Solidó Solidário

Solidariedade. Nunca esta palavra esteve mais em voga no nosso quotidiano. Corolário de uma sociedade onde as igualdades de oportunidade de desenvolvimento não são revestidas de equidistância como seria expectável. De facto, ao se deparar com situações tão díspares de convivência, o mais comum do cidadão é acometido do sentimento de compreensão para com os que são mais expostos ao flagelo de exclusão social. Contudo, outra dimensão se coloca neste paradigma. Tenhamos atenção ao postulado Paulino, onde o homem, ainda que tenha conhecimentos linguísticos, domínio sobre a ciência e força da Fé que mantém, se não estiver revestido de caridade é como um sino que apenas produz ruído (cf. I Cor. 13-1,2). É, então, neste vetor, que a caridade (permitam-me a minha humilde hermenêutica) não pode ser entendida como uma palavra vã e despojada da sua verdadeira essência solidária.
Pois bem. Um segmento social mais afeto à exclusão social é a terceira idade, onde, por força das vicissitudes, muitas vezes sofre com o fenómeno da solidão. Foi neste sentido que, recentemente, integrei um projeto de Animação Musical junto de idosos institucionalizados nas várias IPSS do nosso concelho. Então, qual é o propósito desta minha crónica de opinião? É, justamente, o testemunho de uma experiência que marca de forma indelével quem nela toma parte. Trata-se, no fundo, do velho aforismo popular ”quem dá algo ao seu semelhante, recebe sempre o dobro em troca”, além de proporcionar o sentimento de missão cumprida, onde coloquei ao serviço daqueles idosos todo o meu desempenho e aprendizagem adquiridos na coletividade onde coopero há várias décadas.
É, então, neste contexto, que faço um veemente apelo ao prezado leitor, enquanto detentor de aptidões musicais ou artísticas – tocar um instrumento musical; dominar a técnica vocal, ainda que seja na dimensão amadora; pertencer a um grupo cénico (académico ou associativo) ou então mesmo desenvolver uma sessão de Karoke, são áreas com um elevado potencial a serem implementadas em futuros projetos de cariz sociocultural. Basta, apenas, um primeiro passo. Certamente, constatarão que vale a pena.

 

João Isabelinha
Licenciado em Educação Social

.