Da esquerda para a direita: Frazão de Vasconcellos

1. Em agosto deste ano, a Academia Itinerarium XIV entregou uma carta aberta ao executivo municipal onde denunciava o estado de degradação do Paço Real da Ribeira de Muge. Na altura, a academia referiu que não deixaria passar em branco os 90 anos da publicação da separata de Frazão de Vasconcellos “O Paço dos Negros da Ribeira de Muge e os seus Almoxarifes”. Prometemos e cumprimos. No dia 1 de dezembro, iremos homenagear o primeiro académico que estudou o último vestígio material da presença da corte quinhentista em Almeirim (precisamente no período em que Portugal foi o mais importante país do mundo).
Frazão de Vasconcellos foi membro da Academia Portuguesa da História, e será a Secretária Geral desta instituição, a Professora Doutora Maria de Fátima Reis, que virá partilhar connosco um pouco sobre quem foi este homem.
Será uma iniciativa simples e informal, mas que se pretende bastante digna.

2. A Academia Itinerarium XIV é uma associação que trabalha praticamente sem dinheiro. E temos conseguido programas bastante dignos, a custo praticamente zero. Só para falarmos de quem já trouxemos ao nosso concelho, além da Doutora Fátima Reis, neste ano reunimos num colóquio da Raposa, Armando Ferreira (atualmente uma das personalidades mais destacadas na área da molinologia) e Fátima Nunes (mentora da candidatura dos Moinhos de Vento do Oeste a Património da Humanidade). O ano passado, pela terceira vez, Deana Barroqueiro veio falar do seu romance histórico, D. Sebastião e o Vidente, a Paço dos Negros. Participamos, desde há três anos, na iniciativa nacional “Dia dos Moinhos Abertos”, com o Moinho do Fidalgo. Faz agora um ano, relembrámos o Natal de outros tempos. Faz agora dois anos, assinalámos os 500 anos da conclusão do Paço Real da Ribeira de Muge. Definitivamente, a falta de dinheiro não é desculpa para o desinvestimento na cultura.

3. E, por falar no Paço Real da Ribeira de Muge, a degradação soma e segue neste espaço. Numa recente visita, verificámos que o portal, para além do descarnamento dos rebocos na parte da frente, evidencia ainda uma fissura, visível a olho nu, na parte interior do mesmo. Desde 2005, nem a Nossa Senhora das Eleições vale a este espaço. Esperamos que 2017 seja benéfico, pois além de ser ano da romaria da dita devoção, por coincidência até parece que o orçamento municipal é maior que o costume. Só esperamos é que o dinheiro que vem a mais não vá para o sítio do costume… Há quem nos chame “apressados”. Mas parece que a degradação consegue ser mais apressada que nós.

 

Samuel Rodrigues Tomé
Partido Ecologista “Os Verdes” – CDU Almeirim
Academia Itinerarium XIV da Ribeira de Muge

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