A eleição de Donald Trump: O meu point of view

Apreensão. Foi este o meu principal sentimento durante a noite de 8 de Novembro de 2016, enquanto acompanhava pela televisão a evolução dos resultados das eleições presidenciais dos Estados Unidos da América, país onde me encontro emigrado desde 2011.

Apesar de não ser cidadão americano, era mais que óbvio que o desfecho destas eleições me iria afetar, direta e indiretamente. Não acreditando que Hillary Clinton fosse uma excelente candidata a Presidente, não havia para mim quaisquer dúvidas que esta seria a pessoa mais indicada para assumir tão elevado cargo, tendo em conta o seu adversário Republicano. Enquanto os resultados foram saindo, o impossível (para mim, pelo menos) aconteceu. Trump ganhou a Pensilvânia, ganhou o Ohio e ganhou a Flórida, estados onde as sondagens davam vantagem à candidata Democrata e, assim, assegurava uma surpreendente vitória final. Fui dormir com uma grande tristeza a apoderar-se de mim e adormecer não foi nada fácil. Na manhã seguinte, acordei com incerteza quanto ao meu futuro, pois não me via a viver nos EUA com este Presidente, não só por aquilo que ele representa (machismo, racismo, homofobia, xenofobia, entre outras “qualidades”), mas também por me encontrar a viver numa zona de transição entre o Norte e o Sul (no estado da Virgínia), entre mentalidades mais liberais e outras mais conservadoras, entre gente que privilegia o diálogo e gente que privilegia armas. Tinha um enorme receio que se fossem passar situações semelhantes àquelas que se passaram em Inglaterra com o Brexit, onde quem não fosse louro de olhos claros e tivesse sotaque estrangeiro era “convidado” a sair do país. Felizmente tal não se verificou, mas, na altura em que escrevo este texto, Trump ainda não tomou posse.

A apreensão, essa, continua. Trump é uma incógnita, um wild card. É muito difícil prever o que se vai passar durante a sua presidência. Vai construir o muro na fronteira com o México? Vai expulsar os indocumentados? Vai melhorar a economia? Tendo em conta o próprio Trump e a equipa que vai escolhendo, não vejo os próximos quatro anos com bons olhos. Obama fez um excelente trabalho durante os seus dois mandatos, especialmente quando se tem em conta que o Congresso foi uma força de bloqueio à sua governação: o desemprego baixou, a economia melhorou, deu nova vida à indústria automóvel, os direitos humanos saíram fortalecidos, etc. Vai deixar saudades. Por seu lado, Trump vai ter o Congresso e o Senado do seu lado e vai poder eleger um, ou provavelmente três juízes para o Supremo Tribunal, o que lhe vai conferir muito poder.

 

Vitor Guimarãis

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