Da esquerda para a direita: Desafio

É com orgulho que digo que sou Almeirinense, que vejo reconhecida a nossa gastronomia por todo o país, que até conto a história da Sopa da Pedra tal como me foi ensinada na Escola Primária, que não existem melhores enchidos e vinhos que os nossos, e o melão, fruta nacionalmente conhecida, que até este verão andou em várias festas. Mas, infelizmente, quando visitam a nossa cidade, nada mais têm que ver a não ser as portas dos restaurantes “à pinha”, com filas de gente à espera.
Almeirim, que até aparece nos livros de História de Portugal mas que dos livros não sai, pois, em termos de história, apesar de rica, apenas temos a placa a assinalar as Cortes de Almeirim. Até é difícil visitar o museu municipal porque está aberto, apenas, de terça a sexta-feira e a horas em que nem todos os cidadãos estão disponíveis para o visitar e usufruir do espaço e dos conteúdos que apresenta. Também temos as ruínas do Paço Real da Ribeira de Muge, em Paço dos Negros, mas quem vem de fora não consegue ter acesso a informações sobre o local onde se encontra, nem o que representou na sua época histórica. E a Vala Real, espaço de lazer noutros tempos e que agora se encontra a necessitar de limpeza e requalificação do espaço, é outro local com vários potenciais.
Almeirim é terra que viu nascer vários artistas reconhecidos a nível nacional e internacional, com uma galeria de artes, mas que nem sempre consegue dar a conhecer as obras dos novos artistas aos nossos visitantes, porque apesar de ter um horário mais alargado, não está aberto a visitas ao domingo. O problema agrava-se pela localização do posto de turismo da cidade pois não serve a maior parte de quem nos visita, não só porque as pessoas não se deslocam para a zona centro, mas também porque não há nenhuma informação na zona dos restaurantes que levem as pessoas a procurar passear pela cidade e freguesias.
Almeirim até é uma cidade que ao longo do tempo foi construindo rampas nos locais mais procurados pela população, como o Posto de Correios, a Igreja Matriz e, mais recentemente, a Conservatória de Registo Civil, Predial e Comercial, entre outros espaços; revela preocupações a nível da segurança rodoviária, assinalando cada vez mais e melhor as passadeiras de peões, mas padece um pouco com a falta de preocupação com os outros, no sentido em que nalgumas zonas da cidade torna-se complicado andar nos passeios, onde ora se encontram carros mal estacionados, ora se encontram vários obstáculos.
Em 25 anos, desde a elevação a cidade, muita coisa mudou, mas muito ainda está por fazer, tanto na cidade como nas freguesias. Se nos escolhem para uma boa refeição, porque não mostrar o que por cá se faz, o que por cá se desenvolve e cria? É o desafio a que temos de dar resposta, para bem dos Almeirinenses, assim como para quem nos visita.
Ana Rita Fernandes
Membro da Ecolojovem – Os Verdes e da CDU de Almeirim

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