Da esquerda para a direita: Transportes

1. A cidade de Almeirim fica situada num ponto estratégico, no que à sua localização geográfica diz respeito. Com efeito, aqui cruzam-se duas importantes estradas nacionais (a N114 e a N118), chega a A13 (que liga ao sul do país), e bem perto da cidade encontra-se a A1 (que liga ao norte) e o principal eixo ferroviário do país (a Linha do Norte). Ainda que muito bem fornecida de vias de comunicação, na verdade, torna-se imperativo ter um carro para andar nas mesmas. Quem quiser apanhar um comboio às seis da manhã tem de ir de carro (o primeiro autocarro é apenas às 6.30h). Da mesma forma, o último autocarro de Santarém para Almeirim é às 18.50h. Isto falando da sede de concelho. Caso tentemos de outros pontos do concelho, os horários serão muito mais tardios.

2. Além da escassez de horários, temos em Almeirim um outro problema crónico: a ausência de uma rodoviária em funcionamento. Muitos de nós se lembrarão da antiga rodoviária (que no meu tempo da Febo Moniz chamávamos “A Garagem”), localizada num ponto muito crítico da cidade, para a entrada e saída de autocarros. Criou-se, e bem, uma alternativa. Com uma localização discutível, é verdade, mas ainda assim com acessos muito melhores aos autocarros do que aquela estrada de sentido único, onde ironicamente os autocarros (que são os veículos maiores) são os únicos autorizados a andar nos dois sentidos. A verdade é que este espaço foi transformado num verdadeiro “elefante branco”. Uma obra que Almeirim sem dúvida necessita, mas onde hoje funciona o Museu Municipal e uma associação. E os almeirinenses sem lugar para esperar o autocarro abrigados da chuva e do frio, sem um sítio para tirar os passes ou comprar bilhetes expresso (indo estas competências sendo delegadas por aqui e por ali, demitindo-se os responsáveis das suas responsabilidades).

3. Acresce a tudo isto, o novo regime jurídico dos transportes públicos, parido ainda pelo governo PSD/CDS através da Lei n.º 52/2015, de 9 de junho. Ainda que conheça o tema muito pela rama, parece-me mais uma forte machadada nos serviços públicos. Vão ser transferidas competências para os municípios, que serão as “novas entidades de transportes”, que terão de organizar, gerir e financiar o sistema. O poder central retira-se da sua responsabilidade de um sector tão importante quanto os transportes públicos de passageiros e atribui ao poder local essas tarefas. Já foi a reunião de Câmara a transferência em bloco destas novas competências para a CIMLT – aquela instituição que não foi eleita e onde têm sido delegadas muitas vezes várias responsabilidades que seriam dos autarcas e eleitos locais. Talvez o mais grave nem seja isto, o mais grave, e que acontece em Almeirim, é não ser dado aos eleitos, no Executivo e na Assembleia Municipal conhecimento da atividade destas entidades supra-municipais, ao longo do tempo.
4. Em suma, um povo desenvolvido tem de andar de transportes públicos e ter serviços públicos de qualidade e de proximidade. E nós não temos nenhuma destas duas coisas.

 

Samuel Rodrigues Tomé
Membro do Partido Ecologista “Os Verdes” e da CDU de Almeirim

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