Da esquerda para a direita: OE 2017

Não quero começar o primeiro texto que escrevo para O Almeirinense, sem agradecer o convite que me dirigiram. É com muito gosto que começo a escrever para o jornal da minha terra. Prezo e respeito muito O Almeirinense e é com grande responsabilidade que encaro este desafio. Por isso mesmo, escrevo sobre um tema que está na ordem do dia e que se reveste de enorme responsabilidade e importância, o Orçamento do Estado para 2017. Diz-nos respeito a todos, afeta-nos a todos e teremos todos que viver com ele durante o próximo ano. O Orçamento do Estado para 2017, tal como foi apresentado pelo Governo socialista apoiado pelas esquerdas – a geringonça que nos governa -, é mau para o País. É um Orçamento incoerente, inconsistente e eleitoralista. Por isso mesmo, o CDS votou contra. Tal como já referiu a Presidente do CDS, este Orçamento do Estado não ajuda à solidez do crescimento económico, ao desenvolvimento do País, não aposta no investimento e nas exportações, nem é amigo das famílias. Nesse sentido, e seguindo a linha de oposição construtiva pela qual se tem pautado, o CDS apresentou 53 propostas de alteração. Várias destas propostas são dedicadas às famílias – como a reposição do quociente familiar e a majoração do abono de família para deficientes; às empresas – com a proposta do alargamento do programa especial para o pagamento de dívidas; e ao estímulo à atividade económica – propusemos a criação de um supercrédito fiscal extraordinário em IRC para o ano de 2017. Mas não posso deixar de destacar uma proposta em especial, que também diz respeito a muitos almeirinenses, e que se prende com o aumento das pensões. Por incrível que possa parecer, o Governo socialista apoiado pelo PCP, BE e PEV, deixou de fora do aumento extraordinário das pensões a pensão mínima, a pensão social e a pensão rural. Estou a falar de pensões de €263, €202 e €242. São as mais baixas das mais baixas pensões que o Governo deixa de fora.
Ora, o CDS não compactua com esta política de insensibilidade social das esquerdas unidas e entende que estes pensionistas deveriam ser, precisamente, os prioritários. Nesse sentido, propusemos que estas pensões fossem, também elas, alvo do aumento extraordinário em 2017. No entanto, a proposta do CDS foi rejeitada pelo PS, PCP, BE e PEV. A justificação para o chumbo, pasme-se, foi o facto de o Governo PSD/CDS ter aumentado estas pensões entre 2011 e 2015! Assim, e diria que quase como “castigo” por terem sido aumentadas pelo Governo PSD/CDS, as pensões mínima, social e rural vão ter um aumento de apenas €6 em 2017. É esta a sensibilidade social da geringonça: 6 euros…
Como se vê, ainda há um longo caminho a percorrer para se mudarem as mentalidades e para se alcançar a efetiva recuperação económica do País e de todos portugueses. O CDS quer que este seja um caminho sólido de recuperação e, por isso mesmo, continuará a apresentar as suas propostas, esperando que os preconceitos ideológicos deixem de se sobrepor. A bem de Portugal.

Maria Pia Bonneville
Membro da Comissão Política Concelhia de Almeirim do CDS

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