câmara Municipal de Almeirim.

Quais as maiores mudanças que aconteceram?
Em primeiro lugar, começar do ”ZERO”, constituir uma direção coesa, credível e de trabalho que tivesse como lema servir o desporto e não servir-se dele.
Em segundo lugar, fazer o levantamento dos atletas de que a secção dispunha, para poder dar resposta às decisões já tomadas na participação das provas calendarizadas pela Associação de Andebol de Santarém e Federação de Andebol.
Em terceiro lugar, pacificar a modalidade em Almeirim e fazer captação de jovens.
Em quarto lugar, interceder junto dos pais das atletas para nos ajudarem dentro da sua área de ação a tornar os objetivos traçados pela Secção possíveis.

Que escalões está a ter a Secção de Andebol dos 20 km?
Em competição, os escalões de Bambis/Minis, Infantis e Juvenis. Os escalões de iniciadas e juniores eram deficitários em ativos para formar uma equipa competitiva. Não obstante, está já a ser feito um trabalho com a intenção de, na próxima época, estes escalões estarem já em competição.

E de treinadores?
No tocante a treinadores, temos o Lourenço nos escalões de infantis e juvenis e a Ândrea Bastos, como formadora dos Bambis/Minis e colaboradora do Lourenço nos outros escalões.

Quem assumiu o papel de coordenador?
A coordenação do andebol dos 20kms é feita por mim e pelos membros da direção, de acordo com os pelouros distribuídos. Cada escalão tem dois responsáveis. Em reunião da direção tomam-se as decisões que achamos necessárias, de modo a que qualquer dirigente responsável nunca invoque desconhecimento.

O porquê da saída de Artur Roldan?
É uma pergunta interessante, cuja resposta compete ao visado.

E como surgiu o regresso do Lourenço? E que espera dele?
Quando esta direção de andebol tomou posse, já o Lourenço estava a treinar os escalões, e nós acordámos com ele a sua permanência.
Devido ao conhecimento que tinha do Lourenço no andebol, a minha esperança é positiva. Esperamos, agora, pelos resultados dos objetivos traçados. Sabe que os dirigentes, os jogadores e os treinadores passam, a Associação dos 20Km e a sua Secção de Andebol fica.

O seu regresso também foi inesperado? Imaginava-se voltar?
O meu regresso foi devido a intervenientes que me conhecem e acreditaram em mim para reativar a secção de andebol dos 20km. Foi muito difícil o meu regresso, que só se tornou possível pela extraordinária equipa de trabalho que me rodeia e a quem, desde já, agradeço publicamente a sua dedicação e espírito de sacrifício.

Que diferença há do seu tempo para este?
No meu tempo, o praticante sentia o trabalho da Secção de Andebol, a camisola que vestia, o espírito de equipa, o gosto pela prática da modalidade, o resultado e a classificação.
Presentemente, nesta modalidade, os praticantes manifestam muita pressão dos pais e falta de sensibilização em relação ao desporto, que deve ser uma parte integrante da sua formação física e educativa, de modo a contribuir para o seu êxito pessoal e escolar. O andebol é visto, apenas, como uma ocupação de tempos livres, desvalorizando o investimento que está a ser feito pelas entidades – Associação dos 20km, Câmara Municipal de Almeirim, patrocinadores e até pelos próprios pais na formação de cada atleta, não falando nos custos elevados das entidades oficiais – Federação e Associação – ao onerarem a sua prática, com inscrições, seguros e arbitragens. Quero com isto dizer que é urgente fazer um trabalho de mentalização das jogadoras como intervenientes ativas e, como tal, têm de mostrar rentabilidade, de modo a justificarem o trabalho dos “carolas” dirigentes, das entidades, dos patrocinadores e dos pais, que são peças vitais para as ajudarem a alcançar o êxito de, um dia, serem referências locais e nacionais.

O que aconteceu para que Almeirim tivesse sido uma potência e o andebol tivesse acabado?
Em minha opinião, deveu-se à conjuntura económica que o país atravessou nos últimos anos.

Que erros se cometeram?
Os erros corrigem-se em face da liquidez de tesouraria dos Clubes, e essas pecam pela escassez de suporte para fazer uma gestão de despesas fixas que envolvem o andebol.

Foi uma boa medida separar o masculino e feminino com os 3A?
Foi uma medida fundamental para pacificar o andebol em Almeirim e passar a haver um trabalho conjunto para benefício comum, quer na captação e formação de atletas, quer na implementação da modalidade na cidade. Quero deixar aqui uma palavra de respeito e agradecimento aos diretores dos 3A, relativa a reparos que fizeram de situações do passado a que esta Secção é alheia.

 

Lourenço Reis

 

O que o fez regressar à atividade?
Fui convidado pela Direção dos 20 km de Almeirim e a partir do momento que tenho tempo disponível e gosto da modalidade foi fácil aceitar.

Quais os objetivos que lhe foram propostos?
O objetivo prioritário é a nível da captação de jovens, de forma a dotar a secção de um núcleo estável de praticantes no concelho para que, a médio prazo, possam aparecer resultados.

Como tem visto o estado do andebol no concelho e na região?
O estado do andebol no concelho é um reflexo do que se passa no país, especialmente na vertente feminina. Há uma dificuldade grande na captação de jovens. Contudo, há clubes que, com um trabalho consistente, conseguem manter bons resultados.

Há muitas diferenças para o seu tempo?
Há duas grandes diferenças significativas: a primeira tem a ver com o número de praticantes que, infelizmente, neste momento, é mais reduzido; a segunda é a nível da ligação entre as Escolas e os clubes que, aparentemente, neste momento, é muito fraca.

Sente-se, ainda, o pai da modalidade em Almeirim? Foi consigo que foram conseguidos os maiores resultados aqui.
Não fui, de forma alguma, o “Pai” da modalidade em Almeirim. Tive, isso sim, o privilégio de trabalhar com um grupo muito alargado de pessoas: diretores, técnicos e atletas, entre outros, que tínhamos um privilégio comum, e quando tanta gente dá o seu melhor por uma causa, o resultado tem grandes probabilidades de ser bom, e foi isso que aconteceu. Espero que, neste momento, consigamos fazer o mesmo.

 

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