Control Parental

Em setembro de 2008 foi lançado pelo Ministério da Educação, no âmbito do programa e-escolinha, o computador “Magalhães” (o seu nome foi proveniente do navegador Português, Fernão de Magalhães) e o aparecimento do computador nas salas de aula resultou de um protocolo entre o Governo da República Portuguesa e a Intel. Juntamente com o “Magalhães” apareceu uma nova nomenclatura nas casas das famílias Portuguesas, respetivamente “Control Parental” e que, neste caso, dá nome à minha crónica. Permitia que os pais das crianças que adquiriam / recebiam o computador pudessem controlar o que as mesmas visualizavam nos respetivos “Magalhães”. Serve o enquadramento realizado anteriormente, como pretexto para escrever sobre um tema que me preocupa e me faz pensar, em muitos momentos, nos jovens que estamos a preparar para o futuro.Cada vez observamos menos crianças nas ruas a brincar, a jogar futebol ou a jogar às escondidas porque se criou uma ideia generalizada que as ruas não são seguras, e a sociedade em que vivemos marginalizou-se de tal forma, que não temos confiança nas nossas crianças nas ruas, nos jardins ou parques, de uma forma autónoma. Como consequência disso mesmo, temos na última década uma geração de jovens que desenvolveu competências informáticas de uma forma ímpar. Também podemos constatar que, como consequência da inexistência de crianças nas ruas, apareceram uma quantidade significativa de associações culturais e desportivas onde as nossas crianças podem, de uma forma segura, desenvolver competências artísticas e desportivas mas sempre com o “Control Parental” …
E aí reside a minha preocupação … Que geração teremos no futuro?… Teremos uma GERAÇÃO CONTROL PARENTAL?… E quando tiverem de tomar decisões por eles mesmos?… E quando não tiverem o CONTROL PARENTAL acionado? … Ou quando não o for possível acionar? … Porque esse dia chega para todos eles … Importa relembrar que as sensações de partilha de emoções, sejam positivas ou negativas, no contacto direto entre crianças nas suas brincadeiras mais corretas ou não, nunca será conseguido através das redes sociais que utilizam no seu dia-a-dia. Não podemos correr o risco de termos, no futuro, uma geração que terá relações pessoais exclusivamente nas redes sociais porque não consegue interagir entre si pessoalmente, em virtude de não ter desenvolvido essa competência na adolescência. O que nos define na sociedade são as nossas ações e essas resultam de um processo de construção que começa na nossa adolescência. Pelo que é imperioso não “queimar” etapas nem as “saltar”. Assim sendo, torna-se imperioso não esquecer que o “Control Parental” assertivo e permanente terá consequências a longo prazo, no futuro – em sociedade – das nossas crianças.

Vasco Carvalho – Professor

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